Com juros em 15% ao ano, investidores migram para aplicações mais rentáveis e reduzem saldo da caderneta
A caderneta de poupança voltou a registrar mais saques do que depósitos em janeiro. As retiradas superaram as aplicações em R$ 23,5 bilhões, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central. No período, foram depositados R$ 331,2 bilhões e sacados R$ 354,7 bilhões, movimento que confirma a perda de atratividade do investimento em um cenário de juros elevados.
Apesar do saldo negativo, os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,4 bilhões no mês. Com isso, o estoque total da poupança permanece pouco acima de R$ 1 trilhão.
O resultado de janeiro reforça uma tendência observada nos últimos anos. Em 2023, a retirada líquida foi de R$ 87,8 bilhões. Em 2024, ficou em R$ 15,5 bilhões. Já em 2025, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões, mostrando que os brasileiros têm buscado alternativas mais rentáveis para aplicar o dinheiro.
Entre os principais fatores para a migração está o nível elevado da Selic, a taxa básica de juros da economia. Desde julho do ano passado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) mantém a taxa em 15% ao ano, após interromper um ciclo de sete altas consecutivas.
Com os juros nesse patamar, aplicações como Tesouro Direto, CDBs e fundos de renda fixa passam a oferecer retorno superior ao da poupança, o que estimula investidores a transferirem recursos para esses produtos.
A política de juros altos tem como objetivo conter a inflação. Quando a taxa básica sobe, o crédito fica mais caro e o consumo tende a desacelerar, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços.
Em dezembro, a inflação foi de 0,33%, acima dos 0,18% registrados em novembro, puxada principalmente pelo aumento nos preços de transportes por aplicativo e passagens aéreas. Com isso, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado a inflação oficial do país, acumulou alta de 4,26% em 2025, acima da meta central de 3%.
Na ata mais recente do Copom, o Banco Central indicou que pretende iniciar a redução dos juros na próxima reunião, prevista para março. A autoridade monetária, no entanto, não informou a intensidade do corte e afirmou que a política monetária continuará em nível restritivo por um período, para garantir a convergência da inflação à meta.
Mesmo com a sinalização de queda futura da Selic, analistas avaliam que a poupança deve seguir perdendo espaço no curto prazo, já que outros investimentos continuam oferecendo maior rentabilidade com risco semelhante, especialmente para pequenos e médios aplicadores.
Com isso, o comportamento observado em janeiro indica que a caderneta, tradicional destino da reserva financeira dos brasileiros, permanece pressionada pela combinação de juros altos, busca por melhor retorno e necessidade de liquidez das famílias.
Com informações e imagem da Agência Brasil




















