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Estado registrou 166 ocorrências de fogo no Pantanal em 2026, com mais de 124,4 mil hectares queimados; previsão indica calor acima da média e exige atenção para o próximo ano

Mato Grosso do Sul mantém as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em meio à influência do El Niño, fenômeno climático que deve elevar as temperaturas e alterar o regime de chuvas nos próximos meses. Embora a temporada de 2026 tenha registrado poucos grandes incêndios, a previsão de calor intenso e a possibilidade de redução dos níveis dos rios preocupam as equipes de monitoramento para 2027.

No Pantanal, foram registrados 166 eventos de fogo neste ano, que atingiram mais de 124,4 mil hectares. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) mantém o trabalho de prevenção e atendimento às ocorrências durante todo o ano, tanto no bioma pantaneiro quanto no Cerrado e na Mata Atlântica.

A Operação Pantanal 2026 continua com equipes avançadas em campo, bases operacionais e militares especializados. Segundo o governo estadual, a preparação para o período de estiagem, associada às condições climáticas, contribuiu para uma temporada dentro dos padrões de normalidade, com poucos casos de grandes incêndios florestais.

De acordo com o subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, as chuvas registradas ao longo do ano ajudaram a reduzir a preocupação com o fogo.

“A questão do impacto do El Niño para este ano, que provocou chuvas acima da média, mais espaçadas ao longo do ano, é bem parecido com o que nós tivemos em 2025. Pensando em incêndios florestais é uma situação que dá mais tranquilidade”, explicou.

Apesar do cenário relativamente favorável em 2026, a previsão do perigo de fogo elaborada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que o trimestre entre novembro deste ano e janeiro de 2027 deve exigir atenção. A expectativa é de temperaturas acima da média e maior probabilidade de episódios de calor intenso.

Risco de antecipação dos incêndios

A distribuição irregular das chuvas pode alternar períodos de precipitação com intervalos mais secos, o que influencia as condições de umidade da vegetação e o risco de propagação do fogo.

Para o major Eduardo Teixeira, uma das principais preocupações para 2027 é a situação dos rios, que se aproximam de níveis historicamente baixos. Dependendo do comportamento das chuvas nos próximos meses, a temporada de incêndios florestais poderá começar mais cedo.

“Para o próximo ano, a gente já inicia com preocupação maior em relação ao nível dos rios, porque nós estamos muito próximo das mínimas históricas. Este cenário dependendo de como aconteceram as chuvas, podem antecipar a temporada de incêndios em 2027. O efeito do El Niño que a gente percebe com maior clareza é justamente as temperaturas mais elevadas acima da média histórica”, disse o major Teixeira.

O fenômeno climático altera os padrões de temperatura, chuva e ventos. Em Mato Grosso do Sul, a combinação entre calor intenso e períodos de estiagem pode aumentar o risco de incêndios, especialmente quando a vegetação perde umidade.

Previsão indica chuvas acima da média

Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) apontam tendência de precipitação acima da média histórica em Mato Grosso do Sul, acompanhada de temperaturas também superiores à média e risco de ondas de calor.

O cenário não significa, necessariamente, chuva distribuída de maneira uniforme ao longo dos meses. A alternância entre períodos chuvosos e intervalos de tempo seco pode favorecer condições distintas em cada região do estado.

O aquecimento durante o dia também contribui para a formação de instabilidades atmosféricas, que podem provocar tempestades severas de curta duração, com chuva intensa, vendavais, raios e queda de granizo.

Segundo a meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, a relação entre o El Niño e os incêndios florestais depende das características de cada episódio do fenômeno e das condições climáticas registradas no estado.

“A análise integrada dos dados meteorológicos e do histórico climático demonstra que a ocorrência de incêndios florestais e o impacto do El Niño em Mato Grosso do Sul não seguem uma resposta linear ou padronizada, uma vez que cada evento do fenômeno possui características distintas. Para o próximo trimestre, as projeções indicam maior frequência no volume de chuvas, com atuação direta na manutenção da umidade do solo e na redução da probabilidade de fogo na maior parte do território”, explicou.

A previsão de chuvas mais frequentes pode contribuir para manter a umidade do solo e reduzir o perigo de fogo em boa parte de Mato Grosso do Sul. Ainda assim, as condições meteorológicas e os níveis dos rios continuarão sendo monitorados para orientar as ações preventivas e a resposta a possíveis incêndios.

Com informações do Governo de Mato Grosso do Sul. Imagens: CBMMS (destaque) e cabo Vitor Lima

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