O consumo de bebidas alcoólicas vem perdendo espaço entre os brasileiros, especialmente entre os mais jovens, e impulsiona a expansão de produtos sem álcool nas prateleiras dos supermercados. Dados recentes apontam que 64% dos brasileiros afirmaram não ter consumido bebidas alcoólicas em 2025, ante 55% em 2023.
A informação é da pesquisa “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, realizada pela Ipsos-Ipec a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA).
O levantamento indica que a mudança é mais acentuada entre a chamada geração Z. Entre pessoas de 18 a 24 anos, a taxa de abstinência subiu de 46% para 64% no período analisado. Na faixa de 25 a 34 anos, passou de 47% para 61%.
Especialistas atribuem a tendência a uma combinação de fatores, como maior preocupação com saúde mental e física, busca por melhor desempenho profissional e esportivo, além de questões religiosas e de estilo de vida.
Mercado bilionário
A mudança de comportamento já se reflete no varejo. O mercado brasileiro de bebidas não alcoólicas, estimado em R$ 137 bilhões, ocupava em 2025 a sexta posição entre os maiores consumidores globais.
Segundo levantamento da consultoria Euromonitor International, o consumo de cervejas sem álcool no Brasil cresceu mais de 200% entre 2020 e 2023, passando de 197,8 milhões para 649,9 milhões de litros. A expectativa é que o volume se aproxime de 1 bilhão de litros em 2025.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do Anuário da Cerveja 2025, mostram que a produção de cerveja sem álcool aumentou 536,9% em 2024. A categoria já representa 4,9% da produção nacional.
Além das cervejas, vinhos e espumantes sem álcool também registram avanço. Entre 2020 e 2023, o consumo de vinhos sem álcool no Brasil cresceu 30%, acima da média global de 20%, segundo a consultoria IWSR. Em 2022, as vendas de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico nos dez principais mercados mundiais, incluindo o Brasil, somaram US$ 11 bilhões.
Mudança cultural
Para o sommelier Charles Carvalho, do Comper Supermercados, a ampliação do portfólio atende a uma demanda consolidada. “Não se trata apenas de uma moda, mas de um movimento consistente que reflete uma nova consciência de consumo”, afirma.
Segundo ele, as lojas passaram a oferecer maior variedade de rótulos de cervejas, vinhos e espumantes zero álcool, além de versões com baixo teor de glúten e perfil considerado mais leve.
A tendência acompanha um fenômeno observado internacionalmente, conhecido como “sober curious” — quando o consumidor opta por reduzir ou eliminar o álcool sem necessariamente adotar abstinência permanente.
Durante o Carnaval, período tradicionalmente associado ao consumo de bebidas alcoólicas, a mudança de hábito se torna mais visível. Jovens relatam optar por alternativas que permitam socialização sem os efeitos do álcool, como ressaca, perda de desempenho físico e prejuízos à saúde.
Perspectivas
Empresas do setor projetam crescimento acelerado do segmento nos próximos anos. Estimativas indicam que o consumo de bebidas sem álcool pode quintuplicar até 2028, impulsionado por inovação em sabor, tecnologia de produção e estratégias de marketing voltadas ao bem-estar.
Para o varejo, o desafio é equilibrar oferta e variedade diante de um público mais atento a rótulos, composição nutricional e impacto na saúde.
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