Evento que reuniu os parlamentares nesta manhã apresentou uma lista de demandas emergenciais para a capital
A alta do IPTU e da taxa do lixo em Campo Grande dominou o debate do “Café da Manhã nas Entidades”, promovido nesta quinta-feira (29) pela FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul) e pela CDL de Campo Grande. O encontro buscou aproximar o setor produtivo do Legislativo municipal, mas também expôs a insatisfação dos comerciantes com o aumento de tributos e a falta de discussão prévia com a sociedade.
Segundo a organização, o objetivo do evento foi abrir um canal institucional de diálogo com os vereadores para discutir medidas que impactam diretamente o comércio e os serviços. O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, afirmou que a entidade quer levar ao Legislativo as demandas do setor que mais gera empregos e renda no município.
“Nosso grande objetivo é aproximar o setor produtivo de comércio e serviço, o setor varejista, do Legislativo municipal. Trazer para o setor legislativo todas as demandas do setor produtivo. Nós somos o setor que mais gera emprego, que mais gera renda e que mais distribui no município”, disse.
Adelaido destacou que Campo Grande vive um momento econômico delicado e que o aumento do IPTU tende a agravar o cenário. “Não é esmagando o contribuinte que a gente vai conseguir atingir os resultados econômicos do município. Existem outras fontes que a prefeitura pode buscar para sanar as dificuldades administrativas e financeiras”, afirmou.
O presidente também avaliou que o reajuste compromete o consumo e amplia a inadimplência. “Isso derruba o poder de consumo de todos os campo-grandenses. A cidade já tem 78,2% da população endividada. Esse aumento tira do pai e da mãe de família o pão de cada dia e leva o cidadão à inadimplência, impedindo que ele volte a ser consumidor”.
Segundo ele, o setor foi surpreendido com os reajustes. “A gente não pode ser pego de surpresa da forma que a gente foi. Nós fomos realmente pegos de surpresa com esses aumentos, tanto da taxa do lixo quanto do IPTU”.
Além da crítica ao imposto, a CDL apresentou aos vereadores uma lista de demandas consideradas emergenciais para 2026, como estímulo à compra no comércio local, ampliação de vagas em creches — atualmente cerca de 8,5 mil crianças estão fora das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei) —, melhoria da limpeza urbana, revisão do IPTU 2026 considerado “abusivo”, melhorias no transporte público, fortalecimento da assistência social, modernização da Lei do Prodes (Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social) e revisão de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.
Apesar do convite amplo ao Legislativo municipal, o encontro contou com a presença de apenas oito vereadores: Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), presidente da Câmara; Neto Santos (Republicanos); Wilson Lands (Avante); Otávio Trad (PSD); Ronilço Guerreiro (Podemos); Clodoilson Pires (Podemos); Veterinário Francisco (União Brasil) e Professor Juari (PSDB).
O presidente da Câmara, Papy, afirmou que a CDL representa o principal motor da economia local e defendeu maior aproximação entre os poderes. “A CDL representa a mola propulsora da economia do município, que é o comércio e serviço. É onde estão os empregos, onde está a maior arrecadação e onde se gera desenvolvimento para a cidade”.
Segundo ele, é papel do Legislativo potencializar o setor. “É quase um dever da Câmara potencializar os mecanismos dos lojistas de Campo Grande e, mais do que isso, estar atento às necessidades deles e trabalhar em prol daquilo que é demanda desse coletivo de comerciantes”.
Papy também destacou que o diálogo com as entidades ajuda a dar legitimidade às discussões. “Quando a Câmara repercute um assunto que a CDL traz, ela está falando em nome de muitas pessoas. Esse é o propósito do nosso mandato: representar as pessoas da cidade”.
O encontro marca o início de uma agenda institucional entre a CDL e o Legislativo para 2026, mas também evidencia o desgaste entre o setor produtivo e o poder público diante do aumento de impostos sem debate prévio. Para os lojistas, a revisão do IPTU tornou-se ponto central para evitar queda no consumo e mais pressão sobre uma economia local já fragilizada.
A capital entrou em alerta fiscal após o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) de janeiro a outubro de 2025 apontar que as despesas do município ultrapassaram 99% da receita corrente. A Constituição estabelece que o limite máximo é de 95%. Com isso, Campo Grande passa a enfrentar um cenário de restrição fiscal, que obriga a administração municipal a adotar medidas de controle de gastos.



















