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Após 21 horas de negociações em Islamabad, no Paquistão, delegações dos Estados Unidos e do Irã deixaram a mesa sem um acordo de paz, ampliando a tensão no Oriente Médio e elevando o risco de impacto global no mercado de petróleo. O impasse levou o presidente Donald Trump a anunciar medidas duras contra Teerã, incluindo a possibilidade de bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, que participou das conversas, afirmou que o Irã rejeitou os termos apresentados por Washington. “Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não vão criar uma arma nuclear e que não vão em busca de ferramentas que possibilitem o desenvolvimento rápido desta arma nuclear. Este é o objetivo central do presidente dos EUA e é isso o que tentamos conseguir nessas negociações”, declarou, antes de retornar a Washington.

Do lado iraniano, o discurso foi de desconfiança. O chefe do Parlamento e líder da delegação, Mohammad-Bagher Ghalibaf, disse que houve disposição para negociar, mas criticou a postura americana. “[Apresentamos] iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, afirmou.

Segundo ele, o histórico recente de confrontos pesou na decisão. “Devido às experiências das duas agressões anteriores dos EUA e de Israel contra o país persa, não confiávamos no lado oposto”, acrescentou.

Escalada após fracasso diplomático

Com o fracasso das tratativas, Trump elevou o tom e anunciou que a Marinha dos EUA poderá impedir a circulação de navios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

“Também instruí nossa Marinha a buscar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar. Também começaremos a destruir as minas que os iranianos colocaram no Estreito”, disse o presidente.

A região concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, e qualquer restrição à navegação tende a provocar instabilidade nos preços internacionais e reflexos diretos na economia global.

Disputa por Ormuz e programa nuclear

O Irã mantém a posição de que seu programa nuclear tem fins pacíficos e acusa os Estados Unidos de utilizarem o tema como justificativa para pressionar por mudanças no regime político do país.

Ao mesmo tempo, autoridades iranianas indicam que o controle sobre o Estreito de Ormuz não voltará ao padrão anterior ao conflito. O novo líder supremo, Seyyed Mojtaba Khamenei, já havia sinalizado mudanças nas regras de passagem pela rota marítima.

Durante as negociações, além da questão nuclear, estiveram em pauta temas como indenizações de guerra, suspensão de sanções e o fim das hostilidades na região.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, relativizou o fracasso imediato. “Era natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações”, afirmou à agência estatal Irna.

Cenário de incerteza

O encontro ocorreu em meio a um frágil cessar-fogo de duas semanas, estabelecido após confrontos diretos entre forças dos EUA, Israel e o Irã no fim de fevereiro. A ausência de avanços concretos nas negociações aumenta o risco de retomada das hostilidades.

Analistas internacionais avaliam que o impasse expõe a profundidade das divergências entre os dois países, especialmente em relação à segurança regional e ao controle de rotas estratégicas.

Sem acordo, o cenário permanece instável e com potencial de repercussões que vão muito além do Oriente Médio.

Foto: Reprodução/Jornal Nacional

Com informações da Agência Brasil

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