O varejo ampliado de Mato Grosso do Sul cresceu 1,6% no primeiro bimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Termômetro do Varejo, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O desempenho supera a média nacional, que ficou em 1,1%, e reforça um cenário de retomada gradual da economia estadual.
Apesar do crescimento anual, janeiro registrou retração de 0,7% em relação a dezembro, movimento considerado sazonal após o período de festas de fim de ano. Outros setores, no entanto, apresentaram desempenho mais robusto.
O setor de serviços avançou 6,9% na comparação anual, enquanto a produção industrial, após um ano de dificuldades em 2025, cresceu 8,7%. No agronegócio, a projeção de faturamento para 2026 é de R$ 82,2 bilhões, alta de 3% sobre o ano anterior.
Emprego e inflação
O mercado de trabalho manteve saldo positivo em janeiro, com a criação de 3.936 vagas formais no estado. O comércio, por sua vez, registrou fechamento de 764 postos, reflexo do encerramento de contratos temporários típicos do período pós-Natal.
Ainda assim, o setor segue como o maior empregador de Mato Grosso do Sul, concentrando cerca de 23% dos empregos formais.
Em Campo Grande, a inflação oficial medida pelo IPCA acumulou alta de 2,1% em 12 meses até fevereiro, abaixo da média nacional de 3,8%. O grupo “Educação” liderou as altas, com variação de 5,2%, seguido por vestuário. Já o Fundação Getulio Vargas apontou queda de 2,67% no IGP-M nacional no mesmo período, indicando recuo nos preços no atacado.
Juros e inadimplência no radar
A presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, avalia que os dados indicam um início de ano positivo, mas ainda cercado de incertezas.
“Os números mostram, em suma, um bom começo para a economia sul-mato-grossense, mas ainda é cedo para antecipar tendências definitivas para o ano”, afirma.
Segundo ela, o desempenho ao longo de 2026 dependerá, principalmente, da trajetória dos juros e do nível de endividamento das famílias.
“Esperamos um movimento de queda nos juros, mas é preciso ponderar que esse efeito no varejo manifesta-se com defasagem, devendo ser percebido com clareza apenas no segundo semestre. Outro ponto de atenção será a evolução da inadimplência, que ganhou força nos últimos meses e é um condicionante central para o consumo”, pontua Inês Santiago.
Serviços puxam retomada
O setor de alimentação fora do lar é apontado como um dos motores da retomada econômica no estado. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul, João Francisco Fornari, o segmento vem ganhando competitividade e se consolidando no cenário nacional.
“O Mato Grosso do Sul hoje não deve nada para nenhum grande centro gastronômico do país. Temos serviço de excelência e uma culinária que valoriza nossas raízes”, afirma.
Ele destaca, no entanto, que a qualificação da mão de obra ainda é um desafio para o crescimento do setor.
“Nosso maior gargalo atualmente é a qualificação. O setor cresce, mas precisamos de pessoas preparadas para entregar a experiência que o cliente sul-mato-grossense exige.”
Fornari também aponta o calendário de eventos como fator de estímulo ao consumo ao longo do ano.
“O calendário de eventos e o turismo de negócios estão sendo os grandes motores da nossa retomada, injetando otimismo no caixa do empresário.”
Perspectiva
O conjunto de indicadores sugere um cenário de recuperação gradual da economia sul-mato-grossense, com avanço em setores estratégicos e inflação controlada. Ainda assim, o ritmo de crescimento deve seguir condicionado a fatores macroeconômicos, como juros e crédito, além do comportamento do consumidor nos próximos meses.




















