Carregando…

COMPARTILHE


Perambular pelos corredores da NRF 2026, em Nova York, é como caminhar alguns passos à frente do tempo. Não se trata apenas de tecnologia, varejo ou inovação no sentido clássico. O que se percebe, de forma muito clara, é uma mudança mais profunda, uma reconfiguração do comportamento humano, das marcas e da forma como nos conectamos com o consumo, com o trabalho e com a vida.

Em 2026, uma ideia ficou martelando na minha cabeça, todo mundo é uma marca. Pessoas, empresas, projetos e comunidades. Isso abre um campo quase infinito para colaborações criativas e parcerias inovadoras. Marcas deixam de competir apenas por atenção e passam a cocriar valor juntas. Não é sobre logotipo na vitrine, é sobre experiências compartilhadas, envolvimento real e pertencimento. A lógica muda do “eu” para o “nós”.

Outro destaque forte foi a valorização das “micro alegrias diárias”. Existe um cansaço coletivo da produtividade extrema, do desempenho a qualquer custo. Sucesso e felicidade começam a ser redefinidos de forma mais íntima, cotidiana e possível. Pequenas vitórias, rituais simples, pausas conscientes. As marcas que entenderem isso deixam de pressionar e passam a acolher, incentivando hábitos mais gentis, saudáveis e humanos.

E talvez como resposta direta à explosão da inteligência artificial, o toque humano se tornou ainda mais desejável. Tudo aquilo que é feito por pessoas, com imperfeições, histórias e emoção real, ganha valor. Bastidores, processos, erros, aprendizados. Não queremos mais apenas o produto final polido, queremos ver quem está por trás dele. A autenticidade virou ativo estratégico.

Essa busca pelo humano também se reflete na estética. Estamos saindo de um ciclo dominado pelo minimalismo extremo, pela simetria perfeita e pelo excesso de controle. O que ganha espaço agora é o imperfeito, o natural, o lúdico, o espontâneo. Há um desejo coletivo por leveza, fluidez e menos rigidez. Para as marcas, isso significa mais liberdade criativa e menos medo de ousar.

Outro ponto muito presente na NRF foi o valor do inesperado. Vivemos na era do monitoramento, tudo é rastreável, previsível, mensurável. Justamente por isso, experiências que surpreendem, mesmo em pequenos detalhes, criam encantamento e memória emocional. Não precisa ser grandioso. Basta ser diferente, atento, humano.

O consumo também se tornou cada vez mais sensorial. Imagens, sons, texturas, memórias afetivas. As marcas passam a ativar múltiplos sentidos ao mesmo tempo, criando experiências imersivas que vão além da tela ou da prateleira. É sobre sentir, não apenas comprar.

Nesse cenário, as micro comunidades ganham um papel central. Em um mundo massificado, as pessoas buscam refúgios menores, mais seguros e alinhados aos seus valores. Marcas que constroem espaços íntimos, acolhedores e genuínos são mais desejadas do que aquelas que tentam falar com todo mundo ao mesmo tempo.

Outro movimento claro é a transição de consumidores para participantes. As pessoas querem opinar, cocriar, acompanhar decisões, entender os porquês. Quando o público participa da construção da marca, nasce o pertencimento e a fidelidade deixa de ser comprada, passa a ser construída.

Também me chamou atenção o protagonismo crescente da força criativa latina. Estética, linguagem, sotaque e identidade deixam de ser nicho e passam a influenciar o consumo global. Existe orgulho das origens, valorização das raízes e menos vontade de parecer genérico. Marcas autênticas, com identidade clara, se destacam.

Por fim, um movimento curioso e potente, todo mundo quer ser atleta. O esporte deixa de ser exclusividade dos profissionais e se transforma em identidade cotidiana. Movimento, disciplina, autocuidado e evolução pessoal entram de vez na narrativa das marcas, conectando saúde física e mental.

A NRF 2026 deixa uma mensagem clara: o futuro não é apenas tecnológico, ele é profundamente humano, sensorial, colaborativo e imperfeito. Exatamente como a vida real. E talvez esse seja o maior aprendizado que levo de Nova York para minha casa, para os negócios e para as conversas que ainda vamos ter ao longo do ano.

TOP 10 perguntas mais importantes

1. O que a minha empresa comunica quando não está vendendo nada?

2. Estou construindo reputação ou apenas visibilidade?

3. Minha empresa entrega valor sem exaurir pessoas — clientes e equipes?

4. Onde o toque humano faz diferença real no meu negócio?

5. O cliente lembra da experiência ou apenas reconhece a marca?

6. O que surpreende positivamente quem se relaciona com a minha marca hoje?

7. Minha empresa permite erros, testes e aprendizados visíveis?

8. Estou falando com todo mundo ou criando conexão real com quem importa?

9. Onde o cliente participa da construção da marca e não apenas da compra?

10. Minha liderança gera segurança psicológica ou apenas performance?

Essas dez perguntas formam um núcleo duro de transformação.
Se uma empresa responde “não” ou “não sei” para três ou mais delas, o alerta já está ligado.

DIJAN DE BARROS
TOTVS/RD STATION – CAFÉ COM NEGÓCIOS
NRF 2026

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Dijan de Barros

Dijan de Barros

Empreendedor, especialista em gestão e marketing, apresentador, palestrante, TEDxOrganizer, fundador do Café com Negócios e Diretor da Totvs Oeste | @dijanbarros

Total News MS

AD BLOCKER DETECTED

Indicamos desabilitar qualquer tipo de AdBlocker

Please disable it to continue reading Total News MS.