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Levantamento da União Brasileira de Compositores mostra desigualdade na distribuição de renda e aumento da participação feminina no setor musical

Um estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) aponta que apenas 10% dos direitos autorais arrecadados na indústria da música foram destinados a mulheres em 2025. Entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, somente 11 são mulheres.

Os dados fazem parte da edição 2026 do estudo Por Elas Que Fazem Música, lançado pela entidade para analisar as condições de participação feminina e a desigualdade de gênero no setor. Segundo o levantamento, embora a presença feminina ainda seja minoritária na arrecadação total, houve avanço na posição ocupada pelas mulheres no ranking. A melhor colocação feminina passou do 21º lugar para o 16º.

Entre as mulheres que recebem direitos autorais, as autoras concentram a maior parte dos valores, com 73% da arrecadação. As intérpretes ficam com 23%. Já as musicistas executantes representam 2%, enquanto versionistas e produtoras fonográficas aparecem com apenas 1% cada.

O estudo também aponta aumento na participação feminina no registro de obras e fonogramas. Em 2025, o número de fonogramas registrados por produtoras cresceu 13%. Já as obras cadastradas por autoras e versionistas tiveram alta de 12%. Na avaliação da UBC, esse movimento indica avanço na presença feminina não apenas como intérpretes, mas também em funções ligadas à criação e à produção musical.

Mesmo com os avanços, a entidade afirma que a participação feminina ainda precisa crescer em diversas áreas da indústria. Segundo a UBC, desde a primeira edição do relatório, em 2017, houve aumento de 229% no número de mulheres associadas à instituição. “Um salto expressivo que reflete o interesse e a busca por reconhecimento na indústria, mas que ainda não se traduz de maneira proporcional nos rendimentos obtidos”, apontou a entidade.

Concentração regional

O levantamento mostra que a maior parte das mulheres atuando na música está nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul, que concentram 88% do total. O Sudeste lidera com 60%. Em seguida aparecem Nordeste, com 17%, e Sul, com 11%. O Centro-Oeste representa 8% e o Norte tem a menor participação, com 3%.

Para a UBC, a desigualdade geográfica evidencia a necessidade de políticas e ações que ampliem o acesso de mulheres de todas as regiões ao setor musical.

Assédio e discriminação

Além do estudo principal, a entidade realizou uma pesquisa digital com mais de 280 mulheres, no primeiro bimestre de 2026, para avaliar episódios de assédio, violência e discriminação no ambiente profissional.

Entre as entrevistadas, 65% disseram ter sofrido assédio no meio profissional. O tipo mais relatado foi o sexual, citado por 74% das respondentes, seguido do verbal (63%) e do moral (56%).

Em relação à violência, 35% afirmaram ter passado por situações desse tipo. Entre elas, 72% relataram violência psicológica, 58% mencionaram toque físico sem consentimento e 38% violência verbal.

Os dados também mostram situações frequentes de discriminação no trabalho. Entre as entrevistadas, 63% disseram ter sido ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais, 59% ouviram comentários que desqualificaram sua competência, 57% sentiram cobrança maior para provar capacidade e 52% tiveram créditos omitidos ou minimizados.

Segundo o levantamento, os ambientes mais associados a essas situações são reuniões de negócio (45%), bastidores de shows (31%), passagem de som (27%) e processos de contratação e seleção de equipe (26%).

Impactos da maternidade

Entre as entrevistadas que têm filhos, 60% afirmaram que a maternidade interferiu na carreira musical. As principais dificuldades citadas foram redução de convites, menos oportunidades de trabalho e limitações para viagens ou turnês, além de comentários negativos sobre dedicação à maternidade.

Renda no setor

Os segmentos de rádio e shows aparecem como os mais lucrativos para as mulheres, cada um responsável por 17% da arrecadação total feminina. Em seguida está o streaming de música, com participação de 11%. O cinema representa a menor fatia da renda no setor, com apenas 0,5%.

Para 55% das entrevistadas, a música é a principal fonte de sustento. Outras 29% disseram que a atividade não representa a renda principal.

Entre as participantes do levantamento, 45% se classificaram como profissionais do mercado musical, 25% como compositoras, 22% como intérpretes e 8% como musicistas executantes. O estudo também indica que 37% atuam no setor há 21 anos ou mais.

*Informações e imagem: Agência Brasil

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