O governo de Mato Grosso do Sul iniciou a distribuição de 150 bombas costais para reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypti, em meio ao aumento de casos de dengue, chikungunya e zika no Estado. Os equipamentos serão destinados aos 79 municípios, conforme critérios técnicos e demanda local.
A medida ocorre em um momento de pressão sobre os serviços de saúde, com cidades registrando crescimento de notificações e, em alguns casos, surtos de arboviroses. O investimento total é de R$ 650 mil, com recursos estaduais.
As bombas costais são utilizadas na aplicação localizada de inseticidas, principalmente em áreas com maior incidência do mosquito, como residências e terrenos. O objetivo é agilizar ações de bloqueio e reduzir a circulação do vetor.
Para a secretária-adjunta da Saúde, Crhistinne Maymone, o reforço chega em um cenário que exige respostas rápidas. “Estamos vivendo um momento em que alguns municípios já enfrentam surto, e a resposta precisa ser rápida e integrada. O Estado atua no apoio técnico e estrutural, mas esse trabalho só tem resultado quando há alinhamento com os municípios e execução efetiva no território”, afirmou.
Segundo o coordenador de Controle de Vetores, Mauro Lúcio Rosário, o uso do equipamento permite maior precisão nas ações de campo. “A bomba costal permite uma aplicação mais precisa do inseticida, alcançando locais onde o mosquito está, principalmente em ações de bloqueio, o que aumenta a efetividade do controle vetorial”, disse.
Apesar do reforço, gestores municipais apontam que a eficácia das medidas depende também da adesão da população. Em cidades menores, onde a estrutura é mais limitada, o apoio do Estado tem sido visto como essencial, mas insuficiente diante de problemas recorrentes, como o acúmulo de água em residências.
Em Paraíso das Águas, o secretário municipal de saúde, Ueder Pereira de Paula, destaca a importância do suporte logístico. “Foi disponibilizada uma caminhonete pelo governo, isso ajuda muito o município de pequeno porte. A gente tem uma assistência sim, eu acho que dá para agregar Estado com o município”, afirmou. Ele ressalta, no entanto, que o combate ao mosquito esbarra em hábitos cotidianos. “O Estado está fazendo a parte dele, o município tenta fazer a dele, mas os moradores às vezes não fazem a parte deles, principalmente dentro da casa que está o foco mesmo”.
Em Porto Murtinho, a estratégia tem sido manter ações contínuas de prevenção e monitoramento. Segundo o gerente de Vigilância em Saúde, Vilso de Campos, o município apresenta cenário mais controlado, apesar do avanço da doença em outras regiões. “Nós, pela situação que está o Estado e a gente tem acompanhando, estamos assim, um pouco tranquilos, porque estamos num patamar bem legal. Nós temos notificação, mas os casos não são positivos”.
Ele afirma que o uso das bombas pode ampliar a capacidade de resposta das equipes, com possibilidade de cobertura de até 180 casas por dia.
Já em Vicentina, o reforço chega após um surto de chikungunya registrado no ano passado. A secretária municipal de saúde, Ludelça Dorneles dos Santos, afirma que o município tenta evitar um novo cenário crítico. “Ano passado a gente teve um surto de chikungunya lá. Foi bem sofrido, muito difícil. Mas esse ano a gente está trabalhando”.
Ela destaca o apoio estadual durante o período mais grave. “Toda ajuda é bem-vinda e o Estado tem feito esse trabalho de parceria com os municípios no combate à dengue e à chikungunya e a gente fica grato”.
O cenário ainda preocupa em cidades como Fátima do Sul, que registra alta incidência recente de chikungunya. A secretária municipal de saúde, Regiane Freire, relata a intensificação das ações de bloqueio. “Nós estamos com alta incidência com chikungunya no município. Tivemos fazendo ações intensivas lá com as bombas costais.”
Ela aponta que práticas comuns da população continuam contribuindo para a proliferação do mosquito. “Temos moradores que juntam água da chuva pra molhar planta e lavar calçada, mas não deixam eliminarmos.”
Além da distribuição dos equipamentos, o Estado também reforçou a estrutura de vigilância com a entrega de mais de 50 caminhonetes nos últimos meses, ampliando a mobilidade das equipes de campo.
Especialistas alertam que, apesar do reforço logístico, o controle das arboviroses depende principalmente da eliminação de criadouros. Medidas simples, como evitar água parada em recipientes, manter caixas d’água vedadas e limpar calhas, seguem sendo consideradas as mais eficazes para conter a proliferação do mosquito.
Com informações e imagem do Governo de Mato Grosso do Sul




















