Em um cenário de expansão do empreendedorismo feminino no Brasil, mulheres transformam desafios em oportunidade, assumem o protagonismo da própria renda e redefinem trajetórias profissionais
Empreender, para muitas mulheres, significa mais do que abrir uma empresa. É transformar necessidade em estratégia, talento em fonte de renda e propósito em sustento. É equilibrar planilhas e afetos, metas e maternidade, prazos e responsabilidades domésticas. Em um cenário ainda marcado por desigualdades, cada negócio criado representa também afirmação de autonomia, presença e voz.
A rotina costuma começar antes do expediente e terminar depois dele. Entre reuniões, produção, atendimento e decisões financeiras, muitas ainda acumulam a gestão da casa e o cuidado com os filhos. Empreender, nesse contexto, é também um ato de resistência e reinvenção, uma forma de ampliar horizontes e garantir independência econômica.
O Brasil vive um momento histórico no empreendedorismo feminino. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao 4º trimestre de 2024, apontam que o país soma cerca de 10,4 milhões de mulheres à frente do próprio negócio, o maior número da série histórica. Elas representam aproximadamente 34,1% dos empreendedores brasileiros.
Mais do que estatística, o avanço revela mudanças profundas na vida de milhões de brasileiras. Mais da metade dessas mulheres é chefe de domicílio e responsável direta pelo sustento da família. Ao mesmo tempo, nove em cada dez ainda atuam sozinhas, administrando todas as áreas da empresa.
Por trás dos números, existem histórias de coragem, reinvenção e estratégia. Da comunicação à alimentação e a outros segmentos de serviços, mulheres mostram como transformaram ideias em negócio, e o negócio em propósito. E demonstram como empreender também se tornou uma ferramenta de transformação social.
Da faculdade ao próprio negócio
À frente da sua atuação como mentora, estrategista de marketing e palestrante internacional, Aline Bak transformou uma visão profissional em um empreendimento sólido no universo da comunicação digital. Recém-formada em Desenho Industrial pela FAAP, em São Paulo, e com formação complementar no Instituto Europeu de Design, em Barcelona, decidiu iniciar o próprio negócio logo no início da carreira.
Aos 21 anos, abriu sua primeira empresa, voltada ao design. “O empreendedorismo sempre esteve presente na minha vida profissional. Eu saí da faculdade, fui para Barcelona fazer um curso e, quando voltei, já abri minha primeira empresa. Eu tinha 21 anos e não sabia nem emitir uma nota fiscal”, lembra.
Sem experiência em gestão, precisou aprender a administrar o negócio enquanto ele acontecia. “Eu entendia de design, mas não de administração. Quando você empreende, precisa saber um pouco de tudo: financeiro, gestão e relacionamento com cliente. No começo, isso foi um grande desafio”, afirma.
No início, enfrentou o desafio de estruturar o trabalho em um ambiente em que a divulgação dependia basicamente do boca a boca e em que a administração de uma empresa ainda era território desconhecido. “Na época não tinha redes sociais como hoje. Era tudo muito no boca a boca e eu ainda estava aprendendo como funcionava a parte administrativa”, relata.
Com o crescimento da atuação profissional, vieram também os desafios de consolidar espaço no mercado. Ao longo da trajetória, diz que em alguns momentos sentiu a necessidade de comprovar sua capacidade em ambientes ainda majoritariamente masculinos. “Já tive situações em que precisei provar duas vezes mais que eu era boa. Participei de concorrências com grandes agências lideradas por homens e consegui vencer pelo meu trabalho”, diz.
Ainda assim, manteve a confiança na própria formação e seguiu consolidando espaço, atuando não apenas com projetos de comunicação, mas também com mentorias e palestras que ajudam marcas e profissionais a ganharem autoridade no ambiente digital.

Ao mesmo tempo, a vida pessoal passou a exigir reorganização constante da rotina. Mãe de dois filhos, hoje jovens, diz que conciliar empresa e família exige disciplina e planejamento. “Conciliar tudo é um grande desafio. A mulher acaba fazendo malabarismo todos os dias. Tem a demanda do cliente, mas também tem filho, casa, família. São muitas frentes ao mesmo tempo”, afirma.
Segundo ela, manter horários definidos ajuda a preservar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. “Eu tento manter uma rotina. Chega um horário, eu desligo o computador e vou cuidar da minha vida pessoal. No fim de semana também tento me desconectar, porque o melhor da vida acontece offline”, diz.
Mesmo com a empresa consolidada, houve momentos em que pensou em mudar de rumo. Antes da pandemia, chegou a cogitar encerrar as atividades. “Eu pensei em desistir algumas vezes. Cheguei até a pedir emprego para o meu pai de tão desanimada. Mas, na pandemia, comecei a dar mentorias online e percebi que podia ajudar muitas pessoas. Foi quando entendi que esse era realmente o meu propósito”, relata.
Hoje, ela define o negócio como parte do propósito de vida: ajudar outras pessoas a encontrar e fortalecer sua presença digital com estratégia e autoridade real. “Meu negócio representa muito mais do que trabalho. É um propósito de vida. Quando você vê uma pessoa que não tinha presença digital ganhar confiança e crescer, isso não tem preço”, afirma.
Para ela, a experiência também reforça a capacidade das mulheres de ocupar diferentes espaços ao mesmo tempo e transformar desafios em oportunidade. “A mulher tem uma força muito grande. Ela consegue ocupar várias funções e dar conta de muitas frentes ao mesmo tempo. O mais importante é não se cobrar perfeição, mas não deixar de correr atrás do que acredita”, afirma
Empreender para levar saúde e qualidade de vida
A trajetória de Dayana Bizi à frente da BIZI Água de Coco está ligada à tradição familiar na produção de coco. A família cultiva coco anão há mais de duas décadas em propriedade rural, e foi a partir dessa experiência que surgiu a ideia de transformar a matéria-prima em um produto pronto para consumo.
O projeto começou a ser estruturado em 2017, com a proposta de oferecer água de coco integral, sem adição de açúcar ou conservantes, mas acabou sendo interrompido durante a pandemia. Com a retomada das atividades e um cenário mais atento aos cuidados com a saúde, a iniciativa foi retomada em 2022, em um momento em que a busca por saúde e bem-estar ganhou ainda mais espaço entre os consumidores. “A ideia sempre foi levar um produto simples, mas com qualidade, que pudesse contribuir para hábitos mais saudáveis e para o cuidado com a saúde das pessoas”, afirma.
Psicóloga de formação, Dayana afirma que o empreendimento também dialoga com sua trajetória profissional. Além de empreendedora, ela mantém atuação clínica e vê na empresa uma extensão do propósito de cuidado que já desenvolve na profissão. “Eu sempre atuei no cuidado e na escuta do outro. A empresa veio somar a esse momento da minha vida, reforçando esse olhar para a saúde e para a qualidade de vida”, diz.
Na prática, transformar a ideia em negócio trouxe desafios típicos do empreendedorismo. Entre os principais, cita a carga tributária e a necessidade de ampliar o mercado para um produto que ainda não faz parte da rotina de consumo de parte da população. “Um dos grandes desafios é abrir mercado e explicar o valor do produto. É uma água de coco, algo simples na essência, mas com muitos benefícios que ainda precisam ser apresentados para o consumidor”, afirma.
Além das dificuldades estruturais do mercado, também enfrentou episódios de questionamento no ambiente empresarial. A empreendedora relata já ter passado por tentativas de descredibilização, embora diga que essas situações tenham sido pontuais. “Já houve momentos em que tentaram desacreditar pela fala de uma mulher, mesmo com um produto de qualidade. Mas foram situações pontuais”, relata.
Diante desse cenário, ela afirma que a preparação constante se torna essencial para sustentar o crescimento do negócio. Para ela, empreender exige preparo permanente. A capacitação e o acesso à informação são apontados como fatores decisivos para consolidar a marca e enfrentar os desafios do mercado. “É fundamental estudar, se capacitar e buscar informações para entender desde as questões burocráticas até a gestão do negócio. Isso faz toda a diferença para quem quer empreender”, afirma.
Mesmo em fase de consolidação, a empresa já representa um processo intenso de aprendizado profissional e pessoal. Dayana define o negócio como um aprendizado diário sobre gestão, posicionamento e responsabilidade socioambiental. “A empresa ainda é jovem, mas tem sido um grande aprendizado. Todos os dias eu aprendo sobre negócios, gestão e sobre como contribuir de forma responsável com a sociedade e com o meio ambiente”, diz.
Mais do que comercializar um produto, afirma que o objetivo é transmitir valores como respeito, integridade e compromisso com a saúde. “Empreender, para mim, é falar de propósito. É transmitir respeito, cuidado e integridade para além de um produto”, afirma.
O empreendedorismo que surgiu por acaso
Bruna Rios não tinha o empreendedorismo como meta inicial. Formada em Direito, o plano era seguir carreira pública e atuar como promotora de Justiça ou delegada. A empresa surgiu como uma alternativa para complementar a renda enquanto se preparava para concursos.
O que começou como uma solução provisória acabou mudando completamente o rumo da trajetória profissional. Hoje, Bruna é sócia-proprietária da Sésamo Gelato, rede que começou com recursos limitados e se expandiu para diferentes cidades.
A ideia nasceu a partir da identificação de uma oportunidade de mercado. Ao lado do sócio, passou a pesquisar modelos de negócio e produtos que ainda não estavam consolidados em Campo Grande. A busca por conhecimento acabou levando a dupla ao exterior. Sem apoio inicial de empresários do setor, investiram em capacitação para estruturar o projeto.
Enquanto o sócio se dedicou ao aprendizado técnico para desenvolver os gelatos, Bruna assumiu a parte administrativa e financeira do negócio. “O que era para ser algo para complementar a renda acabou virando o negócio das nossas vidas”, afirma.
Com o tempo, a empresa cresceu e ampliou a atuação. Atualmente, além de reunir unidades em Mato Grosso do Sul, o grupo também desenvolve novos projetos voltados à expansão da marca.

Ao longo dessa trajetória, porém, também enfrentou momentos de instabilidade. Bruna relata que já precisou fechar unidades e reorganizar a operação em diferentes fases do negócio, inclusive durante a pandemia. Para ela, essas experiências fazem parte do processo de amadurecimento empresarial. “As dificuldades não determinam a gente. Elas são aprendizado”, afirma.
No ambiente empresarial, avalia que as mulheres ainda enfrentam desafios adicionais. Segundo ela, além da atuação profissional, muitas acumulam diferentes responsabilidades no cotidiano, o que torna a jornada mais exigente.
“A mulher costuma se dividir em muitos papéis ao mesmo tempo. Quer estar presente na família, nos amigos e no trabalho. Isso faz com que a carga seja maior”, afirma. Ainda assim, acredita que a persistência e a organização ajudam a enfrentar as barreiras. “A mulher é muito forte e determinada. As dificuldades acabam nos deixando ainda mais persistentes.”
Para quem deseja empreender, Bruna destaca a importância da preparação. Segundo ela, estudar o mercado e planejar cada etapa do negócio são fatores que aumentam as chances de consolidação. “Quando a pessoa se prepara e busca conhecimento, aumenta o percentual de êxito”, diz.
Começar cedo e crescer com a própria clientela
A trajetória de Gel Rezende no empreendedorismo começou ainda na adolescência. Aos 17 anos, decidiu fazer um curso de cabeleireira e, logo após a formação, deu os primeiros passos na profissão ao lado de duas colegas, uma depiladora e outra consultora de cosméticos. A partir desse início simples, passou a construir a própria clientela gradualmente. “Assim que terminei o curso, já comecei a atender e fui criando minha clientela de pouco a pouco. Mesmo sendo nova, nunca desisti”, conta.
Com o tempo, Gel chegou a morar fora, mas voltou a Campo Grande e retomou o trabalho na área da beleza. Aos 30 anos, concretizou um objetivo que cultivava desde cedo: abrir o próprio salão. “Empreender sempre foi um sonho. Eu nunca imaginei trabalhar em outra coisa”, afirma.
No início da trajetória, o incentivo dentro da família foi dividido. Enquanto a mãe demonstrava preocupação com a escolha profissional, a avó foi quem acreditou no projeto e ajudou a dar o primeiro passo. “Minha mãe não queria muito, mas minha avó me incentivou e pagou meu curso. Ela acreditou em mim”, lembra.
Os primeiros anos foram marcados principalmente pela necessidade de conquistar confiança no mercado. Jovem e ainda pouco conhecida, Gel conta que muitas vezes precisou provar sua capacidade profissional antes de ser reconhecida. “No começo as pessoas não conheciam o meu trabalho e eu era muito nova. Muitas me testavam achando que eu não sabia. Depois que viram o resultado, falaram que tinham se surpreendido”, relata.
Além disso, também enfrentou desafios ligados ao próprio ambiente da profissão. Segundo ela, o reconhecimento nem sempre vinha com facilidade para as mulheres. “Era um meio em que os homens chamavam mais atenção que as mulheres. Eu sentia que precisava mostrar mais o meu trabalho”, diz.
Conciliar a rotina do negócio com a vida pessoal também exigiu adaptações ao longo do tempo. Nos primeiros anos, Gel conta que praticamente não tinha vida social, com jornadas que avançavam pela noite para atender clientes. Hoje, com filhos, tenta organizar a rotina de forma diferente. “Antes eu trabalhava até tarde da noite. Hoje consigo me equilibrar melhor, levo e busco meus filhos na escola e muitas vezes eles ficam comigo no trabalho. É difícil, mas a gente vai aprendendo”, afirma.

Mesmo diante das dificuldades, houve momentos em que pensou em desistir, mas a evolução do próprio trabalho acabou servindo de motivação para continuar. “Cada trabalho realizado me dava vontade de ir além. Isso me fazia seguir em frente”, diz.
Hoje, o negócio representa não apenas a realização de um sonho pessoal, mas também uma fonte de sustento para outras pessoas. “Meu trabalho sustenta minha família e também a de mais cinco famílias. Esse é o grande motivo para continuar”, afirma.
Para quem deseja empreender, Gel acredita que a persistência é um dos fatores mais importantes para consolidar um negócio. “Tem que ter constância, disciplina e não desistir. Mesmo quando não tem cliente, é preciso estar ali trabalhando e acreditando que tudo acontece com o tempo”, diz.
Ao olhar para a própria trajetória, ela define o empreendedorismo como uma forma de construir autonomia e dignidade. “Ser mulher e empreender é lutar pelos nossos sonhos, criar nossos filhos com dignidade e mostrar que é possível trabalhar, ter família e seguir acreditando no que a gente quer”, afirma.
Da pandemia ao empreendedorismo digital
A trajetória de Glória Maria no empreendedorismo começou de forma inesperada, em um dos períodos mais incertos dos últimos anos. Jornalista de formação, ela passou a produzir conteúdo para as redes sociais no início da pandemia, quando buscava alternativas para complementar a renda em meio às mudanças impostas pela crise sanitária.
O que começou como uma tentativa de adaptação à nova realidade acabou abrindo um caminho profissional. “Eu comecei no primeiro dia da pandemia. Não foi exatamente uma ideia, foi uma necessidade. Comecei a gravar vídeos mostrando a minha rotina e pensei que talvez pudesse monetizar o TikTok”, conta.
Naquele momento, a criação de conteúdo ainda não era vista por ela como um empreendimento. A mudança de perspectiva veio gradualmente, conforme as redes sociais passaram a gerar novas oportunidades de trabalho. “Nunca me imaginei empreendendo e nem fazia ideia de que existia a possibilidade de trabalhar com isso. A virada aconteceu quando me convidaram para um trabalho remunerado e eu precisei emitir nota fiscal. Foi ali que percebi que aquilo poderia se tornar uma forma de pagar as contas e viver disso”, relata.
Com a profissionalização do conteúdo, surgiram também os primeiros desafios. No início, as limitações financeiras exigiram criatividade para manter a produção ativa. “O principal desafio sempre foi o financeiro. Muitas vezes faltava dinheiro até para comprar ingredientes para poder gravar as receitas ou investir em equipamentos como microfone e iluminação”, afirma.
Além das dificuldades estruturais, Glória também percebeu obstáculos ligados ao próprio ambiente social e profissional. “Vivemos em uma sociedade muito machista e muitas vezes senti que, se a gente não se impõe, acabam nos deixando de lado”, diz.
Outro desafio constante passou a ser a construção de limites entre a vida pessoal e o trabalho. Como o conteúdo produzido está diretamente ligado ao cotidiano, estabelecer fronteiras entre exposição e privacidade tornou-se parte do processo. “Como trabalho com redes sociais e com a exposição da minha vida, é muito difícil estabelecer um limite claro entre o que é público e o que é privado”, explica.
Apesar das dificuldades, ela afirma que o vínculo com o trabalho e o significado que ele passou a ter em sua trajetória foram decisivos para continuar. “Já pensei em desistir muitas vezes. O que me faz permanecer é o amor pelo que faço, mesmo sabendo que ainda é um caminho desafiador”, afirma.
Com o tempo, a atividade nas redes sociais deixou de ser apenas uma alternativa financeira e passou a representar algo maior em sua vida profissional. “Hoje o meu trabalho representa liberdade e propósito. Eu comecei criando conteúdo de forma espontânea, sem imaginar que aquilo poderia se tornar uma profissão. Essa experiência mudou completamente a forma como eu me enxergo, porque percebi que sou capaz de criar oportunidades, não apenas esperar por elas”, diz.
Ao refletir sobre o empreendedorismo feminino, Glória avalia que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras para iniciar um negócio ou assumir novos projetos. “Uma das maiores dificuldades é a falta de confiança no começo. Muitas mulheres sentem que precisam estar 100% prontas para começar, enquanto muitos homens simplesmente começam”, observa.
A conciliação entre diferentes responsabilidades também aparece como um desafio recorrente. “Muitas mulheres constroem seus negócios enquanto cuidam da casa, da família e de várias outras responsabilidades. Isso exige muita força e organização”, afirma.
Diante desse cenário, o principal conselho que deixa para outras mulheres é iniciar mesmo diante das incertezas. “Comece antes de se sentir pronta. A gente aprende muito mais fazendo do que esperando o momento perfeito”, diz.
Ela também destaca que a consistência é fundamental no processo de construção de qualquer negócio. “Consistência é mais importante do que perfeição. Nenhum projeto cresce da noite para o dia. É um processo de aprendizado e adaptação constante”, afirma.
Para Glória, empreender sendo mulher vai além da construção de uma carreira individual. “Ser mulher e empreender é ter coragem de ocupar espaços que por muito tempo disseram que não eram para nós. Quando uma mulher cresce, ela acaba abrindo caminho para muitas outras também”, conclui.
Um movimento que continua crescendo
O avanço do empreendedorismo feminino vai além das trajetórias individuais. Ele revela uma transformação silenciosa e consistente na economia e na organização das famílias brasileiras. O crescimento aponta para uma presença cada vez mais ativa nas decisões, na geração de empregos e na condução de negócios.
Apesar do avanço, a maioria ainda conduz a empresa sozinha, acumulando funções administrativas, operacionais e estratégicas no dia a dia. São mulheres que negociam com fornecedores, organizam finanças, atendem clientes e, muitas vezes, retornam para casa para iniciar uma nova jornada de responsabilidades.
Mais da metade dessas empreendedoras é chefe de domicílio. Na prática, o negócio deixa de ser apenas realização profissional e se torna pilar de sustentação familiar, garantia de renda e instrumento de autonomia.
O perfil do empreendedor brasileiro aponta para um cenário cada vez mais feminino, jovem e diverso, reflexo de transformações sociais, econômicas e culturais em curso no país.
No Dia Internacional da Mulher, as histórias mostram que empreender, para muitas brasileiras, é mais do que abrir uma empresa. É ocupar espaços historicamente negados, ampliar possibilidades e redefinir o próprio destino.






















