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Maynara Martins

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A microbiota intestinal está ligada a diversas funções vitais do corpo. Ele modela o sistema imunológico, estimulando a produção de células reguladoras que controlam a inflamação. Estima-se que sua maturação na infância seja fundamental para imunidade equilibrada e tolerância a alimentos. Além disso, as bactérias intestinais metabolizam fibras em ácidos graxos de cadeia curta (ex.: butirato), que alimentam as células do cólon e modulam reações inflamatórias. Dessa forma, uma microbiota diversificada ajuda a prevenir alergias e doenças autoimunes, ao passo que a disbiose pode aumentar a susceptibilidade a quadros inflamatórios e metabólicos. Vem comigo entender mais sobre seu intestino e deixá-lo mais saudável com essas dicas.

O papel do intestino vai além da imunidade: pesquisas recentes conectam o eixo intestino-cérebro ao humor e ao bem-estar mental. Micróbios perturbados podem afetar hormônios, neurotransmissores e o risco de distúrbios psiquiátricos, como depressão e ansiedade. O intestino também influencia o metabolismo energético (micróbios desequilibrados estão ligados à obesidade, diabetes e síndrome metabólica). Em resumo, cuidar da microbiota intestinal contribui não só para uma boa digestão, mas para a imunidade forte, metabolismo regular e até equilíbrio emocional.

Alimentação para um microbioma saudável

A dieta é o principal fator modulador do microbioma intestinal. Alimentos ricos em fibras e compostos prebióticos alimentam bactérias benéficas, enquanto comidas ultraprocessadas promovem micróbios inflamatórios. Estudos mostram que dietas com muitas frutas, verduras, grãos integrais e outros vegetais geram maior diversidade bacteriana, o que está associado a menor risco de doenças inflamatórias, metabólicas e autoimunes . Por outro lado, ultraprocessados (ricos em açúcares, gorduras ruins e aditivos) fragilizam o “ecossistema” intestinal e favorecem obesidade, diabetes e até transtornos mentais .

Fibras e prebióticos

As fibras solúveis e insolúveis passam pelo trato digestivo quase intactas e atuam como prebióticos naturais, estimulando o crescimento de bactérias protetoras (por exemplo, Bifidobacterium e Faecalibacterium). Frutas (maçã, banana, frutos vermelhos), vegetais (brócolis, cenoura, beterraba) e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) são exemplos de alimentos ricos em fibras prebióticas . Esses componentes favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), que nutrem as células intestinais e têm efeito anti-inflamatório. Incluir variedade de vegetais coloridos no prato diário é uma forma simples e eficaz de manter a microbiota diversificada e equilibrada.

Probióticos e alimentos fermentados

Alimentos fermentados contêm culturas vivas de bactérias benéficas (como Lactobacillus e Bifidobacterium) que reforçam o equilíbrio intestinal. Exemplos incluem iogurte natural, kefir, chucrute, missô, kombucha e kimchi. Consumir esses alimentos regularmente pode introduzir probióticos naturais no intestino, ajudando a substituir cepas indesejadas por protetoras. No entanto, é importante lembrar que cada pessoa tem um microbioma único, por isso, a resposta a suplementos probióticos varia. Quem pensa em usar cápsulas probióticas deve ter cautela, pois muitos produtos no mercado não têm eficácia comprovada ou até apresentam riscos (contaminação, micróbios não declarados). Em geral, escolha formas alimentares (iogurtes, kefir, etc) e consulte um nutricionista antes de iniciar suplementos.

Redução de ultraprocessados

Diminua o consumo de alimentos ultraprocessados (fast food, salgadinhos e doces industrializados, refrigerantes, embutidos). Estes itens são ricos em gorduras trans, açúcares e sal, mas pobres em fibras e nutrientes, um combo que altera negativamente o microbioma. Vários estudos apontam que dietas baseadas em ultraprocessados promovem crescimento de bactérias associadas à inflamação intestinal e doenças metabólicas. Em contraste, uma alimentação composta por alimentos naturais e minimamente processados fornece substâncias benéficas (fibras, polifenóis, antioxidantes) que inibem micróbios patogênicos (capazes de gerar doenças). Portanto, reduzir comidas industrializadas é outra estratégia para manter o intestino saudável.

Dicas práticas de alimentação
  • Varie: Prefira frutas, verduras e legumes de cores diferentes na maioria dos dias. Cada tipo alimenta bactérias distintas. Por exemplo, maçã e banana promovem Bifidobacterium, enquanto cenoura e alface favorecem Faecalibacterium e Bacteroides .

  • Inclua grãos integrais e leguminosas: Aveia, Arroz integral, quinoa, feijão, lentilha e grão-de-bico são ricos em fibras prebióticas, ajudando a diversificar a microbiota .

  • Alimentos fermentados: Experimente iogurte natural (sem açúcar), kefir, chucrute, kefir de água ou kombucha. Esses alimentos contêm micróbios vivos que funcionam como probióticos naturais.

  • Temperos prebióticos: Alho, cebola, alho-poró, alcachofra e aspargos contêm inulina e outros prebióticos. Use-os nas receitas para ajudar as bactérias benéficas a se multiplicarem .

  • Hidratação e variedade: Beba água regularmente e inclua diferentes fontes de fibras (farinhas integrais, nozes, chia) para nutrir o ecossistema intestinal.

Suplementos e acompanhamento profissional

Embora existam muitos suplementos prebióticos e probióticos à venda, não há fórmula mágica universal. Cada microbioma reage de forma diferente aos componentes, e muitas vezes a literatura científica não comprova os benefícios prometidos por fabricantes. Como alerta, consumidores pouco informados podem sofrer efeitos adversos: suplementos probióticos sem controle de qualidade podem conter cepas não declaradas ou até causar infecções em pessoas vulneráveis. Por isso, a melhor escolha é buscar a orientação de um nutricionista ou médico especializado. Esses profissionais podem avaliar o histórico de saúde individual e recomendar alterações dietéticas ou probióticos específicos, adaptados ao seu perfil único. Evite automedicar-se com suplementos: uma dieta rica em alimentos naturais costuma ser tão eficaz quanto, e segura, para manter o equilíbrio intestinal.

Avanços científicos e prevenção de doenças

Nos últimos anos, estudos reforçam que prevenir doenças crônicas começa no intestino. Pesquisadores encontraram ligações entre a eubiose intestinal (microbioma equilibrado) e menor incidência de diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e inflamações sistêmicas. Uma revisão recente concluiu que “intervenções que busquem restabelecer ou preservar a eubiose podem representar medidas eficazes na prevenção de doenças crônicas”. Além disso, há forte evidência de que o intestino comunica-se com o cérebro pelo eixo intestino-cérebro. Componentes alimentares que melhoram a microbiota têm potencial para também melhorar o humor, o sono e reduzir o estresse.

Em resumo, cuidar da saúde intestinal não é modismo: é ciência moderna. Uma alimentação diversificada, rica em fibras e alimentos fermentados, associada a hábitos saudáveis (sono regular, controle do estresse e exercício) constrói um ambiente favorável aos micróbios benéficos. Seguir essas estratégias com orientação profissional pode ajudar a prevenir doenças, melhorar a digestão e até promover bem-estar mental, proporcionando mais qualidade de vida no longo prazo. E você, tem cuidado do seu intestino e do que você come?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Maynara Martins

Nutricionista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduanda em Nutrição Clínica Integrativa Funcional. Especializada em emagrecimento e ganho de massa muscular, atua com foco em estratégias personalizadas, ajudando seus pacientes a alcançar resultados sustentáveis e melhorar a relação com a alimentação. Sua abordagem é baseada na ciência e no equilíbrio, promovendo saúde e bem-estar de forma integrada. | @nutri.maynara

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