Com 410,8 mil associados no Estado, instituição aposta na combinação entre tecnologia, proximidade e educação financeira para atravessar cenário econômico desafiador e fortalecer comunidades
O Sicredi consolidou em 2025 sua presença em Mato Grosso do Sul ao alcançar 100% dos municípios do Estado com agências físicas e ampliar a base de associados, que chegou a 410.812 cooperados. Em um ano marcado por incertezas econômicas, estiagens e custos financeiros elevados, a instituição apostou no fortalecimento do cooperativismo como estratégia para sustentar o crescimento e impulsionar o desenvolvimento local.
Segundo o presidente executivo do Sicredi, Cesar Bocchi, o diferencial do sistema está na combinação entre atuação nacional e soluções locais. “O Sicredi nasceu muito conectado ao agronegócio e hoje é o segundo maior agente financeiro do agro no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, é uma instituição de varejo nacional. A gente entrega soluções, recursos, ferramentas e tecnologia para que, localmente, cada cooperativa faça a diferença”, afirma.
Com mais de 120 anos de história, o Sicredi reúne hoje cerca de 10 milhões de associados no país, sendo aproximadamente 1 milhão ligados diretamente ao agronegócio. Para Bocchi, a força do sistema está em entender as particularidades de cada região. “Essa dobradinha entre escala nacional e presença local nos permite compreender cada contexto, seus desafios e oportunidades. Não existe cooperativa rica com associado pobre. A prosperidade precisa ser construída junto.”
Em Mato Grosso do Sul, o avanço foi impulsionado por quatro cooperativas que atuam no Estado e por movimentos estratégicos feitos ao longo de 2025 para ampliar a distribuição de produtos e serviços. “Antes éramos vistos apenas como cooperativa de crédito. Hoje somos referência econômica e financeira. Tivemos crescimento no número de associados e fortalecemos nossa atuação mesmo em um cenário de insegurança econômica e jurídica”, diz Celso Figueira, presidente da Central Sicredi Brasil Central.
De acordo com Figueira, a capilaridade é um dos principais diferenciais. “Hoje, os 79 municípios de Mato Grosso do Sul têm uma agência do Sicredi. Isso aproxima a cooperativa das pessoas e dos negócios. Estar presente significa visitar o associado, participar de feiras, eventos e mobilizar a sociedade para geração de emprego, renda e desenvolvimento”.
Apesar da expansão digital, o Sicredi mantém a aposta no atendimento presencial. Para Figueira, a tecnologia não substitui a relação humana. “O associado chega na agência e recebe um bom dia, um café, um acolhimento. Isso gera confiança. Se dá um problema numa operação, ele sabe a quem recorrer. Não é só vender produto financeiro, é entender a necessidade e desenhar a solução junto”.
Bocchi reforça que o modelo cooperativo permite uma visão de longo prazo, diferente dos bancos tradicionais. “Nós não temos pressão de acionista por dividendos de curto prazo. O resultado é importante, mas ele volta para a comunidade. Se o associado enfrenta dificuldade, a cooperativa ajuda a atravessar. Às vezes é preciso alongar dívida, reorganizar, apoiar. Não é salvar a cooperativa, é salvar o associado que trabalha, empreende e investe.”
Em nível nacional, o impacto econômico do Sicredi também é usado como argumento. Segundo Bocchi, em 2024 os associados deixaram de perder cerca de R$ 20 bilhões em comparação com condições praticadas no mercado tradicional. “É o que cobramos menos, o que pagamos mais e o que devolvemos em sobras, capital e ações sociais.” No mesmo ano, o sistema investiu R$ 430 milhões em ações sociais, voltadas a escolas, hospitais, capacitação e projetos comunitários.
Para o CEO, a presença da cooperativa gera efeito direto na economia local. “Onde o Sicredi atua, há mais empreendedorismo, mais empregos e crescimento do PIB regional. O crédito fomenta o agronegócio, o comércio, a indústria e os serviços.”
Outro eixo estratégico é a educação financeira. Em um país com milhões de pessoas endividadas, o tema ganhou centralidade. “O Brasil tem acesso à tecnologia, Pix, cartão, crédito, mas sofre com a qualidade do uso. Muita gente se superendivida. Não adianta só facilitar o crédito. É preciso mudar comportamento, oferecer orientação e bem-estar financeiro”, afirma Figueira.
Segundo ele, o objetivo é construir relações duradouras. “Eu não quero um associado por seis meses. Quero uma relação de cinco, dez anos. Para isso, ele precisa ter saúde financeira. A cooperativa não existe sem o associado, é o associado que tem a cooperativa.”
Para os próximos anos, o Sicredi aposta em três frentes: pessoas, tecnologia e proximidade. “Investimos forte na capacitação e no bem-estar dos colaboradores, na digitalização dos serviços e, ao mesmo tempo, no contato olho no olho”, diz Bocchi. “Processamos milhões de operações por dia em segundos, mas continuamos indo até o produtor, o comerciante, o empreendedor urbano.”
Em Mato Grosso do Sul, o foco segue no fortalecimento das comunidades. “Campo Grande e o interior têm perfis diferentes, mas o cooperativismo se adapta. Nosso desafio é ampliar a base de associados e manter o modelo que devolve riqueza para quem ajudou a gerar o resultado”, conclui Figueira.
Com presença em mais de 1,8 mil municípios brasileiros, o Sicredi reforça, em 2025, a estratégia de crescimento ancorada na lógica cooperativa: resultado econômico com impacto social e desenvolvimento regional.



















