O Dia das Mães deve movimentar cerca de R$ 150 milhões no comércio de Campo Grande em 2026, com expectativa de crescimento de 7,5% nas vendas em relação ao ano passado. Os dados são de levantamento da CDL Campo Grande em parceria com o SPC Brasil, que aponta otimismo no varejo, mas também indica mudanças no perfil de consumo e riscos ligados ao endividamento.
Considerada a principal data do primeiro semestre para o comércio, o Dia das Mães chega neste ano com um cenário de transformação no comportamento do consumidor. A pesquisa, realizada entre 10 e 15 de abril com 280 moradores da Capital, mostra que parte significativa das mães tem redirecionado seus gastos.
Segundo o levantamento, 32% das mães estão realizando algum tipo de tratamento de saúde ou voltado à obesidade, sendo que 24% utilizam medicamentos como apoio. O movimento, mais presente nas classes A, B e C, tem provocado uma migração de consumo: despesas antes concentradas em alimentação e refeições em grande volume passam a dar espaço para produtos ligados ao autocuidado.
Com isso, setores como moda, estética e perfumaria ganham protagonismo. A mudança inclui, por exemplo, a busca por roupas em novos tamanhos e experiências mais personalizadas, em detrimento de opções tradicionais como rodízios e bufês.
“A mãe de hoje está em transição de hábitos, e o varejo precisa acompanhar esse movimento. Estoques e estratégias precisam ser ajustados à nova demanda”, afirma o economista Antônio Silva, da CDL Campo Grande.
Apesar do cenário positivo nas vendas, o nível de endividamento da população acende um alerta. De acordo com a pesquisa, 71% dos consumidores economicamente ativos na Capital têm dívidas, o que reduz a margem para gastos e aumenta o risco de inadimplência.
Para o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, o momento exige cautela dos empresários. “Faturar não é o mesmo que receber. Com alto nível de endividamento, o lojista precisa priorizar segurança nas vendas e evitar comprometer o caixa”, diz.
A entidade orienta o uso de ferramentas de análise de crédito, como consultas ao SPC Brasil, além da adoção de estratégias que reduzam riscos, como o incentivo ao pagamento via Pix com descontos e a oferta de parcelamentos mais curtos.
A pesquisa também indica que o ticket médio deve ficar entre R$ 250 e R$ 300 por presente. Entre os meios de pagamento, cresce a preferência por parcelamentos em até quatro vezes, além do uso do Pix, impulsionado por descontos imediatos.
Na avaliação da CDL, o desempenho do comércio no Dia das Mães deste ano dependerá da capacidade dos lojistas de se adaptar ao novo perfil de consumo e de equilibrar crescimento nas vendas com controle financeiro.
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