Mais de 3 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade receberam absorventes gratuitos no Brasil nos últimos dois anos por meio do programa Dignidade Menstrual, que busca enfrentar a pobreza menstrual e ampliar o acesso a itens básicos de higiene.
Desde 2024, foram distribuídas cerca de 500 milhões de unidades, com investimento superior a R$ 248 milhões. O benefício é destinado a pessoas de 10 a 49 anos inscritas no CadÚnico, com renda mensal de até R$ 218, além de estudantes da rede pública de baixa renda e pessoas em situação de rua.
A iniciativa passou a ser operacionalizada dentro do Farmácia Popular, permitindo a retirada dos absorventes em farmácias credenciadas mediante autorização.
Segundo o coordenador-geral do programa, Bruno Fernandes, a falta de acesso a absorventes tem impacto direto na educação e no cotidiano de quem menstrua. “O nosso público-alvo vai de 10 a 49 anos, mas existem estudos que mostram que as meninas, principalmente no período escolar, chegam a perder de quatro a seis dias de aulas por mês. Isso é uma perda significativa na educação”, afirmou.
Ele também destacou que o problema vai além da escola. “Além das meninas que perdem aula, nós temos diversas outras situações em que as mulheres são privadas da cultura, do lazer, do próprio trabalho, por falta desse item tão básico de saúde, de higiene. Esse item traz dignidade, traz mais igualdade de gênero. Então, não é só um programa de saúde, ele traz vários outros benefícios juntos”, disse.
O acesso ao benefício foi ampliado ao longo do período. Desde 2025, Unidades Básicas de Saúde passaram a emitir a autorização necessária para retirada dos absorventes, que também pode ser obtida pelo aplicativo Meu SUS Digital ou por plataformas vinculadas a programas educacionais. O documento tem validade de 180 dias e permite a retirada de até 40 unidades a cada 56 dias.
A estratégia inclui ainda o envio de notificações por aplicativos e mensagens para informar possíveis beneficiárias sobre o direito ao programa, numa tentativa de ampliar o alcance da política pública.
Apesar do avanço na distribuição, especialistas apontam que a pobreza menstrual ainda é um desafio estrutural no país, associado à desigualdade social e à falta de acesso a itens básicos de higiene. A ampliação do programa e a melhoria na informação sobre o benefício são vistas como medidas centrais para reduzir esse impacto.
Com informações e imagem do Governo Federal






















