Carregando…

Compartilhe

Considerada uma das dores mais intensas da medicina, a cefaleia em salvas segue cercada de desinformação e frequentemente demora a ser diagnosticada. A condição neurológica, que provoca crises súbitas e incapacitantes de dor em um dos lados da cabeça, afeta principalmente a região dos olhos e pode comprometer drasticamente a qualidade de vida dos pacientes.

Apesar de ser popularmente confundida com uma dor de cabeça comum ou até com enxaqueca, especialistas alertam que a doença possui características próprias e exige tratamento específico.

Segundo José Ricardo Scalise, as crises costumam surgir de forma repentina e atingem rapidamente intensidade elevada.

“As crises podem durar de alguns minutos até cerca de três horas, acontecendo várias vezes ao longo do dia durante semanas seguidas”, afirma o médico.

Dor intensa e comportamento agitado

Um dos principais sinais da cefaleia em salvas é a dor extremamente forte e unilateral, geralmente concentrada ao redor dos olhos. Os episódios também podem provocar lacrimejamento, vermelhidão ocular, congestão nasal e inquietação intensa.

Diferentemente da enxaqueca, em que o paciente tende a procurar repouso em ambientes silenciosos e escuros, quem sofre de cefaleia em salvas costuma apresentar agitação durante as crises.

“Muitos pacientes não conseguem ficar parados por causa da intensidade da dor”, explica José Ricardo.

A condição é considerada rara em comparação a outros tipos de cefaleia, mas especialistas apontam que o desconhecimento da doença contribui para diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.

Alterações cerebrais e fatores de risco

As causas exatas da cefaleia em salvas ainda não são totalmente compreendidas pela medicina. Estudos indicam, porém, uma possível relação com alterações no hipotálamo, região do cérebro ligada ao controle do relógio biológico e do sono.

Além disso, alguns fatores podem desencadear ou agravar as crises, entre eles o consumo de álcool, o tabagismo e mudanças bruscas nos padrões de sono.

Por ocorrer em ciclos, as chamadas “salvas”, a doença pode desaparecer por meses e retornar com intensidade elevada em determinados períodos do ano.

Diagnóstico depende de avaliação especializada

O diagnóstico é feito de forma clínica, a partir da análise dos sintomas e do histórico do paciente. Neurologistas alertam que muitas pessoas passam anos tratando a condição como sinusite, estresse ou enxaqueca antes de receberem a identificação correta.

O acompanhamento especializado é considerado essencial para evitar agravamento das crises e impactos emocionais provocados pela dor constante.

Tratamentos ajudam a controlar as crises

Embora não exista cura definitiva, os tratamentos atuais conseguem reduzir significativamente a intensidade e a frequência dos episódios.

Entre as principais abordagens estão a administração de oxigênio em alta concentração e o uso de medicamentos específicos capazes de aliviar rapidamente as dores durante as crises.

Também existem tratamentos preventivos voltados à redução da recorrência das chamadas salvas.

Data reforça alerta sobre dores recorrentes

O tema ganha destaque às vésperas do Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado nesta terça-feira (19). A data busca conscientizar a população sobre a importância de investigar dores de cabeça intensas e frequentes.

Especialistas reforçam que sintomas persistentes ou incapacitantes não devem ser normalizados.

Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, pacientes conseguem controlar a doença e recuperar parte da qualidade de vida comprometida pelas crises.

Foto: Freepik

Os comentários a seguir não representam a opinião do Portal Total News

Deixe um comentário

Total News MS

AD BLOCKER DETECTED

Indicamos desabilitar qualquer tipo de AdBlocker

Please disable it to continue reading Total News MS.