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Cansaço constante, alterações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e queda de cabelo são sintomas frequentes no cotidiano e, muitas vezes, atribuídos ao estresse ou à rotina intensa. Especialistas alertam, no entanto, que esses sinais podem estar relacionados a disfunções da tireoide, mesmo quando exames laboratoriais de rotina apresentam resultados dentro da faixa considerada normal.

Segundo a endocrinologista Pietra Moleirinho, consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, há situações em que o desequilíbrio hormonal começa a afetar o organismo antes de ser detectado por exames convencionais. “Chamamos de hipotireoidismo subclínico ou disfunção inicial. Os níveis hormonais ainda estão dentro da faixa considerada normal, mas o paciente já sente os impactos no corpo e na mente”, afirma. “Nesses casos, os sintomas são inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico”.

Localizada na base do pescoço, a tireoide é responsável por regular o metabolismo por meio da liberação dos hormônios T3 e T4. Quando esses hormônios são produzidos em excesso (hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotireoidismo), podem comprometer funções essenciais do organismo, como sono, digestão, produtividade, memória e desempenho cognitivo.

Apesar da importância da glândula, os sinais de alerta nem sempre são associados a alterações hormonais. Sintomas como fadiga persistente, alterações no ritmo intestinal, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e queda de cabelo costumam ser subestimados ou tratados de forma isolada.

É comum que pacientes com essas queixas realizem apenas o exame de TSH e obtenham resultados normais. Segundo especialistas, isso não descarta necessariamente um problema na tireoide. Doenças como a tireoidite de Hashimoto, principal causa do hipotireoidismo, podem evoluir de forma silenciosa, comprometendo gradualmente o funcionamento da glândula.

Investigação ampliada

Para um diagnóstico mais preciso, médicos recomendam exames complementares, como a dosagem do T4 livre e a pesquisa de anticorpos antitireoidianos (anti-TPO). Esses testes avaliam a produção hormonal e identificam processos autoimunes que indicam que o próprio organismo está atacando a tireoide.

“Quando há suspeita clínica, histórico familiar ou presença de sintomas sugestivos, esses exames adicionais ajudam a definir a causa da disfunção e a melhor conduta para tratamento”, explica Pietra Moleirinho.

A detecção precoce das alterações permite o início do tratamento adequado e pode melhorar significativamente a qualidade de vida. Em crianças, o diagnóstico oportuno ajuda a prevenir prejuízos ao crescimento, ao desenvolvimento e ao aprendizado. Em adultos, reduz o risco de complicações metabólicas, problemas de fertilidade e alterações de humor e memória.

Especialistas reforçam que a realização periódica de exames é fundamental para a saúde da tireoide, mas destacam que sintomas persistentes não devem ser ignorados. Mesmo diante de resultados considerados normais, a recomendação é buscar avaliação médica se os sinais continuarem sem explicação aparente.

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