Mais antigo em atividade na capital, bloco fundado por jornalistas desfila neste sábado (7) no centro com marchinhas, samba e fantasias clássicas
O Carnaval de Campo Grande ganha tom de celebração da memória em 2026 com os 33 anos do Bloco As Depravadas, o mais antigo em atividade na capital sul-mato-grossense. Com o tema “Os antigos carnavais” e o mote “Do confete de ontem, à alegria de hoje! 33 anos de Bloco As Depravadas”, o grupo promete reunir foliões de todas as idades neste sábado (7), no centro da cidade, em um resgate das tradições do carnaval de rua.
A concentração ocorre das 9h às 14h, no Calçadão da Barão do Rio Branco, entre as ruas 14 de Julho e 13 de Maio, em frente ao Bar do Zé, local simbólico para a história do bloco, já que foi ali que a ideia surgiu, em uma conversa informal entre amigos.
Fundado em 1993 por profissionais da imprensa de Mato Grosso do Sul, o As Depravadas nasceu com o objetivo de levar o carnaval para as ruas e criar um espaço de convivência, irreverência e integração social. O nome provocativo, segundo os criadores, segue o espírito jornalístico de chamar atenção com humor.
“O nome do nosso bloco é uma manchete mesmo, coisa de jornalista. E, como cristão, sofro críticas por estar entre meus amigos e colegas de profissão num bloco de carnaval com este nome escandaloso, mas faço prevalecer a integração social e a grande contribuição que ‘As Depravadas’ têm dado ao carnaval de rua de Campo Grande nas últimas três décadas”, afirma o jornalista Ademar Cardoso, há mais de 45 anos na capital.
A programação musical mistura tradição e animação. A trilha sonora terá marchinhas com a banda Charanga das Depravadas, samba com Daran Júnior e repertório dançante com o DJ Piti. Neste ano, o evento também contará com a participação da Cervejaria Prosa, que levará cerveja artesanal produzida em Campo Grande.
Para marcar os 33 anos, a organização convida o público a apostar em fantasias dos antigos carnavais. Personagens como pierrot, colombina, pirata e odalisca são incentivados como forma de resgatar um tempo em que a folia era marcada pela criatividade, improviso e ocupação espontânea das ruas.
O publicitário Maranhão Viegas, um dos criadores do bloco, diz que tudo começou de maneira despretensiosa, em mesa de bar. “Foi numa mesa ali no Bar do Zé, a gente falando sobre carnaval de rua e brincando sobre isso. Lá pelas tantas, alguém disse: ‘ah, mas aqui não tem essa tradição’. Foi aí que juntou eu, o fotógrafo Roberto Higa, o publicitário Ariosto Mesquita, o Luiz, o saudoso jornalista Luca Maribondo, mais um monte de gente e começamos a sentir necessidade de botar o bloco na rua, literalmente. Foi então que nasceu ‘As Depravadas’”, conta.
Viegas lembra que o nome também dialoga com uma experiência pessoal no Maranhão. “Havia um bloco similar na minha infância, lá no bairro Madre Deus, em São Luís do Maranhão. Era o bloco ‘Depravadas’, que já mantinha essa tradição de bloco de sujos em que os homens saíam vestidos de mulher e as mulheres saíam vestidas de homem”, diz.
Ao longo de mais de três décadas, o As Depravadas se consolidou como um dos símbolos do carnaval campo-grandense, reunindo famílias, crianças e foliões em um ambiente aberto e democrático. Para a organização, o bloco se tornou um patrimônio afetivo da cidade, atravessando gerações e reafirmando a importância da cultura popular.
Em 2026, a proposta é unir passado e presente: colocar confete no chão, música nas ruas e lembrar que o carnaval também é feito de memória, encontro e alegria compartilhada.
Com informações e imagem Débora Bordin



















