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Pesquisa aponta que excesso de tarefas manuais e operacionais reduz espaço para atividades estratégicas e aumenta desgaste das equipes

A sobrecarga de trabalho tem se consolidado como um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais da área financeira no Brasil. Uma pesquisa da fintech Espresso, empresa do grupo Sankhya, revela que quatro em cada dez trabalhadores do setor apontam o excesso de demandas como uma das maiores dificuldades da rotina profissional.

O levantamento, intitulado “Panorama de Despesas Corporativas”, analisou mais de 4,5 milhões de despesas registradas ao longo de 2025 por cerca de 1.500 empresas brasileiras. Os dados indicam que a pressão enfrentada pelas equipes financeiras não está relacionada apenas ao volume de trabalho, mas também à predominância de tarefas operacionais que consomem tempo e dificultam uma atuação mais estratégica.

Responsáveis por controlar despesas, acompanhar fluxos financeiros, garantir conformidade com normas e fornecer informações para a tomada de decisões, os profissionais da área acabam dedicando grande parte da jornada a atividades repetitivas e burocráticas.

Operação ocupa espaço da estratégia

Segundo o estudo, tesoureiros corporativos gastam aproximadamente 25% do tempo em funções tradicionais, como controle de liquidez e gestão de capital. Em contrapartida, apenas 16% da jornada é destinada a atividades estratégicas, como análise de cenários, planejamento financeiro e apoio à tomada de decisões.

A diferença ajuda a explicar a sensação de sobrecarga relatada pelos profissionais.

À medida que as demandas aumentam, muitas empresas não ampliam suas equipes na mesma proporção. O resultado é um ambiente marcado por retrabalho, conferências manuais, processos burocráticos e acúmulo de responsabilidades.

Para especialistas do setor, essa realidade reduz a capacidade de o departamento financeiro atuar como uma área de inteligência e suporte estratégico para os negócios.

Tarefas manuais ainda dominam rotina

Embora a digitalização tenha avançado nos últimos anos, muitas organizações ainda dependem de processos manuais para controlar despesas, aprovar pagamentos e consolidar informações financeiras.

Esse cenário faz com que profissionais altamente qualificados dediquem horas a atividades operacionais que poderiam ser automatizadas.

O impacto não se limita à produtividade. A pesquisa destaca que processos ineficientes também contribuem para o desgaste emocional das equipes, aumentam a possibilidade de erros e dificultam a retenção de talentos.

A conferência constante de documentos, recibos e comprovantes, por exemplo, continua sendo uma das tarefas mais frequentes em muitas empresas.

Automação muda papel da área financeira

O estudo aponta a automação como uma das principais alternativas para reduzir a pressão sobre os profissionais e ampliar a capacidade estratégica das equipes.

Dados da consultoria McKinsey citados no relatório mostram que empresas com áreas financeiras altamente automatizadas conseguem dedicar até 60% mais tempo a atividades estratégicas em comparação com organizações que ainda operam predominantemente de forma manual.

A adoção de ferramentas tecnológicas permite automatizar tarefas repetitivas, reduzir retrabalho e melhorar a qualidade das informações utilizadas na gestão empresarial.

Com isso, os profissionais financeiros passam a atuar de forma mais analítica, concentrando esforços na interpretação de dados, na identificação de oportunidades e na formulação de estratégias para os negócios.

Inteligência artificial acelera transformação

A transformação digital também tem sido impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.

Pesquisa da consultoria Gartner, citada no levantamento, mostra que 59% dos diretores financeiros (CFOs) já utilizam algum tipo de inteligência artificial em operações da área financeira.

A tecnologia vem sendo aplicada em funções como análise de dados, projeções financeiras, identificação de inconsistências e automação de processos administrativos.

Especialistas avaliam que a tendência não representa o desaparecimento de funções financeiras, mas uma mudança significativa no perfil dos profissionais mais valorizados pelo mercado.

Competências ligadas à análise de dados, pensamento estratégico e tomada de decisão ganham espaço à medida que tarefas operacionais passam a ser executadas por sistemas automatizados.

Desafio vai além dos números

Além dos impactos na produtividade e na eficiência das empresas, o estudo chama atenção para um aspecto menos visível: o desgaste humano provocado por processos excessivamente burocráticos.

A sobrecarga acumulada, o retrabalho constante e a dificuldade de dedicar tempo a atividades de maior valor agregado afetam diretamente a satisfação dos profissionais e podem comprometer a qualidade das decisões financeiras.

Em um cenário de crescente digitalização, especialistas apontam que o desafio das empresas não é apenas investir em tecnologia, mas redesenhar processos para que as equipes financeiras consigam exercer um papel mais estratégico e menos operacional dentro das organizações.

A mudança, segundo o estudo, pode ser decisiva para aumentar a competitividade das empresas e melhorar a qualidade de vida dos profissionais responsáveis por administrar os recursos e a saúde financeira dos negócios.

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