A possibilidade de retorno do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 pode aumentar o risco de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, principalmente no Pantanal. A combinação de temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e irregularidade nas chuvas tende a criar condições favoráveis para a propagação do fogo, segundo projeções meteorológicas.
O fenômeno interfere diretamente no regime climático da região. Em Mato Grosso do Sul, costuma provocar aumento das temperaturas e redução ou irregularidade das precipitações, fatores que elevam o risco de queimadas nos biomas do estado, incluindo o Cerrado e a Mata Atlântica.
De acordo com a meteorologista Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), o trimestre entre fevereiro e abril ainda apresenta condições de neutralidade climática, mas há sinais de mudança ao longo do ano. “Em relação ao El Niño, a época é de condições de neutralidade para o trimestre de fevereiro, março e abril. Porém, no segundo semestre, há um indício de retorno do fenômeno e que pode favorecer a ocorrência de temperaturas acima da média e as ondas de calor”, afirma.
Segundo a especialista, o impacto tende a ser mais intenso durante o período seco, quando a umidade relativa do ar atinge níveis críticos. “Essa situação casa exatamente durante o período seco, que seria quando a gente tem a umidade muito baixa. As condições das altas temperaturas, ondas de calor, baixo valor de umidade relativa do ar, todo esse cenário pode intensificar o aumento para a ocorrência de incêndios florestais”.
Dados analisados pelo Cemtec consideram o monitoramento de 48 municípios, com informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Mesmo com registros recentes de chuvas acima da média em alguns municípios no início de fevereiro, especialistas apontam que o cenário geral ainda exige atenção, principalmente após o período de precipitações abaixo do esperado observado até janeiro.
O Cemtec também aponta que o fenômeno esteve associado às temperaturas recordes registradas entre 2023 e 2025. A previsão indica que o aquecimento deve começar a se intensificar a partir de março e pode se prolongar até o inverno. Além disso, o próximo período úmido pode apresentar chuvas abaixo da média histórica e com distribuição irregular.
*Informações: Governo de MS
*Imagem: Bruno Rezende/Secom/Arquivo




















