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Maynara Martins

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A gordura no fígado, hoje chamada de Doença Hepática Gordurosa Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), ou esteatose hepática não alcoólica como nome antigo, já é considerada uma das doenças crônicas mais comuns do mundo. Estima-se que cerca de 30% da população adulta tenha algum grau de acúmulo de gordura no fígado, muitas vezes sem saber.

Mas eu tenho uma boa notícia, a alimentação e o estilo de vida são as ferramentas mais eficazes para prevenir e tratar a condição, segundo estudos de alto nível científico. Neste artigo, irei te ajudar a entender como reverter essa situação, vamos lá?

O que é gordura no fígado e por que ela acontece?

A gordura no fígado ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura dentro das células hepáticas, geralmente associada a:

  • Resistência à insulina;
  • Excesso de peso ou gordura abdominal;
  • Diabetes tipo 2;
  • Colesterol e triglicerídeos elevados;
  • Alimentação rica em açúcares, ultraprocessados e álcool.

É importante frisar que não é preciso beber álcool para desenvolver a doença. No início, a condição costuma ser silenciosa. Porém, quando não tratada, pode evoluir para inflamação do fígado (esteato-hepatite), fibrose, cirrose e até câncer hepático.

O papel central da alimentação no fígado gorduroso

Estudos clínicos e diretrizes internacionais mostram que não existe um remédio isolado mais eficaz do que a mudança alimentar para a gordura no fígado.

A nutrição atua em três frentes principais:

  1. Redução da gordura acumulada no fígado;
  2. Melhora da resistência à insulina;
  3. Redução da inflamação hepática.

E isso não exige dietas radicais, exige consistência e estratégia certa. 

O que a ciência mostra que ajuda o fígado a se recuperar
1. Alimentação rica em alimentos naturais e fibras

Dietas baseadas em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas e sementes estão associadas à redução da gordura hepática.

As fibras reduzem picos de glicose e insulina, melhoram o microbioma intestinal e diminuem a inflamação sistêmica.

Estudos mostram que pessoas com maior consumo de fibras apresentam menor progressão da doença hepática.

2. Gorduras boas fazem bem ao fígado

Nem toda gordura é vilã, pelo contrário. As gorduras mono e poli-insaturadas, estão associadas à redução da gordura no fígado e melhora dos exames hepáticos, como por exemplo: 

  • Azeite de oliva;
  • Peixes (sardinha, salmão);
  • Abacate;
  • Oleaginosas;

A dieta mediterrânea é uma das mais estudadas e recomendadas para pacientes com gordura no fígado.

3. Reduzir açúcar e ultraprocessados é fundamental

Um dos principais vilões do fígado é o excesso de açúcar, especialmente:

  • Refrigerantes;
  • Sucos industrializados;
  • Doces;
  • Produtos com xarope de glicose/frutose.

A frutose em excesso provenientes dessas bebidas é metabolizada diretamente no fígado, favorecendo o acúmulo de gordura hepática.

Estudos mostram que reduzir bebidas açucaradas melhora a gordura no fígado mesmo sem grande perda de peso.

4. Proteína adequada ajuda na recuperação hepática

Consumir proteína suficiente:

  • Preserva massa muscular;
  • Melhora a sensibilidade à insulina;
  • Auxilia no controle do apetite.

Boas fontes

  • Peixes;
  • Ovos;
  • Frango;
  • Iogurte natural;
  • Leguminosas.

Lembrando que não se trata de exagerar, mas de equilibrar corretamente.

Emagrecer ajuda? Sim, mas não precisa ser extremo

A perda de 5 a 10% do peso corporal já é suficiente para:

  • Reduzir significativamente a gordura no fígado;
  • Melhorar inflamação hepática;
  • Diminuir risco de progressão da doença.

Dietas muito restritivas ou “milagrosas” podem piorar o problema, aumentando inflamação e efeito rebote.

O intestino também influencia o fígado

O fígado e o intestino se comunicam diretamente (eixo intestino–fígado). Quando o corpo está em desequilíbrio, pode ocorrer a disbiose intestinal (desbalanço das bactérias) que aumenta a inflamação, favorece resistência à insulina e agrava a gordura no fígado.

Por isso, estratégias que cuidam da microbiota, como fibras, alimentos fermentados, redução de ultraprocessados, também beneficiam o fígado.

E os suplementos? Funcionam?

Alguns suplementos têm evidência científica moderada, como:

  • Ômega-3;
  • Vitamina E.

Mas atenção, nenhum suplemento substitui a alimentação adequada. A indicação deve ser individualizada por nutricionista ou médico e a autossuplementação pode ser ineficaz ou até mesmo prejudicial.

Estilo de vida: alimentação não age sozinha

Além da dieta, a ciência mostra que:

  • Atividade física regular reduz gordura hepática mesmo sem emagrecimento expressivo;
  • Sono inadequado piora resistência à insulina;
  • Estresse crônico aumenta inflamação metabólica.

Ou seja, tratar gordura no fígado é tratar o corpo como um todo.

Conclusão: o fígado se regenera, se você der as condições certas

A gordura no fígado não é uma sentença, mas um alerta metabólico.

A ciência é clara, atitudes como:

  • Alimentação equilibrada;
  • Redução de açúcar e ultraprocessados;
  • Gorduras boas (com equilíbrio);
  • Fibras;
  • Atividade física;
  • Acompanhamento profissional.

São capazes de prevenir, controlar e até reverter a doença em grande parte dos casos.

Procurar um nutricionista é essencial para montar um plano individualizado, seguro e sustentável.

Cuidar do fígado hoje é investir em saúde metabólica, cardiovascular e qualidade de vida no futuro.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Maynara Martins

Maynara Martins

Nutricionista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduanda em Nutrição Clínica Integrativa Funcional. Especializada em emagrecimento e ganho de massa muscular, atua com foco em estratégias personalizadas, ajudando seus pacientes a alcançar resultados sustentáveis e melhorar a relação com a alimentação. Sua abordagem é baseada na ciência e no equilíbrio, promovendo saúde e bem-estar de forma integrada. | @nutri.maynara

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