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MIRIAM ABREU

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Pensar a educação é compreendê-la a partir do que o nosso tão conhecido Aurélio, dicionário da Língua Portuguesa nos afirma: “Do latim educare, significa “conduzir para fora” “levar à luz” ou seja, desenvolver o potencial de algo ou alguém”. É conduzir esse alguém num processo de descobertas e amadurecimento.

Dessa forma a educação, em seu sentido amplo, deve ser compreendida como um processo de formação contínua e integral do ser humano envolvendo não só o ensino formal, mas também, as vivências do cotidiano onde princípios e valores são internalizados.

Nesse processo de formação continuada encontram-se dois pilares bases: a família e a escola. Cada uma com sua função específica, porém, com a mesma finalidade: contribuir para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Lembrando que todo bônus é acompanhado de um ônus. Ou seja, todo direito me conduz a uma responsabilidade.

Sendo assim, podemos afirmar que uma sociedade não se constrói apenas com leis, instituições ou avanços tecnológicos, mas, sobretudo, pelas referências humanas que orientam valores, escolhas e comportamentos. Portanto, somos o reflexo da educação que nos foi ofertada ou nos foi negligenciada.

Nessas últimas décadas, mais precisamente nesses últimos anos, tenho tido a sensação de que nos perdemos como famílias e como instituição escolar nesse processo de formação do ser humano integral. Quando uma instituição negligencia o seu papel, ela contribui para o desequilíbrio de tantas outras, levando com o passar do tempo a um desequilíbrio social.

Quando olhamos para a nossa sociedade, especificamente nosso país Brasil, percebemos a grande dificuldade das pessoas em cumprirem normas/regras básicas da boa convivência; o desrespeito ao espaço do outro, do espaço coletivo é claro; o desrespeito ao que é do outro, ao que é público, cada vez mais vem à luz; a intolerância ao pensamento, às escolhas do outro tem revelado profundas lacunas no processo educativo que se inicia na família e continua nas escolas e nas universidades.

A dificuldade de convivência pessoal e social tem se revelado como um dos impactos mais visíveis dessa fragilidade educacional. A incapacidade de lidar com os “nãos” da vida, a intolerância quanto a frustração e a terceirização da culpa são sinais mais que evidentes de uma educação familiar e escolar em decadência. É perceptível a proliferação de indivíduos sem a mínima capacidade de controle; agem impulsivamente sem refletirem sobre as reais consequências. O que mais assusta é que comportamentos como esses têm sido tratados por nossos gestores públicos e outras autoridades como “questões individuais” quando na verdade estão revelando sérios problemas sociais e educacionais em nossa sociedade.

Em contrapartida, as crianças e os adolescentes que são educados desde cedo a lidarem com limites, frustrações, normas e regras; a respeitar o espaço do ouro; a esperar a sua vez, a lidar com opiniões contrárias às suas e a assumir responsabilidades, com certeza, na sua fase adulta externalizarão esses comportamentos positivos em qualquer grupo social ao qual vierem a pertencer.

É importante lembrar que é na infância que são internalizados valores e princípios que favorecem o convívio social saudável. É nesta fase que os discursos e cobranças familiares têm pouca importância; o que realmente vale são as atitudes, o comportamento dos pais e da família como um todo. Já o adolescente está na fase da busca de sua identidade. É uma fase sensível que demanda muita atenção e acompanhamento, enquanto que o jovem já possui uma certa capacidade crítica, embora ainda influenciável pelos modelos valorizados na sociedade.

Por fim, a pergunta que não quer calar é: onde foram parar nossos princípios e valores como sociedade? O que temos visto e ouvido em nosso cotidiano brasileiro é o “espelho mais honesto” da qualidade da educação que temos oferecido às nossas crianças, adolescentes e jovens de nosso país.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Miriam Abreu

Miriam Abreu

É doutora e mestre em Educação pela (UFMS). Especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia pela (UFRRJ/CEP-EB). Pedagoga habilitada em Orientação Educacional (FUCMT)  e Supervisão Escolar (Faclepp). Consultora Educacional, palestrante e escritora. | @miriam_abreu65

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