A queda nos preços dos combustíveis e do café ajudou a desacelerar a inflação brasileira em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio.
Apesar da desaceleração, o índice continua pressionado pelo aumento dos preços da energia elétrica, das passagens aéreas e de alimentos básicos, como batata, tomate e feijão.
Com o resultado, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,45%. Nos últimos 12 meses, o avanço dos preços soma 4,80%, acima dos 4,64% registrados no período imediatamente anterior.
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial e serve de referência para acompanhar a evolução do custo de vida das famílias brasileiras.
Combustíveis aliviam pressão sobre os preços
Entre os principais fatores que contribuíram para a desaceleração da inflação estão os combustíveis. A gasolina registrou queda média de 0,73% em junho, enquanto o etanol ficou 5,30% mais barato.
Juntos, os dois produtos tiveram um dos maiores impactos negativos sobre o índice geral do mês, ajudando a compensar aumentos observados em outros setores da economia.
O café moído, que vinha acumulando sucessivas altas nos últimos meses e se tornou um dos símbolos da inflação dos alimentos, também apresentou recuo. O produto ficou, em média, 3,69% mais barato em junho. As frutas registraram queda de 0,96%.
Os números indicam uma redução do ritmo de aumento dos preços dentro de casa. A inflação da alimentação no domicílio passou de 1,73% em maio para 0,87% em junho.
Batata e tomate seguem pressionando orçamento
Embora alguns alimentos tenham ficado mais baratos, produtos importantes da cesta básica continuaram em trajetória de alta.
A batata-inglesa liderou os aumentos do mês, com avanço de 29,42%. O tomate ficou 17,27% mais caro, seguido pelo feijão-carioca, que subiu 14,29%, e pela cebola, com alta de 9,54%.
No acumulado do primeiro semestre, os aumentos impressionam. O tomate já acumula valorização superior a 103%, enquanto a cenoura e a batata tiveram altas acima de 100% no período.
A persistência desses reajustes tem impacto direto no orçamento das famílias, especialmente das de menor renda, que destinam parcela maior dos gastos à alimentação.
Conta de luz volta a pesar
Outro fator de pressão sobre a inflação foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,04% em junho e respondeu pelo maior impacto individual no índice.
O aumento está relacionado à vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta cobrança extra na conta de luz, além de reajustes autorizados para algumas concessionárias.
O grupo Habitação desacelerou em relação ao mês anterior, mas ainda registrou alta de 0,72%, tornando-se um dos principais responsáveis pelo resultado geral do IPCA-15.
Passagens aéreas e planos de saúde também subiram
No setor de transportes, as passagens aéreas voltaram a pressionar o orçamento dos consumidores, com aumento médio de 7,24% em junho.
Também registraram alta as tarifas de ônibus urbano e os preços dos automóveis novos.
Já no grupo Saúde e Cuidados Pessoais, os artigos de higiene pessoal avançaram 1,03%. Os planos de saúde tiveram alta de 0,35%, refletindo a incorporação gradual do reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE, Brasília apresentou a maior inflação do país em junho, com alta de 0,93%.
Segundo o instituto, o resultado foi influenciado principalmente pelo aumento das passagens aéreas e da gasolina na capital federal.
Na outra ponta, Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador registraram a menor variação, de 0,28%.
No Rio, contribuíram para o resultado as quedas nos preços da hospedagem e do seguro de veículos. Em Curitiba, pesaram os recuos no licenciamento de veículos e na gasolina. Já em Salvador, destacaram-se as reduções nos preços do café moído e dos combustíveis.
Cenário ainda exige atenção
Embora a desaceleração observada em junho seja considerada positiva, especialistas avaliam que a inflação continua acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
A queda dos combustíveis e de alguns alimentos ajudou a reduzir a pressão sobre o índice, mas o avanço persistente de itens essenciais, como energia elétrica e produtos da cesta básica, indica que o custo de vida segue elevado para grande parte da população.
Os próximos resultados deverão mostrar se a redução observada em junho representa o início de uma tendência mais consistente de desaceleração ou apenas um alívio temporário diante de um cenário ainda marcado por pressões sobre os preços.
Foto: Magnific
Com informações do Governo Federal



















