O governo federal decidiu zerar ou reduzir o imposto de importação de quase mil produtos, em uma nova tentativa de aliviar preços ao consumidor e reduzir custos para a indústria. A medida foi aprovada pelo comitê executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A lista inclui medicamentos usados no tratamento de doenças como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia, além de insumos agrícolas, produtos hospitalares e itens utilizados pela indústria têxtil. Também entram na medida 970 bens de capital e de informática e telecomunicações, equipamentos usados na produção e na digitalização de empresas.
Segundo o governo, a redução foi aplicada a produtos sem fabricação nacional ou com oferta insuficiente no país. Nesses casos, a importação mais barata tende a evitar gargalos produtivos e pressão sobre os preços.
A decisão ocorre em um momento de preocupação com o custo de vida e com a retomada mais lenta de alguns setores da economia. Ao baratear insumos e produtos importados, a aposta da equipe econômica é reduzir o repasse de custos ao consumidor final e estimular a atividade industrial.
Na prática, o impacto deve variar conforme o setor. Na área da saúde, por exemplo, a medida pode facilitar o acesso a medicamentos e insumos hospitalares, embora especialistas apontem que a redução de preços nem sempre chega integralmente ao consumidor, dependendo da cadeia de distribuição. Já no agronegócio, a queda no custo de fungicidas e inseticidas pode aliviar despesas de produção em meio à volatilidade internacional.
Para a indústria, especialmente a de transformação, a redução do imposto sobre máquinas e equipamentos tende a favorecer investimentos e modernização. Por outro lado, há críticas recorrentes de setores produtivos que veem nas desonerações pontuais um risco de aumento da dependência de produtos estrangeiros, em detrimento da produção nacional.
A medida se soma a uma série de iniciativas adotadas desde 2023 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar estimular a economia por meio da redução de tributos. Entre elas, estão mudanças no Imposto de Renda, com ampliação da faixa de isenção, e desonerações voltadas a setores específicos, como a indústria química.
Especialistas avaliam que o efeito das medidas depende do equilíbrio entre estímulo ao consumo e impacto nas contas públicas. Ao abrir mão de arrecadação, o governo precisa compensar a perda de receita ou ampliar o endividamento, o que pode limitar o alcance das políticas no médio prazo.
Ainda assim, em um cenário de inflação pressionada por fatores externos e instabilidade nas cadeias globais, a redução de tarifas de importação é vista como um instrumento de resposta mais imediata. O desafio, segundo analistas, será garantir que o alívio nos custos se traduza, de fato, em preços mais baixos para a população.
Com informações e imagem do Governo Federal




















