O Governo de Mato Grosso do Sul lançou nesta quinta-feira (19) o programa MS Trifásico, com investimento de cerca de R$ 172 milhões para ampliar a infraestrutura elétrica no meio rural. A iniciativa prevê a instalação de 2 mil quilômetros de rede trifásica e 500 transformadores, com foco na agricultura familiar, considerada um dos principais entraves ao crescimento do setor produtivo no Estado.
A proposta, executada em parceria com a Energisa, pretende beneficiar cerca de 15 mil produtores em 74 assentamentos distribuídos por 17 municípios. Ao todo, mais de 71 mil famílias estão inseridas nesse segmento em Mato Grosso do Sul.
O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que o programa representa uma mudança estrutural no campo ao permitir que pequenos produtores ampliem a capacidade produtiva.
“É um programa transformador, setenta mil agricultores familiares no Estado, tendo um projeto de três anos, cento e setenta e oito milhões de reais, nós vamos transformar toda essa rede monofásico em trifásico. Isso significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos, utilizar de transformação dessa produção na indústria, na sua propriedade, na indústria familiar”.
Segundo ele, o crescimento econômico recente do Estado aumentou a pressão sobre a demanda energética, evidenciando desigualdades no acesso à infraestrutura.
“A gente tem visto o Estado crescer, nos números que está crescendo. Nos últimos três anos, foram trinta por cento de aumento da demanda de energia elétrica, no consumo de energia elétrica. A demanda é até maior, fruto desse crescimento, mas a gente não pode deixar pra trás o agricultor familiar que tá produzindo alimentos, que tem vontade também de crescer, de avançar, que estava limitado pelo uma rede, por uma rede monofásica pra sua energia”.
Hoje, grande parte das propriedades rurais opera com energia monofásica, modelo que atende apenas necessidades básicas, como iluminação e uso de eletrodomésticos simples. Esse cenário impede a mecanização, a industrialização e a intensificação da produção, especialmente em atividades como a pecuária leiteira e o processamento de alimentos.
Para o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o acesso à energia de qualidade é condição central para o avanço da agricultura familiar.
“Hoje nós temos uma série de programas de intensificação da produção. Melhora da produção leiteira, da agroindustrialização, e eles não são possíveis de avançar se nós não tivermos energia trifásica, né. Com a monofásica, ele não consegue fazer praticamente nada”.
Ele afirma que a energia trifásica funciona como um divisor de águas para o setor. “Olhando para agroindustrialização, pra inserção produtiva, dessas famílias dentro da economia do estado de Mato Grosso do Sul. Então, é crucial que a gente tenha energia trifásica e pra que a gente possa beneficiar a todos no Estado”.
Energia e mercado caminham juntos
Além da infraestrutura, o governo aposta na ampliação de mercado como estratégia para fortalecer a renda no campo. Verruck destacou a criação de um selo que permite a comercialização estadual de produtos da agricultura familiar.
“Nós criamos um selo que permite que o agricultor familiar, que tem o sistema de expressão municipal, comercialize seu produto no estado. Isso é fundamental e tem rapidamente, o graduador ampliou o mercado”.
Segundo o secretário, a ampliação da comercialização exige aumento da capacidade produtiva, o que depende diretamente da energia.
“Então isso amplia o mercado, amplia a renda, amplia a capacidade. Só que aí, governador, para ampliar essa capacidade eu preciso de energia. Para ampliar a intensificação da produção de leite eu preciso de energia”.
Um dos principais obstáculos, segundo o governo, era o alto custo para levar rede trifásica até propriedades isoladas, o que inviabilizava investimentos individuais.
Com o novo modelo, o investimento será dividido entre o Estado e a concessionária.
Expansão em fases e prioridade regional
O programa terá duração de três anos e será implementado de forma gradual, com definição de prioridades conforme a demanda e o impacto regional.
“Fazer tudo em seis meses? Não dá. Nós temos que estabelecer prioridades, vamos começar esse ano, são três anos de projeto, em três anos a gente consolida essa situação”.
A primeira fase deve contemplar municípios como Bonito, Dourados, Maracaju e Rio Brilhante, atendendo mais de 7 mil famílias.
“Revolução” no campo, diz Energisa
Para o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos, o projeto representa uma mudança de patamar no acesso à energia no meio rural.
“O MS Trifásico vai ser também uma grande revolução na vida de todo o produtor rural, toda a família que tem ali o seu negócio de agricultura familiar”.
Ele comparou a iniciativa a projetos anteriores de universalização do acesso à energia, que tinham foco apenas no consumo básico. “Originalmente a gente sabe que esses assentamentos, que essas famílias, elas foram atendidas por um projeto de universalização, sabidamente eu mostro a todos, é um projeto que atendia monofásicamente. E para aquela época isso foi importante porque atendia as necessidades básicas das famílias”.
Com a nova rede, a expectativa é incorporar tecnologia e elevar a produtividade.
“O projeto trifásico permite que a gente incorpore novos processos, adquira novos motores, novos dispositivos para melhorar a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento socioeconômico de todas as famílias aqui que somadas contribuem e muito para o desenvolvimento socioeconômico do Estado”.
Desenvolvimento e inclusão
Além de ampliar a produção, o programa busca reduzir desigualdades históricas no campo e integrar pequenos produtores ao crescimento econômico do Estado.
Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul registrou aumento de cerca de 30% no consumo de energia elétrica, reflexo da expansão industrial e do agronegócio. A avaliação do governo é que o novo programa ajuda a distribuir melhor os benefícios desse crescimento.
A expectativa é que, com energia de maior qualidade, os produtores consigam investir em mecanização, processamento de alimentos, refrigeração, irrigação e outras tecnologias, fatores que impactam diretamente na renda e na permanência das famílias no campo.
Foto: Governo de Mato Grosso do Sul





















