A logística pode ser a diferença entre a vida e a morte para pacientes que aguardam na fila por um transplante. Em Mato Grosso do Sul, o transporte aéreo de órgãos tem se consolidado como peça-chave para garantir agilidade nas cirurgias e ampliar as chances de sucesso dos procedimentos.
Mantida pelo Governo do Estado, a operação envolve a Coordenadoria de Transporte Aéreo (CTA), vinculada à Casa Militar, e a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov). O serviço é responsável por transportar equipes médicas para a captação de órgãos e também para a realização dos transplantes, com atuação em diferentes regiões do país.
Na terça-feira (24), foi realizada a décima missão de captação de 2026, com a retirada de fígado e rins de um doador em Dourados. Desde 2023, já foram 39 operações do tipo, sendo 19 apenas em 2025. Além de cidades sul-mato-grossenses, as missões já ocorreram em estados como Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia e Distrito Federal.
A rapidez no deslocamento é determinante. Órgãos como fígado e rins possuem um tempo limitado de viabilidade fora do corpo, o que exige precisão na coordenação das equipes e agilidade no transporte.
“É um convênio, que funciona muito bem, já salvamos várias vidas transportando as equipes que fazem os transplantes. Fazemos este trabalho sempre que estamos disponíveis, quando o órgão é compatível com o paciente, entre outros fatores. E isso é realizado em qualquer dia da semana e horário”, afirmou o coronel Marcos Paulo Gimenez, chefe da Casa Militar e responsável pela CTA.
Segundo o médico cirurgião Gustavo Rapassi, responsável pelo programa de transplantes de fígado, rins e pâncreas no Estado, a integração entre as equipes é essencial para que os órgãos cheguem a quem precisa.
“Os órgãos disponíveis em toda a região Centro-Oeste e Norte, quando não são compatíveis com receptores, eles são ofertados para outras regiões. Por conta das grandes distâncias, a gente só consegue captar com o apoio do transporte aéreo, realizado na maioria das vezes pela Casa Militar. E isso aumenta a chance dos receptores, dos nossos pacientes nossos que estão em fila para receber um órgão”, explicou.
O acionamento das equipes ocorre de forma emergencial. Em média, pilotos e tripulação têm até uma hora para se apresentar e iniciar a missão. A operação envolve análise das condições de voo, planejamento da rota e preparação da aeronave.
“Podemos ser chamados a qualquer momento. Todos nós somos preparados para estar no lugar em no máximo uma hora para atender esse tipo de demanda. E aí existe toda uma coordenação interna da parte de operações e dos pilotos, onde a gente analisa a possibilidade do voo, verifica se é possível e dá o start da missão, é um voo diferenciado. Exige de nós pilotos uma habilidade para fazer sempre da forma mais rápida e atender essa demanda de entrega do órgão”, disse o delegado da Polícia Civil e piloto da CTA, Enilton Zalla.
Para o tenente da Polícia Militar Avyner Falcão, que também atua como piloto, o trabalho carrega um significado que vai além da técnica. “Eu cheguei mais recentemente, mas tive a grata oportunidade de fazer alguns voos relacionados ao transporte das equipes para captação de órgãos. E é algo diferente, muito gratificante”, afirmou.
Com sete anos de atuação em missões do tipo, Zalla reforça a importância da doação de órgãos e lembra de casos marcantes. “Nós trabalhamos dentro de um sistema de transporte de órgãos que ajuda muitas pessoas. Então quem tiver acesso a esta mensagem, eu peço que estimule o seu familiar a ser um doador de órgãos. Eu sei que é um momento muito triste, a perda de um familiar. Mas que possamos pensar que alguém está precisando. Assim mais pessoas poderão ter suas vidas salvas”.
Ele também recorda um episódio que ilustra o impacto do trabalho. “Eu lembro de um caso, de um paciente que já tinha tentando 12 vezes fazer o transplante, e por vários motivos não tinha dado certo. E só na 13ª vez ele conseguiu, isso foi há um ano. Esse paciente agradeceu muito por termos ajudado a salvar a vida dele”, disse.
Para o cirurgião Gustavo Rapassi, a logística eficiente pode representar uma segunda chance. “O transporte facilita bastante, porque o tempo de deslocamento dos órgãos é curto, e melhora resultado do transplante. Os pacientes que aguardam, estão numa situação de vida ou morte, e quando um órgão vem e ele perde por falta de transporte, a gente não sabe se aquele paciente vai receber uma segunda chance. Então, por isso que a disponibilidade da Casa Militar em nos ajudar é essencial”, afirmou.
O sistema de transporte aéreo integra a rede de transplantes e reforça a importância da articulação entre logística, equipes médicas e a conscientização da população sobre a doação de órgãos. Em um cenário em que cada minuto conta, a eficiência na operação pode significar a diferença entre esperar e recomeçar.
Com informações e imagem do Governo de Mato Grosso do Sul




















