A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta quarta-feira (14) que o reajuste do IPTU para 2026 é uma medida “dura, difícil e impopular”, mas necessária para evitar irregularidades na gestão fiscal do município. Segundo ela, a atualização da planta genérica de valores, que não era feita havia mais de uma década, foi indispensável para corrigir distorções e garantir equilíbrio nas contas públicas.
Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da rádio Capital 95, a prefeita disse que chegou ao limite de cortes de despesas ao longo de 2025, primeiro ano de seu atual mandato, e que não havia mais margem para ajuste sem aumento de receita. “Ou eu fazia a atualização ou eu prevaricava”, afirmou, ao justificar o aumento do imposto e da taxa de lixo.
De acordo com Adriane Lopes, a prefeitura herdou um cenário de desequilíbrio fiscal, agravado por queda de arrecadação e falta de repasses. Ao longo de 2025, segundo ela, a gestão promoveu cortes, aprovou um plano de equilíbrio fiscal e reorganizou as equipes técnicas. Ainda assim, afirmou, foi necessário avançar para a revisão dos tributos municipais.
A prefeita confirmou que cerca de 44% dos imóveis foram impactados pela atualização e atribuiu os aumentos expressivos registrados em algumas regiões à defasagem acumulada ao longo de dez anos. “Não é valorização de um ano para o outro, é de uma década inteira que não foi corrigida”, disse.
Segundo ela, melhorias urbanas realizadas nesse período, como pavimentação, drenagem, escolas e unidades de saúde, também entram no cálculo técnico da valorização imobiliária. A prefeita negou ilegalidade na cobrança e afirmou que os critérios seguem estudos elaborados por auditores de carreira.
Adriane Lopes disse ainda que a prefeitura está analisando casos específicos em que possa haver erro ou distorção nos valores cobrados. Para isso, orientou os contribuintes a procurar a Central do Cidadão, onde equipes técnicas avaliam individualmente os pedidos de revisão.
A discussão sobre o IPTU ocorre em meio ao impasse entre Executivo e Legislativo. A Câmara Municipal aprovou um projeto relacionado à taxa de lixo, que foi vetado pela prefeita. Caso o veto seja derrubado, ela não descartou novas medidas, incluindo eventual judicialização.
Buracos e chuvas
Na mesma entrevista, a prefeita reconheceu os problemas de infraestrutura enfrentados pela cidade, especialmente o aumento de buracos nas vias após o período de chuvas intensas. Segundo ela, as precipitações frequentes e o solo encharcado têm provocado alagamentos e danos ao asfalto em diversas regiões.
Como exemplo, citou a avenida João Marinos, que ficou alagada após uma chuva forte no dia de ontem (13). “Nunca aconteceu como ontem”, afirmou, ao mencionar veículos que ficaram parados no meio da água.
Adriane Lopes atribuiu parte dos problemas às mudanças climáticas, que, segundo ela, têm afetado as cidades de forma mais intensa. Disse ainda que equipes de manutenção estão atuando nas sete regiões urbanas desde o início do mês, com trabalhos concentrados na área de obras.
A prefeita reconheceu atrasos no início das atividades por conta do feriado no começo do ano, mas afirmou que os serviços seguem em andamento. “Tem buracos, sim, mas as equipes estão nas ruas”, declarou.



















