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A eleição geral realizada neste domingo (12) no Peru reforça o cenário de instabilidade política no país, que pode ter seu décimo presidente em apenas uma década. Com um número recorde de 35 candidatos na disputa, o pleito já aponta para a realização de segundo turno, diante da fragmentação dos votos.

A apuração começou ainda no fim do dia, e os resultados passaram a ser divulgados por volta da meia-noite. A tendência inicial indica que nenhum candidato alcançou os 50% necessários para vencer no primeiro turno.

Entre os nomes mais bem colocados está Keiko Fujimori, que aparece com cerca de 15% das intenções de voto. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, cujo governo foi marcado por denúncias de autoritarismo, ela deve avançar mais uma vez ao segundo turno. Repetindo o cenário das eleições de 2011, 2016 e 2021, quando acabou derrotada.

A disputa pela segunda vaga permanece indefinida. O candidato Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, surge entre os mais competitivos no campo da direita, em um cenário de empate técnico com outros concorrentes.

O pleito mobilizou cerca de 27 milhões de eleitores, que também escolheram 130 deputados e 60 senadores. A eleição marca ainda a retomada do sistema bicameral no país, com a reabertura do Senado após 33 anos.

Falhas e atrasos na votação

O dia de votação foi marcado por problemas logísticos. Houve atrasos na abertura das urnas e falhas na distribuição de materiais eleitorais. Segundo o chefe do órgão eleitoral peruano, Piero Corvetto, mais de 63 mil pessoas ficaram sem votar apenas na capital.

Diante da situação, foi autorizada a extensão do prazo para que os eleitores afetados possam votar nesta segunda-feira (13).

Disputa ideológica e cenário externo

Especialistas avaliam que o resultado da eleição também tem impacto na disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina. O professor Gustavo Menon destaca que o Peru tem papel estratégico nesse contexto, especialmente pela crescente integração comercial com a Ásia por meio do porto de Chancay.

No campo político, a possibilidade de um segundo turno entre candidatos de direita reforça o discurso de endurecimento contra a criminalidade e a corrupção, temas centrais na campanha.

Fragmentação e risco de governabilidade

A dispersão dos votos entre dezenas de candidatos amplia a incerteza sobre o futuro político do país. Mais de 60% do eleitorado optou por nomes fora do grupo dos líderes, o que pode influenciar diretamente o resultado do segundo turno, marcado para 7 de junho.

Analistas apontam que o próximo presidente deverá enfrentar um Congresso dividido, o que pode dificultar a implementação de políticas públicas e até ameaçar a permanência no cargo.

Histórico recente de instabilidade

Na última eleição, em 2021, venceu Pedro Castillo, professor rural de centro-esquerda, considerado uma surpresa eleitoral por não figurar entre os mais bem colocados na época. Castillo acabou afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, tendo sido condenado, em novembro de 2025, a mais de 11 anos de prisão por “rebelião”.

Sua vice, Dina Boluarte, assumiu o cargo, mas foi destituída após repressão violenta a protestos, que deixou 49 mortos, segundo a Anistia Internacional.

Desde então, o país passou por novas trocas no poder, com governos interinos e forte protagonismo do Congresso, apontado como principal centro de decisão política no Peru.

Diante desse histórico, o resultado da eleição reforça o clima de incerteza e mantém aberto o cenário para qualquer desfecho no segundo turno.

*Informações: AGência Brasil e G1

*Imagem: Freepik

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