A capital sul-mato-grossense recebe, no dia 9 de abril, o show da banda norte-americana Guns N’ Roses, no Autódromo Orlando Moura. A apresentação integra a turnê mundial “Because What You Want & What You Get Are Two Completely Different Things” e deve reunir cerca de 40 mil pessoas, com público vindo de diversas regiões do país e até de cidades da fronteira.
A abertura dos portões está prevista para as 16h, com início do show às 20h30. A produção estima que aproximadamente 70% do público seja de fora de Campo Grande, com a chegada de milhares de fãs já no dia anterior ao evento.
A venda de ingressos indica a dimensão da procura. Mais de 20 mil entradas foram comercializadas em cerca de uma hora na abertura das bilheterias, colocando o evento entre os de maior demanda recente na capital.
Inclusão no circuito internacional
A escolha de Campo Grande para receber o show marca um movimento ainda pouco frequente na região Centro-Oeste. Segundo o organizador Valter Júnior, a realização do evento também representa uma tentativa de inserir a cidade no circuito de grandes turnês.
“A gente acredita que depois desse show, por ser uma das maiores bandas do mundo, a gente vai receber bastante coisa bacana. A gente precisa mostrar pra eles que a cidade tem capacidade pra isso”, afirmou.
Ele destacou, no entanto, que a ausência de uma estrutura adequada ainda é um desafio. “Sempre a defesa deles é essa: vocês não têm um estádio, vocês não têm um lugar apropriado pra poder receber um evento desse”, disse. “Eu venho lutando pra trazer esse show há mais de um ano e meio”.
Apesar das limitações, o organizador afirma que já há negociações em andamento. “A gente já tá conversando, assim, com outras bandas já. Provavelmente venha algo até maior”.
Estrutura e operação
A montagem da estrutura começou na última semana e deve transformar o autódromo, hoje um espaço aberto, em uma arena completa para o evento. Segundo a organização, será necessário instalar sistemas de hidráulica, elétrica e piso, além de toda a estrutura de palco, som e iluminação.
“Aqui não tem nada. A gente tá no descampado. Vai ter que montar tudo isso aqui que você tá vendo”, disse Valter Júnior.
O palco será o mesmo utilizado pela banda em outras cidades da turnê, com padrão internacional. A estrutura principal começa a chegar no início de abril.
A operação logística envolve ainda planejamento para acesso, trânsito e segurança. A organização trabalha com a chegada antecipada do público como estratégia para reduzir impactos.
“Como é um show que o pessoal chega muito antes, a gente acredita nessa estratégia. Nossa preocupação é muito mais a chegada do que a saída”, afirmou.
Ele também destacou a atuação conjunta com órgãos de segurança. “A gente vai estar com um efetivo muito grande da PRF junto com o evento”.
Repertório e abertura
O show deve ter duração superior a três horas, seguindo o padrão recente da banda em turnês internacionais. O repertório inclui clássicos como “Sweet Child O’ Mine”, “November Rain” e “Paradise City”.
Antes da atração principal, a banda Raimundos fará a abertura. A escolha, segundo o organizador, foi pessoal. “Eu sou fã da banda. Ouço desde criança e sempre foi um sonho”.
Impacto na economia
A realização do evento já provoca reflexos na economia local. Hotéis registram alta ocupação e há aumento na demanda por transporte, alimentação e serviços.
“Se a gente tá falando de 70% de um público de fora, vamos trabalhar com um público de 40 mil pessoas consumindo na cidade. Isso movimenta muito a economia”, afirmou Valter Júnior. “Se as pessoas tivessem noção do tanto que isso é bom pra cidade, é absurdo”.
A falta de leitos disponíveis, inclusive, se tornou uma preocupação da organização. “A gente não tem mais lugar em Campo Grande pra ficar”, disse.
Projeção futura
A passagem do Guns N’ Roses por Campo Grande reforça um movimento de descentralização de grandes eventos no Brasil. Para o organizador, o sucesso do show pode abrir portas para novas atrações.
“Tem que ter muito amor por Campo Grande pra trazer esse investimento. A gente tá perdendo muita coisa pra outras cidades por falta de estrutura”, afirmou. “Mas eu acredito que, depois desse evento, muita coisa pode mudar”.
Ele resume a expectativa: “Se a gente mostrar que dá certo, a cidade pode entrar de vez na rota dos grandes shows”.





















