A eleição presidencial em Portugal não foi definida no primeiro turno e terá uma segunda votação no dia 8 de fevereiro. Com 98% das urnas apuradas neste domingo (18), António José Seguro liderava a disputa com 30,87% dos votos, seguido por André Ventura, que somava 23,79%. É a primeira vez em 40 anos que o país precisará de um segundo turno para escolher o chefe de Estado.
A legislação eleitoral portuguesa prevê que um candidato só é eleito no primeiro turno se obtiver mais de 50% dos votos válidos. Como nenhum concorrente alcançou esse patamar, os dois mais votados avançam para a nova rodada de votação.
Embora a presidência da República em Portugal seja considerada em grande parte um cargo cerimonial, o chefe de Estado possui atribuições relevantes em momentos de crise política. Entre os poderes estão a possibilidade de dissolver o Parlamento, destituir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar legislações.
O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, ocupa o cargo desde 2016 e está constitucionalmente impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo de cinco anos. Durante sua gestão, ele convocou eleições antecipadas em 2021, 2023 e 2025.
Podem concorrer à presidência cidadãos portugueses com mais de 35 anos, desde que apresentem ao menos 7.500 assinaturas de apoio. As candidaturas e as assinaturas precisam ser validadas pelo Tribunal Constitucional. No dia da votação, as urnas funcionam das 8h às 19h no horário local (5h às 16h em Brasília). Após o encerramento, apenas eleitores que já estiverem nas assembleias de voto podem registrar o voto.
Quem são os candidatos do segundo turno
António José Seguro, de 63 anos, é ex-líder do Partido Socialista. Ele deixou a vida política ativa após perder a liderança da sigla, em 2014, para o então futuro primeiro-ministro António Costa. Seguro anunciou a candidatura à presidência em junho do ano passado. Atualmente, atua como empresário nos setores de turismo, agricultura e produtos alimentares. É licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa e mestre em Ciência Política pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa.
André Ventura, de 42 anos, é líder e fundador do partido “Chega”. Ex-comentarista esportivo de televisão, Ventura ganhou projeção nacional e levou o partido a se tornar a segunda maior força parlamentar em 2025, com um discurso centrado no combate à corrupção e à imigração. Analistas costumam descrever o “Chega” como o “show de um homem só” de Ventura, avaliação reforçada pelo fato de ele disputar a presidência após declarar, em diversas ocasiões, o desejo de se tornar primeiro-ministro.
A segunda votação, marcada provisoriamente para 8 de fevereiro, definirá o novo presidente de Portugal em um cenário que reflete a fragmentação do atual quadro político do país.
*Informações CNN





















