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Levantamento nacional mostra redução no número de leitores; reportagem reuniu sugestões de livros de diferentes gêneros

Celebrado nesta quarta-feira (7), o Dia do Leitor chama a atenção para a importância da leitura no desenvolvimento educacional, cultural e social. Mas os números mostram que o hábito ainda é pouco presente no dia a dia dos brasileiros. Segundo a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 53% da população não leu nem parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa, e apenas 27% leram um livro inteiro nesse período. O levantamento também indica que o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos quatro anos.

A falta de tempo, a concorrência com conteúdos digitais e o desinteresse por livros podem ser alguns dos fatores que contribuem para esse cenário. Mesmo assim, manter o hábito de leitura é considerado essencial para o acesso ao conhecimento, à formação crítica e ao desenvolvimento pessoal.

Além dos dados sobre o hábito de leitura, indicadores educacionais mostram que o país avançou na alfabetização. Segundo o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 93% da população brasileira com 15 anos ou mais sabe ler e escrever. Ainda assim, a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024 aponta que o contato efetivo com livros segue limitado. De acordo com o levantamento, o brasileiro lê, em média, 3,96 livros por ano, o menor índice da série histórica, em um contexto de crescimento do uso de redes sociais e outras plataformas digitais, especialmente entre pessoas de 11 a 49 anos.

Para ajudar quem quer retomar o hábito da leitura ou descobrir novos títulos, selecionamos uma lista de obras clássicas e contemporâneas. Entre romances brasileiros e estrangeiros, distopias, clássicos e livros de realismo mágico, a seleção contempla diferentes estilos e temas, oferecendo opções para variados perfis de leitores, desde quem está começando a ler até quem já mantém a prática regularmente. Confira abaixo 15 obras que separamos para aproveitar o tempo das férias e colocar a leitura em dia:

Orgulho e Preconceito, Jane Austen — 1813
A obra acompanha a história de Elizabeth Bennet e sua relação com o reservado Sr. Darcy, em meio à sociedade inglesa do início do século XIX. O livro aborda temas como relações sociais, casamento, classe social e moralidade. A narrativa destaca os conflitos provocados por julgamentos precipitados e convenções sociais rígidas. Com ironia e observação social, Jane Austen constrói um retrato crítico dos costumes da época.

Frankenstein, Mary Shelley — 1818
A obra narra a história do cientista Victor Frankenstein, que cria uma criatura a partir de experimentos científicos e passa a enfrentar as consequências de sua ambição. O livro aborda temas como limites da ciência, responsabilidade moral, solidão e rejeição. A narrativa também discute a relação entre criador e criação, além das consequências do isolamento social. Considerado um dos primeiros romances de ficção científica, o livro segue atual ao provocar reflexões éticas sobre o avanço científico.

Noites brancas, Fiódor Dostoiévski — 1848
O livro apresenta a história de um jovem sonhador e solitário que vive em São Petersburgo e estabelece uma breve relação com uma mulher durante quatro noites de verão. A narrativa aborda temas como solidão, idealização do amor e conflito entre fantasia e realidade. Com tom intimista, a obra explora os sentimentos e pensamentos do protagonista, marcados pela introspecção e pela sensibilidade. O texto também retrata a vida urbana e emocional do indivíduo no século XIX.

O morro dos ventos uivantes, Emily Brontë — 1847
O romance retrata a relação intensa e conflituosa entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, marcada por paixão, ressentimento e vingança. Ambientada nos campos isolados do interior da Inglaterra, a narrativa aborda temas como amor obsessivo, sofrimento, orgulho e destruição emocional. A obra também discute as consequências do ódio e das diferenças sociais ao longo de gerações. Com atmosfera sombria, o livro é considerado um dos grandes clássicos da literatura inglesa.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis — 1881
Narrado por um protagonista já falecido, o livro rompe com a estrutura tradicional do romance ao apresentar reflexões irônicas sobre a vida, a sociedade e a condição humana. A obra aborda temas como vaidade, egoísmo, hipocrisia social e as contradições da elite brasileira do século XIX. Com humor ácido e crítica social, Machado de Assis propõe uma análise profunda do comportamento humano. O romance é considerado um marco do Realismo no Brasil.

A morte de Ivan Ilitch, Liev Tolstói — 1886
A obra acompanha a trajetória de Ivan Ilitch, um juiz que, ao adoecer gravemente, passa a refletir sobre a própria vida e as escolhas que fez. O livro aborda temas como a finitude da vida, o vazio das convenções sociais e a busca por sentido diante da morte. A narrativa expõe a superficialidade das relações e a indiferença social frente ao sofrimento individual. Considerado um dos textos mais marcantes de Tolstói, o livro propõe uma reflexão profunda sobre moral, existência e autenticidade.

Capitães de Areia, Jorge Amado — 1937
O livro retrata a vida de um grupo de meninos em situação de rua que vive em Salvador, à margem da sociedade. A narrativa aborda temas como abandono, desigualdade social, violência, amizade e sobrevivência. Ao acompanhar o cotidiano dos jovens, a obra expõe falhas estruturais do Estado e a falta de políticas de proteção à infância. O romance também discute a construção da identidade e os impactos do meio social na formação dos indivíduos.

Vidas Secas, Graciliano Ramos — 1938
A obra retrata a vida de uma família de retirantes que enfrenta a seca e a pobreza no sertão nordestino. A narrativa acompanha Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia, evidenciando a luta diária pela sobrevivência. O livro aborda temas como miséria, desigualdade social, opressão e a relação do homem com o ambiente hostil. Com linguagem direta e econômica, a obra é um marco do romance social brasileiro e oferece um retrato crítico das condições de vida no sertão.

O sol é para todos, Harper Lee — 1960
Ambientado no sul dos Estados Unidos durante a década de 1930, o livro aborda temas como racismo, injustiça social e empatia a partir do olhar da criança Scout Finch. A narrativa acompanha o julgamento de um homem negro acusado injustamente de um crime e a atuação de seu pai, o advogado Atticus Finch. A obra discute valores morais, preconceitos estruturais e o amadurecimento diante das desigualdades sociais. Considerado um clássico da literatura, o livro segue atual ao tratar de direitos civis e ética.

Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez — 1967
O romance acompanha a história da família Buendía ao longo de várias gerações na fictícia cidade de Macondo. A obra combina elementos de realismo mágico com acontecimentos históricos e cotidianos da América Latina. Entre os principais temas estão solidão, memória, destino e repetição dos ciclos familiares. O livro constrói um retrato simbólico das transformações sociais e políticas da região, sendo considerado um dos marcos da literatura latino-americana.

A hora da estrela, Clarice Lispector — 1977
O livro narra a história de Macabéa, uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro em situação de pobreza e invisibilidade social. A obra aborda temas como exclusão, identidade, desigualdade e o sentido da existência, a partir de uma narrativa marcada pela reflexão sobre o próprio ato de contar histórias. Com linguagem introspectiva, Clarice Lispector discute o papel do narrador e a condição humana. A obra é um dos romances mais conhecidos da literatura brasileira contemporânea.

A Casa dos Espíritos, Isabel Allende — 1982
O romance acompanha a trajetória da família Trueba ao longo de várias gerações, em um país latino-americano marcado por transformações sociais e políticas. A obra mistura acontecimentos históricos com elementos de realismo mágico, abordando temas como memória, poder, amor, violência e repressão. A narrativa também destaca o papel das mulheres na construção da história familiar e coletiva. Ao longo do livro, experiências pessoais se entrelaçam com eventos políticos, oferecendo um retrato amplo das mudanças sociais do século XX.

O conto da aia, Margaret Atwood — 1985
A obra se passa em uma sociedade distópica chamada Gilead, onde um regime totalitário assume o controle após um colapso político e ambiental. Nesse contexto, mulheres perdem direitos básicos e são divididas em castas, com as aias destinadas exclusivamente à reprodução. A narrativa aborda temas como autoritarismo, controle do corpo feminino, fundamentalismo religioso e supressão de liberdades individuais. O livro propõe reflexões sobre poder, gênero e resistência em cenários de extrema opressão.

A Metamorfose, Franz Kafka — 1915
A obra narra a transformação repentina de Gregor Samsa em um inseto e as consequências desse acontecimento para sua vida familiar e social. A narrativa aborda temas como alienação, isolamento, culpa e desumanização nas relações cotidianas. Ao longo do livro, Kafka discute a perda de identidade e o peso das expectativas sociais. O texto é um dos principais exemplos da literatura moderna e propõe reflexões sobre a condição humana e o absurdo da existência.

A cabeça do Santo, Socorro Acioli — 2014
A obra acompanha a trajetória de Samuel, um jovem que chega a uma cidade abandonada no sertão cearense e passa a viver dentro da cabeça de uma estátua inacabada de Santo Antônio. A partir dessa situação inusitada, o livro aborda temas como fé, esperança, solidão e relações humanas. A narrativa mistura realismo e elementos simbólicos para retratar o cotidiano do interior nordestino. O romance também discute afetos, escuta e a busca por pertencimento.

No Dia do Leitor, os dados revelam um afastamento dos livros. Mas, como lembram muitas das obras que atravessaram gerações, a leitura quase sempre começa com um gesto pequeno: virar a primeira página. Então, vamos começar o ano colocando a leitura em dia.

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