O envelhecimento da população brasileira deve transformar profundamente o mercado de saúde nas próximas décadas. Um estudo divulgado nesta sexta-feira (15) aponta que pessoas com 50 anos ou mais serão responsáveis por metade de todo o consumo das famílias brasileiras com produtos e serviços de saúde até 2044.
A chamada “geração prateada”, termo usado para definir a população acima dos 50 anos, deve movimentar cerca de R$ 559 bilhões em despesas com medicamentos, planos de saúde, exames, suplementos e tratamentos médicos dentro de um mercado estimado em R$ 1,1 trilhão.
O levantamento “Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções” foi elaborado pela empresa de pesquisas data8, especializada em envelhecimento e longevidade, e revela o impacto crescente do avanço da expectativa de vida sobre a economia brasileira.
Atualmente, a população com mais de 50 anos representa 27% dos brasileiros, cerca de 59 milhões de pessoas. Mesmo assim, já responde por 35% dos gastos com saúde no país. A projeção indica que, em 2044, esse grupo chegará a 92 milhões de pessoas, equivalente a 40% da população nacional.
Segundo a coordenadora da pesquisa, Lívia Hollerbach, o ritmo acelerado desse crescimento chamou atenção dos pesquisadores.
“Nos surpreendeu perceber que, em menos de 20 anos, essa população já será responsável por metade de todo o consumo em saúde no Brasil”, afirmou à Agência Brasil.
O estudo mostra ainda que os gastos com saúde pesam mais no orçamento conforme o avanço da idade. Enquanto brasileiros com menos de 50 anos destinam, em média, 8% da renda para despesas relacionadas à saúde, entre as pessoas acima dos 50 anos esse percentual sobe para 14%.
A diferença se torna ainda mais evidente nas faixas etárias mais elevadas. Pessoas entre 50 e 54 anos comprometem cerca de 11% do orçamento mensal com saúde. Entre idosos de 70 a 74 anos, o índice chega a 18%. Já entre aqueles com 80 anos ou mais, o percentual alcança 21% da renda.
Os principais gastos da geração prateada estão concentrados em planos de saúde, medicamentos e suplementos, que juntos representam 79% das despesas mensais do grupo.
Para especialistas, os números refletem uma mudança demográfica acelerada que deve pressionar tanto o sistema público quanto a rede privada de saúde.
Segundo Lívia Hollerbach, o país ainda enfrenta dificuldades estruturais para atender à crescente demanda de uma população que envelhece rapidamente, especialmente em regiões mais vulneráveis.
“A demanda por cuidado e atenção à saúde já supera, em muitos locais, a capacidade de resposta disponível, tanto do setor público quanto do privado”, afirmou.
O estudo aponta que o aumento da longevidade exigirá investimentos em cuidados de longa duração, medicina preventiva e políticas voltadas ao envelhecimento saudável.
A coordenadora destaca que o desafio não é apenas ampliar a expectativa de vida, mas garantir qualidade durante o envelhecimento.
“Isso só será possível com programas, produtos e serviços focados em prevenção e qualidade de vida”, disse.
Nos últimos anos, o Brasil vem registrando aumento contínuo da expectativa de vida. Dados mais recentes do IBGE mostram que os brasileiros vivem, em média, 76,6 anos, o maior índice já registrado no país.
O avanço da população idosa já provoca mudanças em diferentes setores da economia, como mercado imobiliário, turismo, alimentação, tecnologia e serviços financeiros. Na saúde, porém, os impactos devem ser ainda mais profundos devido ao aumento da demanda por acompanhamento médico contínuo, tratamentos especializados e medicamentos de uso prolongado.
Com informações e imagem da Agência Brasil






















