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Em meio a cessar-fogo temporário, líder supremo iraniano anuncia novas regras para o estreito por onde passa 20% do petróleo mundial e pressiona países do Golfo a romperem alinhamento com Washington e Tel Aviv

O líder supremo do Irã, Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou em pronunciamento à nação que o país adotará novas diretrizes para a gestão do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás.

Na declaração, transmitida na noite de quinta-feira (9), o aiatolá também orientou os países do Golfo Pérsico a se distanciarem de Estados Unidos e Israel, além de reforçar que o Irã considera diferentes frentes de atuação no Oriente Médio, incluindo Líbano e Faixa de Gaza.

“Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não fomos e não somos belicistas, mas não renunciaremos a nenhum dos nossos direitos legítimos. E, nesse sentido, consideramos a união de toda a frente de Resistência”, disse Mojtaba Khamenei.

A chamada “frente da Resistência”, ou Eixo da Resistência, reúne grupos que se opõem à política de EUA e Israel na região, como o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, em Gaza, e os Huthis, no Iêmen.

O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás. O fechamento da rota pelo Irã, como resposta aos bombardeios iniciados por EUA e Israel em 28 de fevereiro, provocou alta nos preços da energia em escala mundial.

O pronunciamento ocorreu durante atos que marcaram os 40 dias da morte de Ali Khamenei, pai do atual líder. As homenagens mobilizaram multidões em diferentes cidades iranianas.

Pressão sobre vizinhos

Na mensagem, Mojtaba Khamenei também se dirigiu aos países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita, acusados por Teerã de colaborar com os ataques.

“Aos nossos vizinhos do Sul, eu digo: Vocês estão testemunhando um milagre. Portanto, observem com atenção e compreendam-no bem, permaneçam no lugar certo e cuidado com as falsas promessas dos malignos”, afirmou.

O líder iraniano disse ainda esperar “uma resposta adequada” desses países, indicando que uma aproximação dependeria do afastamento “dos poderes arrogantes que nunca perdem a oportunidade de humilhá-los e explorá-los”.

Mobilização interna

Ao se dirigir à população, o aiatolá pediu a continuidade das manifestações nas ruas, mesmo com o anúncio de negociações. “Assim como fizeram nos últimos 40 dias, essa presença [nas ruas] é um pilar crucial da dignidade sobre a qual o poderoso Irã se estabeleceu”, declarou.

Ele também afirmou que a guerra contribuiu para reduzir divisões internas. “Uma parte significativa dessa união foi conquistada nestes 40 dias. Os corações do povo se aproximaram. O gelo entre os diferentes segmentos com diversas inclinações começou a derreter. Todos se reuniram sob a bandeira da pátria.”

Khamenei ainda orientou a população a lidar com a escassez de recursos e a desconfiar de informações divulgadas por meios de comunicação estrangeiros. “Esses meios de comunicação não desejam o bem do nosso país, e isso já foi comprovado inúmeras vezes. Portanto, devemos evitá-los completamente ou abordar suas publicações com extremo ceticismo”, disse.

Cenário de trégua

Após 40 dias de conflito, EUA, Israel e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas para negociação. Ao mesmo tempo, ofensivas israelenses no Líbano elevaram a tensão e levaram autoridades iranianas a ameaçar romper o acordo.

*Informações: Agência Brasil e Foto: Reprodução/BBC News Brasil

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