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A cada gol da Seleção Brasileira, as ruas se enchem de buzinas, fogos de artifício e gritos de comemoração. Enquanto muitos torcedores celebram, cães e gatos costumam viver momentos de medo e estresse. Com uma audição muito mais sensível do que a dos humanos, os animais domésticos podem sofrer crises de ansiedade e até colocar a própria segurança em risco durante os jogos da Copa do Mundo.

Veterinários alertam que o excesso de ruídos, aliado à movimentação intensa em residências, bares e condomínios, pode desencadear reações físicas e comportamentais que vão desde tremores e inquietação até tentativas desesperadas de fuga.

Segundo a médica-veterinária Cintia Ghorayeb, especialista do Veros Hospital Veterinário, sons altos e repentinos são interpretados pelos animais como sinais de perigo.

“Os pets possuem audição muito mais sensível que a humana. Por isso, fogos de artifício, buzinas e gritos são percebidos com intensidade muito maior e podem causar sofrimento emocional significativo”, explica.

Medo pode causar problemas de saúde

Os efeitos do estresse variam de acordo com o perfil de cada animal. Alguns procuram esconderijos embaixo de camas, sofás ou móveis. Outros apresentam tremores, respiração acelerada, vocalização excessiva e mudanças bruscas de comportamento.

Em situações mais graves, o medo pode provocar vômitos, perda de apetite, agressividade, aumento da frequência cardíaca e crises respiratórias.

Animais idosos ou que já possuem doenças cardíacas, neurológicas ou respiratórias estão entre os mais vulneráveis.

Além dos impactos à saúde, o pânico também aumenta o risco de acidentes domésticos. Na tentativa de escapar do barulho, cães e gatos podem derrubar objetos, se ferir em portas e janelas ou fugir para a rua.

Segundo especialistas, muitos casos de desaparecimento de animais são registrados justamente em períodos de festas com fogos de artifício.

Como proteger cães e gatos durante os jogos

Para reduzir o desconforto dos animais durante as partidas, especialistas recomendam algumas medidas simples que podem fazer diferença.

Crie um ambiente seguro

O ideal é deixar o pet em um cômodo mais tranquilo da casa, longe de televisores em volume elevado e de áreas com grande circulação de pessoas.

Fechar portas, janelas e cortinas ajuda a diminuir a entrada de ruídos e dos clarões provocados pelos fogos.

Use sons para amenizar o barulho externo

Músicas suaves, televisão em volume moderado, ventiladores ou aparelhos com ruído branco podem ajudar a mascarar sons repentinos e reduzir a percepção dos ruídos externos.

Respeite o esconderijo escolhido pelo animal

É comum que cães e gatos procurem espontaneamente locais menores e mais protegidos quando estão assustados.

Nesses casos, a recomendação é não forçar o animal a sair do local nem obrigá-lo a interagir.

Mantenha objetos familiares por perto

Cobertores, camas e brinquedos com o cheiro habitual ajudam a transmitir sensação de segurança e conforto.

Evite deixá-lo sozinho

A presença do tutor costuma funcionar como uma importante fonte de tranquilidade.

Especialistas orientam que o responsável permaneça próximo do animal, sem punições ou cobranças. Caso o pet demonstre interesse, brincadeiras e atividades podem ajudar a desviar a atenção dos barulhos externos.

Reforce a segurança da casa

Antes dos jogos, vale conferir portões, telas de proteção, janelas e portas para evitar fugas.

Mesmo animais acostumados ao ambiente podem reagir de forma imprevisível quando estão assustados.

Calmantes exigem orientação veterinária

Muitos tutores recorrem a medicamentos para tentar controlar o medo dos animais durante eventos barulhentos. No entanto, especialistas alertam que o uso de calmantes sem prescrição pode representar riscos à saúde.

Segundo Cintia Ghorayeb, alguns medicamentos apenas reduzem a capacidade de reação do animal, sem aliviar efetivamente a sensação de medo.

“O uso de calmantes nunca deve ser feito sem orientação profissional. Alguns produtos podem causar efeitos adversos importantes e mascarar o sofrimento sem realmente controlar a ansiedade”, afirma.

Em situações de medo intenso ou recorrente, a recomendação é buscar acompanhamento veterinário. Dependendo do caso, o animal pode se beneficiar de treinamento comportamental, enriquecimento ambiental ou tratamentos específicos para ansiedade.

Copa para os humanos, cuidado para os pets

Com a chegada da Copa do Mundo e o aumento das confraternizações, veterinários reforçam que o planejamento deve incluir todos os membros da família, inclusive os de quatro patas.

Pequenos cuidados antes do apito inicial podem evitar acidentes, reduzir o estresse e garantir que os animais atravessem o período de jogos com mais conforto e segurança.

Foto: Freepik

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