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CNC prevê R$ 9,27 bilhões em vendas, alta de 1,8% em relação a 2025; cesta de produtos da data deve ficar 6,7% mais cara.

O Dia das Crianças deve movimentar R$ 9,27 bilhões no comércio brasileiro em 2026, com crescimento de 1,8% em relação ao ano passado, quando as vendas somaram R$ 9,11 bilhões. A estimativa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que aponta uma expansão moderada diante dos juros elevados, do endividamento das famílias e do aumento dos preços de produtos ligados à data.

Considerada a quarta data mais importante do calendário do varejo nacional, a comemoração, celebrada em 12 de outubro, deve impulsionar principalmente o comércio de brinquedos, artigos para uso doméstico, alimentos, roupas e acessórios. A movimentação também alcança o setor de serviços, com reflexos em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos de lazer.

O segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui principalmente brinquedos, deve concentrar a maior parcela do faturamento previsto, com R$ 3,62 bilhões, o equivalente a 39% do total. Os hipermercados e supermercados aparecem em segundo lugar, com expectativa de R$ 2,63 bilhões em vendas. Já o setor de vestuário e acessórios deve movimentar R$ 1,35 bilhão.

Apesar da perspectiva de crescimento, a projeção indica que o consumo deve avançar em ritmo limitado, influenciado pelo custo do crédito e pelo comprometimento da renda das famílias com dívidas.

Juros e endividamento pressionam consumo

Segundo a CNC, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano em agosto, o maior patamar para o mês desde 2016. O cenário é acompanhado pelo elevado endividamento: dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostram que 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, enquanto 29,9% estão com contas em atraso.

Outro fator que pode limitar o poder de compra é a alta dos preços dos produtos associados à comemoração. A cesta analisada pela CNC deve registrar aumento médio de 6,7% em relação ao ano anterior.

Entre os itens com os maiores reajustes estão chocolates, com alta de 19,3%, videogames, com 11,2%, lanches, com 8%, e brinquedos, com 7,1%.

Os aumentos podem levar consumidores a rever escolhas, comparar preços e ajustar os gastos ao orçamento disponível. Mesmo com o apelo da data, a combinação de produtos mais caros e crédito oneroso tende a restringir compras de maior valor.

Comércio e serviços também devem se beneficiar

Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, a data tem efeitos que vão além das lojas de brinquedos e alcançam diferentes atividades econômicas.

“O Dia das Crianças é uma data que mobiliza diversos segmentos da economia. Além das lojas de brinquedos, observamos reflexos positivos em setores como vestuário, calçados, alimentação e lazer”, afirma.

Segundo Wertheimer, a comemoração também estimula encontros familiares e aumenta a movimentação em restaurantes, lanchonetes e espaços de entretenimento. Ele avalia que, mesmo em um cenário econômico mais restritivo, a data continua contribuindo para a geração de renda e empregos.

A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF MS), Regiane Dedé, também aponta a influência do apelo emocional das datas comemorativas sobre as decisões de compra.

“A pesquisa mostra que, embora haja expectativa de crescimento nas vendas, o consumo segue condicionado por fatores como juros elevados, crédito mais caro e o elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas”, diz.

Para a economista, a projeção da CNC indica resistência do varejo, mas também evidencia a cautela dos consumidores diante das condições econômicas.

Crescimento deve continuar moderado

A análise da CNC considera que o mercado de trabalho segue contribuindo para sustentar o consumo. No entanto, a redução lenta dos juros ao longo de 2026 deve limitar uma expansão mais expressiva das vendas nos próximos meses.

Com isso, o Dia das Crianças permanece como uma das principais oportunidades comerciais do segundo semestre, mas em um ambiente no qual o aumento da movimentação financeira não significa, necessariamente, maior facilidade de compra para as famílias.

Com informações e imagem da Fecomércio-MS

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