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Doença matou mais de 85 mil brasileiros em 2024; reconhecimento dos sintomas e atendimento rápido ajudam a reduzir o risco de sequelas

O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, exige atendimento médico imediato. Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio da boca e perda repentina da visão estão entre os sinais que podem indicar o problema. No Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sintomas e procurar socorro sem demora.

Dados da Sociedade Brasileira de AVC indicam que mais de 85 mil brasileiros morreram em decorrência da doença em 2024. A rapidez no atendimento influencia as possibilidades de tratamento e recuperação, além de reduzir o risco de sequelas neurológicas permanentes.

O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando há rompimento de um vaso sanguíneo. Com a falta de oxigênio, as células cerebrais começam a morrer, o que pode comprometer funções como movimentos, fala, visão e memória.

Segundo o neurocirurgião Hugo Sterman Neto, do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é determinante para o tratamento.

“Existe uma máxima na neurologia que resume bem a urgência desses casos: time is brain (em português, tempo é cérebro). A cada minuto sem atendimento, há perda de neurônios, o que pode comprometer de forma definitiva funções importantes”, explica.

Quais são os sintomas de um AVC?

Os sinais geralmente aparecem de forma súbita. Entre os principais estão:

  • Perda de força ou dormência em um lado do corpo;
  • Desvio da boca;
  • Dificuldade para falar ou fala enrolada;
  • Dificuldade para compreender frases simples;
  • Perda repentina do equilíbrio;
  • Tontura intensa;
  • Visão dupla, turva ou perda súbita da visão;
  • Dor de cabeça súbita e intensa, especialmente em casos de AVC hemorrágico.

De acordo com o especialista, essas manifestações são chamadas de déficits neurológicos focais, alterações provocadas pelo comprometimento de regiões específicas do cérebro.

O que fazer diante de uma suspeita?

Ao identificar um ou mais desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o serviço de emergência, pelo Samu (192), ou procurar atendimento hospitalar. Não se deve esperar que os sinais desapareçam espontaneamente.

Também é importante registrar o horário em que os sintomas começaram. A informação ajuda a equipe médica a definir as possibilidades de tratamento.

“É sempre melhor investigar e descartar o diagnóstico no hospital do que esperar em casa acreditando que o sintoma vai passar. Muitas vezes, o atraso compromete tratamentos que poderiam mudar completamente o prognóstico”, afirma Sterman Neto.

Quanto tempo existe para tratar um AVC?

No AVC isquêmico, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo, alguns tratamentos dependem de uma janela terapêutica específica, definida conforme o quadro clínico e os exames do paciente. Em geral, a intervenção nas primeiras horas oferece melhores possibilidades de recuperação.

O atendimento rápido permite avaliar a possibilidade de restabelecer o fluxo sanguíneo ou controlar um sangramento, dependendo do tipo de AVC.

A estrutura hospitalar também influencia o atendimento. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são necessários para identificar o tipo de lesão e orientar a conduta médica.

Quais são os tipos de AVC?

Existem duas formas principais da doença:

AVC isquêmico: ocorre quando um vaso sanguíneo é obstruído, impedindo que o sangue chegue a determinada região do cérebro. É o tipo mais frequente.

AVC hemorrágico: acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento dentro do cérebro ou em estruturas próximas.

Os tratamentos são diferentes para cada tipo. Por isso, a realização de exames de imagem é fundamental para estabelecer o diagnóstico.

Jovens também podem ter AVC?

Embora o risco aumente com o envelhecimento, o AVC também pode atingir pessoas jovens. Entre os fatores associados estão malformações vasculares, alterações na coagulação, hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo.

“O AVC não é uma condição exclusiva de idosos. Embora seja mais frequente com o envelhecimento, sintomas neurológicos súbitos em qualquer idade precisam ser investigados”, alerta o médico.

Como prevenir um AVC?

A prevenção envolve principalmente o controle dos fatores de risco. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Controlar a pressão arterial;
  • Tratar diabetes e colesterol elevado;
  • Não fumar;
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Manter uma alimentação equilibrada;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Fazer acompanhamento médico periódico.

O controle dessas condições ajuda a reduzir o risco de AVC e de outras doenças cardiovasculares.

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