O dólar voltou a cair e encerrou nesta sexta-feira (10) próximo do patamar de R$ 5, atingindo o menor nível em mais de dois anos, enquanto a Bolsa brasileira renovou seu recorde histórico, impulsionada por fatores internos e externos.
A moeda americana fechou em queda de 1,02%, cotada a R$ 5,011, o menor valor desde abril de 2024. Ao longo do dia, chegou a ser negociada ainda mais próxima de R$ 5. Na semana, acumulou recuo de 2,9% e, no ano, já registra desvalorização de 8,72%.
No mesmo dia, o Ibovespa avançou 1,12% e atingiu 197.324 pontos, o maior nível da história. Foi o nono pregão consecutivo de alta e o 16º fechamento recorde em 2026. Na máxima do dia, o índice se aproximou dos 200 mil pontos, marca considerada simbólica pelo mercado.
O desempenho dos ativos brasileiros ocorre em meio a um ambiente global mais favorável ao risco. A redução de tensões geopolíticas no Oriente Médio e a estabilidade dos preços do petróleo contribuíram para aumentar o apetite de investidores por mercados emergentes.
No cenário doméstico, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que subiu 0,88% — acima das expectativas — reforçou a percepção de que os juros no Brasil devem permanecer elevados por mais tempo. Esse diferencial de taxas em relação a economias como a dos Estados Unidos tende a atrair capital estrangeiro, fortalecendo o real.
Segundo analistas, três fatores explicam a queda recente do dólar: o diferencial de juros, o bom desempenho das exportações de commodities e o alívio nas tensões internacionais. Esses elementos reduzem a busca por ativos considerados mais seguros, como a moeda americana.
O fluxo estrangeiro tem sido um dos principais motores da alta da Bolsa em 2026. Dados do Banco Central indicam entrada líquida de US$ 29,3 bilhões em investimentos em carteira no acumulado de 12 meses até fevereiro. Esse movimento ajuda a sustentar tanto a valorização das ações quanto a apreciação do real.
No mercado de commodities, o petróleo apresentou leve queda. O barril do tipo Brent recuou 0,75%, para US$ 95,20, enquanto o WTI caiu 1,33%, a US$ 96,57. Apesar disso, os preços seguem relativamente estáveis, com investidores atentos às negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
A combinação de fatores externos mais benignos e fundamentos internos ainda atrativos mantém o Brasil no radar de investidores internacionais, em um momento de forte valorização dos ativos locais.
Com informações e imagem da Agência Brasil






















