Uso de medicamentos para perda de peso saltou 88% em um ano; setor de alimentação fora de casa se adapta a consumidores que comem menos, mas buscam maior qualidade
O crescimento no uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento está gerando um impacto direto no setor de foodservice no Brasil. Com a redução do apetite e a mudança nas preferências alimentares dos usuários dessas substâncias, restaurantes passam por uma reestruturação que envolve desde o tamanho dos pratos até a composição nutricional dos menus.
Dados do Conselho Federal de Farmácia indicam que o uso dessas “canetas” cresceu 88% em 2025 na comparação com o ano anterior. O reflexo nas mesas é imediato: o consumidor deixa de se identificar com pratos fartos e passa a evitar alimentos ultraprocessados, gordurosos ou excessivamente açucarados.
Mudança no perfil de consumo
Para o setor de alimentação, o desafio é equilibrar a oferta. O cliente que utiliza esses medicamentos atinge a saciedade mais rapidamente e torna-se mais criterioso. Segundo Rafael Fraga, chef de gastronomia da Prática, o mercado vive uma transição na forma como o consumidor se relaciona com a comida.
“O cliente não quer apenas comer menos, ele quer comer melhor. Isso leva o foodservice a repensar cardápios, tamanhos de porção, composição dos pratos e até a forma como o valor da refeição é percebido”, explica Fraga.
Adaptação e Precificação
A nova dinâmica exige que as cozinhas trabalhem com porções reduzidas, pratos fracionados e opções personalizáveis. Outro ponto crítico é o valor cobrado: muitos clientes passam a questionar o preço de pratos tradicionais quando não conseguem consumir toda a quantidade servida.
Principais adaptações observadas no setor:
- Menus flexíveis: Criação de porções “meia-fome” ou formatos adaptados;
- Foco nutricional: Substituição de ingredientes pesados por opções mais naturais e equilibradas;
- Eficiência operacional: Produção sob demanda para evitar o desperdício gerado pelas sobras nos pratos.
O movimento aponta para um cenário de consumo mais consciente. “A adaptação passa por planejamento, eficiência operacional e decisões mais técnicas sobre porções, processos e equipamentos, para atender um cliente que come menos, mas é cada vez mais exigente”, finaliza o chef Rafael Fraga.


















