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Ah, abril… aquele mês em que os brasileiros percebem que o imposto de renda é inevitável e começam a reunir a papelada, calcular deduções e, claro, cumprir uma das obrigações fiscais mais importantes do país. Entender como e por que declarar é essencial — não apenas para evitar problemas com o fisco, mas também para exercer uma cidadania ativa e consciente. A cada ano, religiosamente, o Estado estende a mão – ou seria o braço inteiro? – e nos lembra que é hora de “contribuir”.

Afinal, temos que “dar a César o que é de César”, mesmo que César esteja, há tempos, nos devendo uma explicação convincente sobre onde exatamente está aplicando o nosso dinheiro.

Não é que a gente se recuse a pagar imposto. Longe disso. O brasileiro, com toda a paciência de um monge tibetano, paga – e paga muito. Só que o retorno vem em doses homeopáticas, quando vem. Na teoria, impostos são pagos para garantir serviços essenciais como saúde pública, educação de qualidade, segurança eficiente e estradas boas. Na prática, porém, parece que nossa contribuição some no meio do caminho.

Pagamos como cidadãos de países ricos, mas os resultados parecem estar longe disso. Não é fácil entender por que, mesmo pagando tanto, ainda enfrentamos tantos problemas. Parte desse dinheiro desaparece em má gestão, desperdícios e, infelizmente, em corrupção. A pouca transparência dos governos sobre como gastam cada real arrecadado complica ainda mais essa situação.

A matemática é simples: o Brasil arrecada aproximadamente um terço do seu PIB em impostos, valor comparável a nações desenvolvidas. Contudo, a qualidade dos serviços públicos oferecidos está anos-luz atrás desses mesmos países. Esta incongruência gritante levanta dúvidas sobre a eficiência do sistema e alimenta a desconfiança do contribuinte.

Transparência: simples, mas poderosa

Imagine se, depois de declarar seu Imposto de Renda, você recebesse um relatório detalhado mostrando exatamente para onde seu dinheiro foi. Alguns países já fazem isso, permitindo que os cidadãos acompanhem e confiem mais no sistema. Essa medida simples poderia melhorar muito nossa relação com os impostos aqui no Brasil.

A transparência não é apenas uma questão ética – é uma ferramenta poderosa para reconstruir a confiança do contribuinte. Quando se sabe onde cada centavo é aplicado, a resistência ao pagamento diminui e a vigilância cidadã aumenta, criando um círculo virtuoso de responsabilidade fiscal.

Conclusão: Merecemos mais que um recibo

Declarar o Imposto de Renda é muito mais que cumprir uma obrigação. É investir na nossa sociedade. Não se trata apenas de simplificar as regras, mas garantir que nosso dinheiro seja usado de forma justa, eficiente e clara. Afinal, se César recebe seu pagamento, é justo saber o que ele faz com cada centavo.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Adriana Candido

Contadora, consultora e sócia-fundadora da Eloo Contabilidade Consultiva. Especialista em Simples Nacional, Lucro Presumido e, principalmente, na transição de empresas para o Lucro Real. MBA em Controladoria e Gestão Tributária, com mais de 14 anos de experiência ajudando empresas a simplificarem o complexo universo contábil e otimizarem sua gestão tributária de forma ética e estratégica. Como contadora que valoriza o empreendedorismo, seu foco é oferecer uma contabilidade próxima e alinhada às necessidades dos clientes, construindo parcerias de sucesso. | @adrianacandido.contadora

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