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O calor intenso que atinge o Brasil nesta temporada eleva um alerta para além da hidratação: a exposição solar excessiva aumenta o risco de câncer de pele, inclusive na infância. Apesar de raro, especialistas reforçam que crianças precisam de proteção adequada ao brincar ao ar livre, especialmente em praias e piscinas, onde a incidência de raios ultravioleta é maior.

Segundo o Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), evitar a exposição desprotegida ao sol desde cedo ajuda a preservar a saúde da pele ao longo da vida. “Cada queimadura solar, mesmo que leve, aumenta o risco de problemas futuros, como envelhecimento, manchas e câncer”, alerta Natália Duarte, oncologista pediátrica da instituição.

O câncer de pele na infância é incomum, representando entre 1% e 4% de todos os melanomas, com estimativa de seis casos por milhão de pessoas a cada ano. Existem dois tipos principais: o não melanoma e o melanoma, sendo este último o mais agressivo. “O crescimento do melanoma é rápido e, mesmo nos estágios iniciais, pode se espalhar para outros órgãos do corpo, o que chamamos de metástase. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura”, explica a médica.

Como prevenir

A prevenção inclui medidas simples, mas eficazes:

  • Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, período de maior intensidade dos raios UV;
  • Aplicar protetor solar infantil a cada duas horas ou com mais frequência se houver suor ou contato com água;
  • Vestir camisetas de manga longa e chapéus.

Atenção aos sinais

Observar a pele é fundamental. O surgimento ou mudanças em pintas e lesões devem ser acompanhadas, inclusive em regiões menos visíveis, como genitais e atrás das orelhas.

A regra do ABCDE ajuda a identificar sinais de melanoma:

  • A – Assimetria: metade da pinta diferente da outra;
  • B – Bordas: irregulares, borradas ou denteadas;
  • C – Cor: presença de várias cores, como preto, marrom, vermelho, branco ou azul;
  • D – Diâmetro: geralmente maior que 6 milímetros;
  • E – Evolução: alterações de tamanho, cor ou surgimento de sangramento, dor ou coceira.

“Essa regra não é infalível, algumas pintas benignas podem apresentar características semelhantes. O diagnóstico só pode ser feito após investigação médica”, reforça Natália Duarte.

Diagnóstico e tratamento

Segundo a médica, o melanoma pediátrico exige atenção especial, pois apresenta diferenças em relação ao tumor adulto. O acompanhamento inclui histórico familiar, exame físico cuidadoso e uso de dermatoscópio, aparelho que permite visualizar camadas profundas da pele. A confirmação é feita por biópsia, análise laboratorial de uma amostra da lesão. “Fatores genéticos aumentam o risco de câncer de pele na infância. Portanto, devem fazer acompanhamento periódico crianças com histórico familiar da doença, pele clara ou grande quantidade de pintas”, afirma a oncologista.

O tratamento geralmente envolve cirurgia para remoção da lesão, com maiores chances de cura nos estágios iniciais. Em casos de metástase, há necessidade de quimioterapia ou imunoterapia. “Por se tratar de um câncer com altas chances de reincidência, todo paciente que teve o diagnóstico de câncer de pele, mesmo após término do tratamento, deve ser acompanhado periodicamente por um serviço médico especializado para avaliação clínica e realização de exames, se necessário”, completa Natália Duarte.

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