Celebrado em 24 de janeiro, o Dia do Aposentado amplia o debate sobre o envelhecimento da população brasileira e os novos sentidos da longevidade. Dados das Projeções de População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, entre 2000 e 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou no país, passando de 8,7% para 15,6% da população. A estimativa é que, em 2070, esse grupo represente cerca de 37,8% dos brasileiros.
A mudança no perfil etário reflete o crescimento de uma geração acima dos 50 anos que segue ativa, conectada e envolvida em novas escolhas pessoais e profissionais. Nesse cenário, histórias reais ajudam a ilustrar como o envelhecimento ativo e o planejamento financeiro vêm sendo tratados como prioridades no cotidiano de pessoas na maturidade.
Aos 68 anos, o contador aposentado Sérgio Muniz mantém uma rotina marcada por caminhadas diárias, interesse por música, esportes e novos aprendizados. Morador de Bragança Paulista (SP), ele afirma que a aposentadoria não interrompeu sua disposição para se manter em movimento. “Me considero novo. Sou muito curioso, gosto de mexer nas coisas e tenho vontade de aprender de tudo. Já faz 10 anos que eu me aposentei, mas isso nunca me impediu de continuar me movimentando”, diz.
Para Muniz, envelhecer com qualidade exige equilíbrio entre diferentes áreas da vida. “A gente tem que trabalhar, descansar, praticar esporte, curtir música e, quando dá, investir. Cuidar um pouquinho de cada parte da vida, mas sempre com atividade física, porque sem ela não dá pra ficar”, afirma.
Outro exemplo vem de Caratinga, em Minas Gerais. Aposentada, Dona Asilia Ferreira de Souza transformou o talento na cozinha em fonte de renda, convivência e autoestima. Empreendedora, ela vende empadas, escreve poesias e mantém uma rotina ativa, com planos e encontros frequentes. “Vender empadas só me traz benefícios: no financeiro, na comunicação com as pessoas e, principalmente, na minha autoestima. É o que me faz não ser invisível”, conta.
Para ela, manter-se ativa também está ligado à autonomia e ao reconhecimento pessoal. “Descobri que sou capaz de fazer coisas incríveis dentro dos meus limites. Isso me faz tão bem. Eu vivo sorrindo, e todo mundo sabe, é porque eu escrevo”, afirma.
Segundo Guilherme Nunes, gerente de Experiência do Cliente do Banco Mercantil, instituição especializada no público 50+, esse novo comportamento impacta diretamente a relação das pessoas com o dinheiro após a aposentadoria. “Cada vez mais, percebemos que a aposentadoria é vivida como uma fase de continuidade e não de ruptura. Planejar o uso dos recursos, organizar a renda e tomar decisões com visão de longo prazo se tornam fundamentais para garantir autonomia e sustentar novos projetos pessoais”, afirma.
Para o executivo, o envelhecimento ativo está diretamente relacionado à previsibilidade financeira. “Quando as pessoas têm clareza sobre suas finanças, elas ganham liberdade para escolher como querem viver essa etapa, seja empreendendo, investindo, viajando ou simplesmente mantendo uma rotina com mais tranquilidade”, completa.



















