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Um novo relatório internacional apresentado durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande, aponta que os peixes migratórios de água doce estão entre os grupos mais ameaçados do planeta. O estudo identificou ao menos 325 espécies sob pressão e dependentes de ações urgentes de conservação.

Do total, 55 espécies estão na América Latina, com destaque para a Bacia Amazônica, considerada uma das áreas prioritárias para proteção internacional.

Os dados revelam um cenário considerado crítico: as populações desses peixes caíram, em média, 81% desde 1970, configurando uma das maiores perdas já registradas entre vertebrados aquáticos. Especialistas classificam o fenômeno como uma “crise silenciosa” que ocorre longe da percepção pública, mas com impactos diretos na biodiversidade e na segurança alimentar.

Pressão crescente sobre espécies e rios

Segundo o relatório, a principal causa do declínio é a ação humana. A construção de barragens, a poluição por resíduos e substâncias químicas e a pesca predatória estão entre os fatores mais relevantes. A esses impactos se somam as mudanças climáticas, que intensificam secas, alteram o fluxo dos rios e dificultam a reprodução das espécies.

A fragmentação dos rios é apontada como um dos principais problemas. Com cursos d’água interrompidos, os peixes deixam de cumprir rotas migratórias essenciais para alimentação e reprodução, o que compromete sua sobrevivência.

Essas espécies têm papel estratégico nos ecossistemas e também na economia de comunidades ribeirinhas. Em muitas regiões, representam a principal fonte de proteína e renda para populações locais.

Amazônia sob risco

O estudo destaca a situação da Amazônia como especialmente preocupante. Episódios recentes de seca extrema têm agravado o cenário e colocado pressão adicional sobre espécies já vulneráveis.

A avaliação inclui ainda estudos de caso com espécies amazônicas que percorrem longas distâncias — algumas chegam a viajar milhares de quilômetros ao longo dos rios para completar seu ciclo de vida. Esse deslocamento depende de rios livres e conectados, condição cada vez mais rara.

Resposta internacional

Durante a conferência, delegações de diferentes países discutem estratégias conjuntas para frear o declínio das espécies migratórias. A proposta é ampliar a cooperação internacional, já que essas espécies atravessam fronteiras e dependem de ações coordenadas entre países.

Entre as iniciativas em debate está a criação de planos regionais de conservação e a inclusão de novas espécies em listas de proteção global.

Especialistas alertam que, apesar de ainda haver tempo para reverter parte das perdas, as ações precisam ser rápidas e integradas. Sem medidas efetivas, o risco é de desaparecimento de espécies fundamentais para o equilíbrio dos rios e para a sobrevivência de milhões de pessoas.

Com informações e imagem da Agência Brasil

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