A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China nesta quarta-feira (13) ocorre em um dos momentos mais delicados da geopolítica internacional nos últimos anos. O encontro com o presidente chinês Xi Jinping acontece em meio ao agravamento da guerra no Irã, à escalada da tensão econômica global e ao aprofundamento da disputa estratégica entre as duas maiores potências do planeta.
A reunião, acompanhada com atenção por mercados e governos de diversos países, tem como pano de fundo uma combinação de crise militar, embate comercial e disputa tecnológica. Analistas avaliam que o conflito no Oriente Médio alterou o equilíbrio das negociações entre Washington e Pequim e enfraqueceu a posição dos Estados Unidos nas tratativas diplomáticas.
Inicialmente previsto para março, o encontro entre Trump e Xi foi adiado após o avanço da ofensiva militar liderada pelos EUA contra o Irã, no fim de fevereiro. A guerra provocou instabilidade no mercado internacional de petróleo, pressionou economias dependentes da importação de energia e afetou diretamente os interesses chineses na região.
A China é atualmente uma das principais compradoras do petróleo iraniano e defende a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% do petróleo mundial antes da intensificação do conflito.
Além da crise militar, a reunião ocorre em meio à continuidade da guerra tarifária iniciada por Trump no começo de seu segundo mandato. Desde 2025, os EUA ampliaram tarifas sobre produtos chineses, alegando necessidade de proteger a indústria norte-americana e conter o avanço tecnológico de Pequim.
A resposta chinesa incluiu restrições à exportação de minerais de terras raras, insumos considerados estratégicos para os setores militar, tecnológico e de transição energética dos Estados Unidos. O movimento elevou a pressão sobre Washington e obrigou o governo norte-americano a rever parte das medidas tarifárias adotadas anteriormente.
Segundo o analista geopolítico Marco Fernandes, integrante do Conselho Popular do Brics, o cenário internacional reduziu a capacidade de pressão de Trump durante as negociações com Xi Jinping.
“Trump imaginava chegar a Pequim em posição de força após a ofensiva no Oriente Médio, mas o prolongamento da guerra e a resistência iraniana mudaram completamente o cenário”, afirmou.
O professor de Relações Internacionais do Ibmec, José Luiz Niemeyer, avalia que a China entra na reunião em posição diplomática mais confortável.
“Foi Trump quem viajou para Pequim, e não Xi para Washington. Isso demonstra uma necessidade maior de aproximação por parte dos Estados Unidos”, analisou.
Taiwan e influência global
Outro ponto central da reunião será a questão de Taiwan. O governo chinês mantém oposição firme a qualquer iniciativa que fortaleça a independência da ilha, considerada por Pequim parte inseparável do território chinês.
Nos últimos meses, os EUA ampliaram negociações para venda de armamentos a Taiwan, movimento criticado pelo governo chinês e visto como ameaça direta à política de “uma só China”.
A tensão entre os dois países também se estende à influência geopolítica na América Latina. A gestão Trump passou a reforçar o discurso de combate ao avanço econômico chinês no continente, enquanto Pequim amplia sua presença comercial e estratégica na região.
Hoje, a China é o principal parceiro comercial da maior parte dos países sul-americanos, incluindo o Brasil, posição anteriormente ocupada pelos Estados Unidos até o início dos anos 2000.
Brasil no centro da disputa
Especialistas avaliam que o Brasil pode assumir papel estratégico no cenário internacional devido às grandes reservas de minerais críticos existentes no país. O território brasileiro concentra cerca de 22% das reservas globais desses materiais, atrás apenas da China.
Os chamados minerais de terras raras são considerados essenciais para a fabricação de componentes eletrônicos, baterias, equipamentos militares, turbinas e tecnologias ligadas à transição energética.
Segundo José Luiz Niemeyer, o Brasil pode aproveitar a disputa entre Washington e Pequim para ampliar sua relevância econômica e diplomática.
“Em momentos de tensão comercial entre China e Estados Unidos, o Brasil pode ocupar espaços estratégicos no fornecimento de produtos e minerais que se tornam alvo de disputa entre as duas potências”, afirmou.
Marco Fernandes avalia que o desafio brasileiro será transformar essa posição estratégica em ganhos econômicos e políticos sem perder autonomia internacional.
“O Brasil está no centro dessa disputa global por minerais críticos e precisará agir de forma soberana para defender seus próprios interesses”, destacou.
A expectativa internacional é de que o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping possa sinalizar possíveis caminhos para redução das tensões comerciais e diplomáticas. No entanto, analistas avaliam que as divergências entre Washington e Pequim continuam profundas e devem seguir influenciando a economia e a política mundial nos próximos anos.
Com informações da Agência Brasil






















