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Disputa renova todas as cadeiras da Câmara e parte do Senado, além de escolher governadores em 36 estados. Resultado pode alterar a força política do presidente no Congresso até o fim do mandato

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher novos representantes no Congresso e governadores em 36 estados. Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato são consideradas um teste para o governo de Donald Trump, já que podem alterar a composição do Legislativo e, consequentemente, a capacidade do presidente de aprovar suas propostas.

Mais de 50 milhões de americanos já votaram antecipadamente. A disputa envolve a renovação das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, de 35 das 100 vagas do Senado e dos governos de 36 estados.

As projeções mais recentes indicam vantagem dos democratas na disputa pela Câmara, enquanto a corrida pelo Senado permanece mais equilibrada, com uma leve vantagem para o partido de oposição, segundo levantamentos eleitorais.

O resultado será decisivo para definir quem terá o controle do Congresso nos próximos dois anos. Atualmente, o Partido Republicano, legenda de Trump, possui maioria nas duas Casas. Na Câmara, são 218 representantes republicanos contra 214 democratas, além de um deputado independente e duas cadeiras vagas. No Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras.

A maioria legislativa permite que o presidente tenha mais facilidade para aprovar projetos e conduzir a agenda do governo. Mesmo com o controle das duas Casas, Trump enfrentou resistência de parlamentares do próprio partido em algumas votações, em razão da pequena diferença entre as bancadas.

Uma eventual derrota republicana na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas pode dificultar a aprovação de propostas do governo e ampliar o poder de fiscalização dos parlamentares sobre as ações presidenciais.

O que são as eleições de meio de mandato?

As midterms recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial, que nos Estados Unidos tem duração de quatro anos. Diferentemente do Brasil, o Congresso americano passa por renovações parciais a cada dois anos.

Os deputados da Câmara dos Representantes têm mandatos de dois anos. Já os senadores permanecem no cargo por seis anos, com aproximadamente um terço das cadeiras submetido à votação a cada eleição.

Em 2024, quando Trump foi eleito, os republicanos conquistaram maioria nas duas Casas do Congresso. O presidente tomou posse em janeiro de 2025, assim como os parlamentares escolhidos naquele pleito.

Os eleitos nesta terça-feira assumirão os cargos em janeiro de 2027. Trump, por sua vez, não disputa a eleição e permanece na Presidência até janeiro de 2029.

A próxima eleição presidencial está prevista para 2028, quando também haverá uma nova disputa por todas as cadeiras da Câmara e por aproximadamente um terço das vagas do Senado.

Por que as eleições acontecem em uma terça-feira de novembro?

A escolha do dia e do mês das eleições americanas tem origem em uma lei aprovada pelo Congresso em 1845. Na época, os Estados Unidos ainda tinham uma população predominantemente rural, e os parlamentares consideraram aspectos da rotina agrícola e das condições de deslocamento dos eleitores.

Novembro foi escolhido por coincidir com o período posterior às colheitas. O mês também oferecia condições climáticas consideradas mais favoráveis, com temperaturas de outono, antes da chegada do inverno rigoroso.

A terça-feira foi definida para facilitar a participação de quem precisava percorrer longas distâncias até os locais de votação. Como muitos eleitores viviam em áreas rurais, era comum que precisassem sair de casa com um dia de antecedência.

A segunda-feira permitiria o deslocamento, enquanto a terça-feira seria reservada à votação. Assim, os eleitores também conseguiriam retornar a tempo para as atividades comerciais realizadas às quartas-feiras.

Outro aspecto cultural considerado na época foi a organização da semana. Os domingos eram tradicionalmente reservados às atividades religiosas, enquanto as quartas-feiras tinham importância para o comércio em regiões rurais.

A legislação de 1845 estabeleceu que as eleições presidenciais fossem realizadas na primeira terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro. Em 1872, a regra foi estendida às eleições para a Câmara dos Representantes, a partir de 1876. Posteriormente, passou a valer também para as disputas do Senado.

A definição também evita que a votação aconteça em 1º de novembro, data em que é celebrado o Dia de Todos os Santos.

Neste ano, como a primeira segunda-feira de novembro é dia 2, a votação foi marcada para esta terça-feira (3).

Nos últimos anos, movimentos nos Estados Unidos passaram a defender a realização das eleições aos sábados ou domingos. O argumento é que a mudança poderia facilitar a participação de trabalhadores, já que o voto no país não é obrigatório.

Como funciona a data das eleições no Brasil?

No Brasil, a legislação também estabelece regras para a realização das eleições. A Constituição Federal determina que o primeiro turno das eleições presidenciais aconteça no primeiro domingo de outubro.

Caso seja necessário um segundo turno, a votação ocorre no último domingo do mesmo mês. A exceção foi em 2020, quando o calendário eleitoral precisou ser alterado em razão da pandemia de covid-19.

Além disso, o Código Eleitoral brasileiro estabelece que o dia das eleições seja considerado feriado nacional, medida que busca facilitar o comparecimento dos eleitores aos locais de votação.

*Com informações G1

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