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A operação que terminou com a morte de Nemesio Oseguera Cervantes no último domingo (22), conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), começou com um trabalho de inteligência e terminou após duas trocas de tiros no interior do estado de Jalisco.

Segundo as autoridades mexicanas, o serviço de inteligência interceptou uma pessoa de confiança de uma das parceiras amorosas do narcotraficante. A partir dessa informação, militares localizaram um imóvel na cidade de Tapalpa, onde ele teria se reunido com integrantes de seu círculo mais próximo no sábado (21).

No domingo (22), forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional iniciaram a operação para prendê-lo. Foram mobilizados seis helicópteros e aviões modelo Texan. Ao perceber a presença dos militares, a segurança pessoal do traficante abriu fogo.

“Mencho fugiu, deixando para trás um grupo com grande quantidade de armas; foi um ataque verdadeiramente violento perpetrado por um grupo do crime organizado. E os militares das Forças Especiais repeliram o ataque”, afirmou o secretário de Defesa Nacional do México, general Ricardo Trevilla. Segundo o relato oficial, os suspeitos estavam armados com sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes. Após a primeira troca de tiros, El Mencho e parte de seus seguranças conseguiram escapar para uma área de vegetação próxima.

Os militares estabeleceram um perímetro na região e o localizaram escondido em área de vegetação rasteira, ainda com vida. Houve então um segundo confronto. Um helicóptero do Estado precisou realizar pouso de emergência após ser atingido por disparos. El Mencho e dois guarda-costas ficaram gravemente feridos.

“Assim que a situação foi controlada, a equipe médica militar chegou ao local onde Mencho e sua equipe de segurança estavam. Todos os feridos estavam em estado crítico. Um helicóptero foi solicitado para pousar e transportá-los para um centro médico em Jalisco. Mencho, seus dois guarda-costas e o oficial ferido foram transportados. Infelizmente, ele faleceu durante o transporte”, declarou Trevilla. As duas trocas de tiros deixaram 15 suspeitos ligados ao cartel mortos. Três militares ficaram feridos.

Reação após a morte

A morte provocou uma série de atos violentos em diversas regiões do México no domingo (22), com registros de confrontos e bloqueios em diferentes estados. De acordo com o governo mexicano, a situação foi controlada ao longo da segunda-feira (23), e não houve novos distúrbios registrados desde então.

Segundo o Gabinete de Segurança da Presidência, foram contabilizados 252 bloqueios em 20 dos 31 estados do país. Vinte e sete agentes do Estado morreram, além de 30 suspeitos de participarem das ações violentas atribuídas ao cartel. As autoridades informaram que o grupo ofereceu 20 mil pesos por militar assassinado.

A presidente Claudia Sheinbaum afirmou, em coletiva de imprensa, que o país estaria “em paz”. “Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas ontem. E nosso mais profundo respeito. O povo do México deve se orgulhar muito de nossas Forças Armadas e de nosso gabinete de segurança.”

Em Guadalajara, capital de Jalisco, o jornalista Enrique Blanc relatou que a cidade ficou deserta no domingo, com comércios fechados.

Cooperação com os EUA

Desde 2016, El Mencho integrava a lista de fugitivos mais procurados dos Estados Unidos, que ofereciam US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. No México, a recompensa chegava a 30 milhões de pesos.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou a operação e destacou a cooperação entre os países. “El Mencho era um alvo prioritário para os governos mexicano e americano, sendo um dos principais traficantes de fentanil para o país. O governo Trump também elogia e agradece às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e pelo sucesso na execução desta operação”, afirmou.

A presidente mexicana enfatizou que a participação dos Estados Unidos se limitou à troca de informações. “Todas as operações são conduzidas por forças federais. Não há participação de forças americanas na operação. O que existe é uma grande troca de informações.”

Segundo o general Trevilla, as informações iniciais sobre o círculo íntimo do traficante foram obtidas pela inteligência mexicana, com dados adicionais fornecidos pelos EUA.

Disputa entre cartéis

O Cartel de Sinaloa é considerado o principal rival do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). As duas organizações disputam o controle de rotas internacionais usadas para o envio de drogas aos Estados Unidos e a outros países, além de territórios estratégicos dentro do México que funcionam como corredores logísticos para produção, armazenamento e transporte de entorpecentes.

Essa disputa por áreas de influência e acesso aos mercados internacionais é apontada por especialistas como um dos fatores que alimentam a violência no país nos últimos anos.

A advogada especialista em políticas sobre drogas, Gabriela de Luca, avalia que a morte de El Mencho pode provocar instabilidade no curto prazo.

“Possivelmente o próprio [Cartel de] Sinaloa, entre outros, podem tentar ocupar rotas e territórios, redistribuindo forças no mercado ilícito”, afirmou.

Para a especialista, o cenário mais provável não é uma redução imediata do tráfico, mas uma reorganização interna entre os grupos criminosos. Ela aponta que disputas pela sucessão no comando do CJNG ou tentativas de expansão por parte de rivais podem resultar em novos confrontos e aumento localizado da violência.

*Informações: Agência Brasil

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