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Com a volta às aulas na rede municipal nesta segunda-feira (4) e na estadual nesta terça-feira (5) em Campo Grande, a atenção dos pais e responsáveis deve ir além da lista de material escolar. A otorrinolaringologista pediátrica Vanessa Mourão alerta que dificuldades de aprendizado podem estar diretamente ligadas a problemas auditivos, muitas vezes não percebidos pelas famílias e pela própria criança.

“Esse é um assunto que me preocupa muito. A criança é extremamente adaptável, e muitas vezes compensa uma audição deficiente com leitura labial ou outras estratégias. Mas essa adaptação silenciosa pode comprometer a alfabetização e o desenvolvimento escolar”, afirma.

Segundo a médica, a percepção auditiva é fundamental tanto para o aprendizado quanto para a socialização. Mesmo perdas leves de audição podem prejudicar o desempenho e alterar o comportamento em sala de aula. Ela lembra que, para diferenciar entre uma dificuldade de audição e um problema comportamental, é preciso que família e escola atuem em conjunto.

“A criança passa muito tempo na escola, e o professor consegue observar detalhes que os pais talvez não percebam, como dificuldades nas tarefas, perda de atenção ou mudança no rendimento. Por isso, é importante saber em que lugar da sala ela se senta, se está próxima de janelas ou de barulho externo, como ar-condicionado, porque tudo isso interfere na percepção auditiva”, explica.

Mudanças bruscas no comportamento escolar podem servir de alerta. “Até o mês passado as notas estavam boas, ela estava atenta. De repente, as notas caíram ou ela passou a não compreender as atividades. Isso é muito sensível para a escola perceber e repassar para a família”, observa. Professores também podem adotar estratégias simples, como aproximar o aluno do quadro ou afastá-lo de fontes de ruído, antes de encaminhar para avaliação médica.

A faixa etária mais vulnerável à perda auditiva condutiva, aquela em que a condução do som até o ouvido interno é prejudicada, vai de dois a cinco anos. Nesse período, são comuns otites, infecções respiratórias, crises alérgicas nasais e até acúmulo de cera no ouvido. “Algumas escolas têm protocolo de realizar exame de audição no início do ano letivo, e isso é muito importante, porque conseguimos detectar perdas que não foram percebidas na triagem da maternidade”, afirma.

Entre os sinais que merecem atenção, a especialista cita a dificuldade para compreender instruções, demora para responder quando chamada, necessidade frequente de aumentar o volume da televisão ou celular, problemas de relacionamento ou concentração na escola e ausência de reação quando chamada de costas ou de lados diferentes.

Ela recomenda que pais e professores fiquem atentos ao comportamento da criança em diferentes ambientes, como na escola,em casa e em momentos de lazer, já que a dificuldade auditiva costuma se manifestar de forma semelhante em todos eles. Atividades lúdicas também podem ajudar na observação. 

“Brincadeiras como contar um segredo de um lado ao outro da roda ajudam a perceber se a criança reconhece tons e vozes diferentes. É uma forma leve e natural de avaliar a audição”, sugere.

Vanessa reforça que qualquer alteração deve ser investigada o quanto antes. “O diagnóstico precoce aumenta as chances de intervenção e garante que a criança tenha pleno desenvolvimento escolar e social”, conclui.

Foto: Freepik

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