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Levantamento aponta que 62% dos moradores da Capital pretendem adquirir um imóvel; setor vê mercado em fase de transição e projeta crescimento até o fim de 2026

O mercado imobiliário de Campo Grande segue aquecido e apresenta uma intenção de compra acima da média nacional. Dados do Censo Imobiliário do primeiro trimestre de 2026, divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de MS (Sinduscon-MS), mostram que 62% dos moradores da Capital pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, enquanto o índice nacional é de 49%.

O levantamento, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, também aponta que, apesar da redução no número de lançamentos, o mercado manteve praticamente o mesmo ritmo de vendas do primeiro trimestre do ano passado. Foram 464 unidades comercializadas entre janeiro e março deste ano, alta de 3,3% na comparação anual, enquanto o preço médio do metro quadrado alcançou R$ 10.513, valorização de 10,5% em um ano, acima da média das capitais do Centro-Oeste, que foi de 8%.

Anderson Gonçalves e Rafael Tenuta detalharam os dados do Censo Imobiliário do 1º trimestre de 2026, que apontam alta intenção de compra de imóveis e valorização do mercado em Campo Grande

Segundo o consultor regional da Brain, Anderson Gonçalves, os números mostram que Campo Grande atravessa uma fase de transição. Após o forte volume de lançamentos registrado em 2025, principalmente no último trimestre, o mercado entrou em um período de ajuste entre oferta e demanda.

“Campo Grande passa exatamente por esse ajuste. É uma adequação ao volume que lançamos lá atrás. Agora temos que equacionar esse estoque. Estamos passando por um momento de transição”, explica Anderson.

Mesmo com a redução de 41% nas unidades lançadas no primeiro trimestre, o consultor afirma que a demanda continua elevada e sustenta o mercado. “Há um apetite muito forte da população de Campo Grande para comprar um imóvel. Quando olhamos para o Brasil, 49% da população quer comprar um produto imobiliário. Em Campo Grande, estamos falando de 62%”. 

Atualmente, Campo Grande conta com 1.961 apartamentos disponíveis para venda. Para o consultor, esse volume representa um estoque saudável para o porte da cidade e contribui para a valorização dos imóveis. “Quem está querendo comprar um produto imobiliário não pode deixar para amanhã, porque pode pagar mais caro”, afirma.

A pesquisa também mostra mudanças no perfil dos compradores. A geração Z – nascidos entre 1997 e 2010 – ampliou a intenção de compra de imóveis, passando de 49% no início de 2025 para 59% em março deste ano. Além disso, os consumidores estão mais ativos na busca por imóveis, pesquisando em sites, redes sociais e plataformas digitais antes de fechar negócio.

Entre os imóveis mais desejados estão as casas de rua, com 47% da preferência dos entrevistados, seguidas por apartamentos (35%) e casas em condomínios fechados (14%). A principal motivação para a compra continua sendo mudanças de vida, como sair do aluguel, casar ou deixar a casa dos pais.

Apesar da redução dos lançamentos, as vendas permaneceram praticamente estáveis no primeiro trimestre. Foram 464 unidades comercializadas, sendo 59% pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Para o vice-presidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, o principal fator que hoje limita novos empreendimentos é a taxa básica de juros. Segundo ele, o custo elevado do crédito faz com que as construtoras adiem lançamentos.

“A taxa Selic alta reduz a tomada de dinheiro pelo empreendedor. O custo fica maior, então ele tira o pé dos lançamentos. Somado a isso, houve aumento no custo dos materiais, o que também pressiona a margem das empresas.”

Mesmo assim, Tenuta avalia que o mercado continua aquecido e tem potencial para crescer rapidamente caso os juros comecem a cair.

“Um pequeno ajuste na taxa Selic para baixo aquece esse mercado de uma forma muito rápida. Campo Grande está preparada para entrar em grandes números de vendas e de lançamentos.”

Gonçalves acrescentou que uma eventual redução dos juros também beneficiaria diretamente quem pretende financiar um imóvel. Os especialistas estimam que a cada ponto percentual de redução da Selic, o valor da parcela de um financiamento pode cair entre R$ 700 e R$ 800, considerando um imóvel de padrão médio.

Na avaliação da Brain, o cenário combina demanda elevada, estoque equilibrado e valorização dos imóveis. Com esse contexto e uma possível redução da Selic ao longo do ano, a expectativa é que Campo Grande ultrapasse pela primeira vez a marca de R$ 2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

“Nós temos mercado, temos demanda e capacidade para ultrapassar R$ 2 bilhões em vendas até o fim de 2026”, projetou Gonçalves.

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