Redução de 0,25 ponto percentual foi anunciada pelo Copom nesta quarta-feira (17); cenário de inflação acima da meta e incertezas internacionais ainda exige cautela
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual. Com a decisão, a Selic passa de 14,50% para 14,25% ao ano, registrando a terceira queda consecutiva dos juros em 2026.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a conter a alta dos preços. Já a redução da taxa costuma estimular a atividade econômica, ao facilitar o acesso ao crédito para famílias e empresas.
O ciclo de cortes começou em março deste ano, após um período em que a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o maior patamar registrado em quase duas décadas.
Apesar da nova redução, o Banco Central indicou que o cenário ainda exige cautela. Entre os fatores considerados pelo Copom estão os impactos dos conflitos no Oriente Médio, que continuam pressionando os preços de combustíveis e alimentos e aumentando as incertezas sobre o comportamento da inflação.
Segundo o comitê, a permanência das dúvidas sobre um acordo para encerrar os conflitos armados na região e os efeitos econômicos já observados justificam uma postura mais prudente na condução da política monetária.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, afirmou o Copom em comunicado.
O Banco Central também destacou que a economia brasileira apresentou aceleração no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o comitê, setores mais sensíveis ao ciclo econômico voltaram a ganhar força, enquanto o mercado de trabalho segue demonstrando resiliência.
Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação permanecem acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). As projeções da pesquisa Focus apontam inflação de 5,30% em 2026 e de 4,10% em 2027.
A meta de inflação definida para o período iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, permitindo que o índice varie entre 1,5% e 4,5%.
No comunicado, o Copom afirmou ainda que acompanha os efeitos da política fiscal sobre a economia e o mercado financeiro.
“O comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o comunicado.
Segundo o colegiado, os indicadores atuais mostram recuperação da atividade econômica em relação ao último trimestre de 2025, mas ainda apontam para uma desaceleração gradual ao longo de 2026. O cenário continua sendo influenciado por expectativas de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho.
O Copom informou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da trajetória da inflação. O objetivo, segundo o Banco Central, é garantir a convergência dos preços para a meta nos próximos anos.
“Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o Copom.
*Informações e Imagem: Agência Brasil





















