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Iniciativa leva graffiti, memória afetiva e participação comunitária para escolas e instituições da capital; obras criadas por crianças e adolescentes serão transformadas em cartões-postais acessíveis

Os muros de três bairros de Campo Grande ganharão novas cores, personagens e histórias ao longo de junho. A proposta faz parte do projeto Mural Postal Campão, iniciativa que transforma espaços urbanos em telas coletivas e convida crianças e adolescentes a retratar a identidade da cidade por meio da arte.

Depois da primeira intervenção realizada no Jardim Zé Pereira, o circuito segue neste mês por escolas e organizações sociais da capital, promovendo oficinas de graffiti, pintura e criação artística que unem memória afetiva, pertencimento e participação comunitária.

As próximas ações acontecem na Escola Municipal Abel Freire de Aragão, no Bairro Santa Branca, no dia 10 de junho; na Escola Estadual São José, no Bairro Cruzeiro, em 18 de junho; e na Fraternidade Despertar, no Bairro Dom Antônio Barbosa, em 28 de junho.

Mais do que produzir murais, o projeto busca aproximar crianças e adolescentes da arte urbana e estimular novas formas de enxergar os territórios onde vivem.

Durante as atividades, os participantes aprendem sobre o processo criativo de um mural, experimentam técnicas de pintura com tinta spray e stencil e colaboram na construção das imagens que serão incorporadas aos espaços públicos.

Arte inspirada pela cidade

A proposta é que cada mural nasça das referências culturais, históricas e afetivas compartilhadas pelos próprios participantes.

Na primeira ação do circuito, realizada no fim de maio na Associação de Moradores do Bairro Zé Pereira, crianças e adolescentes escolheram representar um dos símbolos gastronômicos mais tradicionais da Capital: o sobá.

O prato, trazido por imigrantes japoneses de Okinawa e incorporado à identidade cultural campo-grandense, foi transformado em uma obra coletiva que passou a ocupar um muro da comunidade.

Segundo o artista visual Fabio Quill, responsável pela coordenação artística do projeto, a participação dos moradores é o que dá significado às intervenções.

“Foi muito bonito ver as pessoas chegando perto, perguntando, pintando e se reconhecendo no processo. O mural começa no desenho, mas ganha sentido mesmo quando o bairro participa”, afirma.

Do muro para os cartões-postais

Ao final do circuito, os murais serão fotografados e transformados em cartões-postais distribuídos gratuitamente em diferentes pontos de Campo Grande.

A iniciativa pretende ampliar o alcance das obras e criar um registro afetivo da cidade construído a partir da visão dos próprios moradores.

Os cartões contarão ainda com recursos de acessibilidade. Cada unidade terá dois QR Codes: um com informações sobre pontos turísticos e culturais da Capital e outro com audiodescrição da obra, permitindo que pessoas com deficiência visual também tenham acesso ao conteúdo artístico.

A proposta transforma os murais em uma espécie de coleção visual da cidade, conectando arte urbana, patrimônio cultural e inclusão.

Quem está por trás do projeto

As obras são finalizadas por Fabio Quill, quadrinista e artista urbano nascido na periferia de São Paulo e radicado em Campo Grande desde 2018.

Com trajetória ligada à literatura, às histórias em quadrinhos e à arte de rua, Quill é autor de obras como Amálgama e A Casa Baís, ambas indicadas ao tradicional Prêmio HQMix, uma das principais premiações do setor no Brasil.

Ao longo dos últimos anos, o artista também participou de projetos editoriais, coletivos culturais e ações voltadas à democratização do acesso à arte.

Mais informações e bastidores das atividades podem ser acompanhados pelo perfil oficial do projeto no Instagram: @muralpostal.

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