O Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes permanentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, segundo dados divulgados na última quinta-feira (30) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento aponta que pessoas de cerca de 200 nacionalidades vivem atualmente no país, com predominância de venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.
De acordo com o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), os venezuelanos formam o maior grupo, com cerca de 680 mil pessoas no início de 2026. A maioria é composta por mulheres e crianças de até 14 anos.
O estudo subsidia a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, instituída no fim de 2025, e analisa a evolução dos fluxos migratórios, a distribuição territorial e as condições de inserção dessa população no país.
Trabalho impulsiona migração
O mercado de trabalho aparece como principal fator de atração. Entre 2023 e 2025, o número de imigrantes com carteira assinada cresceu 54%, superando 414 mil vínculos formais. Desse total, 43% estão concentrados na indústria, com destaque para o setor de abate de animais na região Sul.
Venezuelanos lideram também no emprego formal, com mais de 201 mil trabalhadores registrados. Haitianos aparecem em seguida, com 51,2 mil, e cubanos, com 30,7 mil.
Apesar do avanço, o relatório aponta distorções. Muitos imigrantes com ensino superior ocupam postos de baixa qualificação e renda, reflexo de dificuldades como o reconhecimento de diplomas e barreiras institucionais.
No trabalho doméstico, a informalidade predomina: em 2024, 78,8% dos trabalhadores migrantes atuavam sem carteira assinada.
Cresce acesso a programas sociais
Os dados mostram também aumento na inclusão dessa população em políticas públicas. O número de migrantes inscritos no Cadastro Único passou de 562 mil, em 2023, para 650 mil em 2024. Mais da metade é formada por mulheres.
Houve crescimento expressivo no número de crianças e adolescentes migrantes atendidos pelo sistema de assistência social, o que, segundo o relatório, reforça a necessidade de integração entre políticas de educação, assistência e proteção à infância.
Educação e desafios de integração
A presença de estudantes imigrantes na educação básica aumentou 437% desde 2010, passando de cerca de 42 mil para mais de 224 mil matrículas. No ensino superior, o crescimento foi de 77,5% no mesmo período.
Apesar da ampliação do acesso, persistem desafios relacionados à inclusão linguística, adaptação pedagógica e capacidade das redes de ensino para absorver essa demanda.
Concentração regional
Os migrantes estão concentrados principalmente em estados com maior dinamismo econômico. São Paulo lidera, com 140 mil registros no Cadastro Único, seguido por Paraná e Roraima. Estados do Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também se destacam como polos de atração.
Política migratória e próximos passos
Representantes de organismos internacionais destacaram o modelo brasileiro como referência. Para a Agência da ONU para Refugiados, a produção de dados qualificados é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
O relatório recomenda ampliar ações de integração, como reconhecimento de diplomas, qualificação profissional e fortalecimento da cooperação entre União, estados e municípios.
A avaliação é que o país avançou na estrutura de acolhimento, mas ainda enfrenta desafios para garantir inserção plena e equitativa dessa população, especialmente no acesso ao trabalho formal e a serviços públicos.
Com informações e imagem da Agência Brasil




















