Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram estabilidade nos índices nos últimos anos, mas especialistas alertam para a importância dos hábitos saudáveis e do acompanhamento precoce
Os índices de obesidade infantil em Mato Grosso do Sul permaneceram estáveis nos últimos cinco anos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Apesar de não haver crescimento expressivo dos casos, especialistas reforçam que a prevenção e o acompanhamento contínuo das crianças seguem fundamentais para evitar o avanço da doença e reduzir os riscos à saúde ao longo da vida.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), referentes às crianças acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde, apontam que a obesidade entre crianças de 0 a 5 anos manteve média de 4,92% entre 2021 e 2025. Em 2021, o índice era de 5,90%; em 2022, caiu para 4,75%; em 2023, ficou em 4,67%; em 2024, atingiu 4,50%; e, em 2025, registrou 4,77%.
Entre crianças de 5 a 10 anos, também houve estabilidade, com leve redução no percentual de obesidade. O índice passou de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025. Já a obesidade grave na mesma faixa etária caiu de 5,76% para 5,37% no período.
Segundo a SES, o primeiro passo para identificar e prevenir a obesidade infantil é o acompanhamento regular do crescimento e do desenvolvimento nas unidades básicas de saúde. Por meio da avaliação de peso e altura, os profissionais conseguem monitorar o estado nutricional da criança e detectar precocemente alterações que indiquem sobrepeso ou obesidade.
As informações são registradas na Caderneta da Criança e permitem acompanhar a curva de crescimento, considerada uma ferramenta importante para orientar intervenções quando necessário.
De acordo com o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, o acompanhamento contínuo é essencial para a promoção da saúde infantil.
“A família tem papel fundamental nesse processo. Ao levar regularmente a criança à unidade de saúde, é possível monitorar seu crescimento e desenvolvimento e identificar precocemente qualquer alteração no estado nutricional. Quanto mais cedo ocorre essa identificação, maiores são as possibilidades de promover mudanças que favoreçam a saúde da criança”, explica.
Mudanças nos hábitos de vida estão entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento da obesidade infantil. O aumento do tempo diante das telas e a redução das atividades físicas passaram a fazer parte da rotina de muitas crianças, substituindo brincadeiras ao ar livre e outras formas de movimento.
Outro fator apontado pelos especialistas é o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas, que apresentam alta densidade calórica e baixo valor nutricional.
“Vivemos em um ambiente que muitas vezes dificulta escolhas saudáveis. Temos o aumento do acesso aos alimentos ultraprocessados, o encarecimento dos alimentos in natura e minimamente processados, além de comportamentos cada vez mais sedentários. São fatores que compõem o chamado ambiente obesogênico, que favorece o desenvolvimento da obesidade”, destaca Holsbach.
O conceito de ambiente obesogênico inclui ainda situações como os chamados desertos alimentares, regiões com pouca oferta de alimentos saudáveis, e os pântanos alimentares, caracterizados pela grande disponibilidade de produtos ultraprocessados. A redução de espaços urbanos destinados à prática de atividades físicas também contribui para esse cenário.
A prevenção da obesidade infantil começa nos primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda que não seja ofertado açúcar nessa faixa etária. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado, de forma complementar, até os dois anos ou mais, também é considerado um importante fator de proteção.
Segundo Holsbach, os hábitos familiares exercem influência direta sobre as escolhas alimentares das crianças.
“A criança aprende observando. Quando a família consome frutas, verduras e legumes regularmente, prepara as refeições em casa e valoriza os alimentos in natura, ela contribui para a formação de hábitos mais saudáveis. Incluir as crianças no preparo dos alimentos também fortalece essa relação positiva com a alimentação”, afirma.
Embora os indicadores mostrem estabilidade nos últimos anos, a SES ressalta que o monitoramento permanente continua sendo fundamental para evitar o avanço da obesidade infantil e promover melhores condições de saúde para a população.
Como parte dessa estratégia, a obesidade infantil integra os temas prioritários trabalhados pela Secretaria no Programa Saúde na Escola (PSE), especialmente nos eixos de promoção da alimentação saudável e incentivo à atividade física. A pasta também atua por meio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), além de promover ações de educação permanente para profissionais da saúde, fortalecer a Vigilância Alimentar e Nutricional e apoiar a implementação da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB).
Segundo a secretaria, o objetivo é ampliar a promoção de hábitos saudáveis desde a infância e contribuir para a formação de uma geração com mais qualidade de vida e menos riscos de doenças associadas ao excesso de peso.
*informações: Kamilla Ratier, Comunicação SES
Fotos: Reprodução Gov BR






















